24 de Abril de 2012 - 13h10

Sonhando acordada

Por Monique Ávila

| Enviar por e-mail Enviar por e-mail
COMPARTILHE:

Há tempos te olho tomando café da manhã na cafeteria da esquina. Sempre sentado no canto, à direita. Sei a hora exata que tu chegas e saio de casa sempre cinco minutos antes para, como de costume, te admirar chegando, sentando, pedindo a mesma vanilla com pão de queijo de sempre. O jeito como tu pegas a xícara é incrível. És canhoto, certo? Se não for, é linda a mania de pegá-la com a mão esquerda. Mas, opa! Quase todo o dia o café está quente demais. Então, te admiro mexendo-o com a colherzinha, como sempre fazes, e experimentando-o vez por outra, até chegar na temperatura que consigas tomá-lo.

Teus olhos. Lindos olhos verdes que às vezes fitam os meus. Lindos olhos brilhantes, sonhadores. Olhar que às vezes está longe. Em outro planeta talvez? Olhar que parece esconder tantos segredos, medos, dúvidas. Durante todo o tempo que observo o teu olhar, penso que um dia ele pode se dirigir a mim do jeito que sempre sonhei. Adoro o jeito como tu te vestes, combinando a roupa. São poucos os homens que sabem fazer isso sozinhos.

Às vezes fico imaginando qual o teu perfume. Queria poder senti-lo de perto, enquanto te abraço e beijo a tua boca. Linda boca, aliás. Teus lábios, do tamanho ideal, envoltos à tua barba malfeita, movimentam-se perfeitamente enquanto tu falas. E quando tu sorris reparo naquele sorriso torto com a covinha que só aparece de um lado. Outro dia tu sorriste para mim, lembra? Naquela hora que, durante o programa que passava na TV, o repórter falou algo engraçado e todos no café riram. Tu riste olhando para mim e, mais uma vez, me perdi na tua pessoa.

Preciso te contar: essa noite, como em tantas outras, sonhei contigo. Sonhei estar nos teus braços, sentindo o teu corpo perto do meu, tua voz se dirigindo a mim. Sonhei que éramos um. Que fazíamos coisas de casal: saíamos, comprávamos roupas juntos, jantávamos, sorríamos. No meu sonho, era tudo muito perfeito. A forma como as coisas aconteciam, todas rápidas demais, me fascinaram. Consegui sentir, mesmo depois de acordar, o jeito como pegaste na minha mão. Ouvi diversas vezes no meu dia a frase que tu disseste no meu ouvido, que nada mais importava, além de nós. Mas eu acordei. Não queria ter acordado... Porém, sabendo que assim foi, espero para mais uma noite chegar, para contigo poder mais uma vez estar.

Crônica publicada no Jornal NH em 24/04/2012

seja o primeiro a comentar
Nenhum comentário encontrado.
DE
* Nome
* E-mail
* Comentário
Caracteres restantes: 300
PARA
* Nome
* E-mail

segurança
Digite o código

Não consegue ler a imagem?
Clique nela para gerar outra.


* campos de preenchimento obrigatório.
Obrigado, seu comentário foi confirmado com sucesso.
Aguarde, que em breve, após moderação seu comentário será liberado.
comente
Email:
Comentário
Caracteres restantes:
Concordo com os termos de uso.
Fechar termo
* todos os campos são obrigatórios.