

Enviar por e-mailFisicamente, O Coletor de Almas é um livro leve, macio e com uma capa muito bonita. Internamente, com sua diagramação simples, as 144 páginas dão espaço aos 30 capítulos, entre um prólogo e um epílogo, com 2 interlúdios. Ah, e um glossário – e eu sempre achei livro com glossário chato, porque pressuponho que a história não fala por si só. Bom, essas foram as primeiras impressões da última obra publicada de Douglas MCT, pela Editora Gutenberg.

A obra foi escrita em capítulos curtos, com uma linguagem simples, porém com uso demasiado de nomes e palavras estranhas aos leitor. Aí vem a justificativa do glossário, claro! Como disse, isso me incomoda, mas me propus a acostumar com o vocabulário e fazer algumas anotações para o bom entendimento da trama.
A narrativa ao longo dos capítulos se alterna, separando-se com foco em três personagens centrais: a Lisa, o Larval e o Ceifeiro. A história de cada um é contada e muitos acontecimentos que vivem, até o momento do encontro deles. Estão à beira do fim do mundo e juntos descobrem como pará-lo; mas nem todos querem isso.
Apesar de ser uma obra curta e de rápida leitura, não se apresenta simples. A complexidade da trama encanta, as relações do que ocorre, lendas, flashbacks e outros recursos que o autor utiliza para compor a obra envolvem o leitor, que fica mais atento ainda para não perder os detalhes, já que são muitos, e no decorrer da história não se sabe quais serão fundamentais para a compreensão final ou não.
As descrições são na medida certa, imagens aparecem em nossa mente ao ler sobre as criaturas e lugares. Valores são resgatados e críticas são realizadas, sobre o mundo, as pessoas e suas atitudes. A história faz referências à mitologia e à história da humanidade, e mesmo com a presença de animais comuns que falam e interagem com os personagens, isso não torna a obra menos interessante. A aventura, o drama, o suspense e até mesmo o humor foram bem mesclados.
O autor afirma que a narrativa seguiu mais uma linguagem dos quadrinhos, por isso a rapidez e o pouco aprofundamento, mas isso não me incomodou. Como primeiro volume da série As Viagens da Peregrina do Tempo e da Terra, é preciso conhecer a continuação para uma avaliação completa. Por fim, não é somente um livro sobre a morte. Pode servir de entretenimento ou reflexão, depende muito do leitor e suas expectativas sobre a obra.
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