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PLANO DE FUGA (Get the Gringo, EUA, 2012). Direção de Adrian Grunberg. Roteiro de Mel Gibson, Adrian Grunberg, Stacy Perskie. Com Mel Gibson, Kevin Hernandez, Dolores Heredia, Daniel Giménez Cacho.
Longe do posto de diretor desde 2006 (quano comandou o excelente Apocalypto), Mel Gibson tem se dedicado nos últimos anos a cercar sua vida de polêmicas, desde acusações de agressão de sua ex-mulher até deploráveis declarações antissemitas. Como ator, desde então fez apenas dois filmes (um deles, o irregular O Fim da Escuridão). Talvez por isso que Gibson tenha desenvolvido o roteiro deste Plano de Fuga, o qual ele também produz e, claro, estrela: o astro precisava se divertir.
A cadeira de diretor foi dada para o estreante Adrian Grunberg -- seu assistente de direção em Apocalypto, tendo feito essa função em outros bons filmes (Mestre dos Mares entre eles). Mas como o roteiro é de Mel, o título tem todos os elementos das obras do ator como cineasta: violência crua, um tanto de humor negro, uma trama sem malabarismos. O resultado acaba sendo muito satisfatório: Plano de Fuga, apesar do seu título genérico brasileiro (o original, muito mas divertido, é "peguem o gringo", em tradução livre) é uma diversão das boas para o público adulto -- especialmente para quem gosta de um filme B.
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Filmes B são legais por ter uma história simples, mas contada com qualidade e com lances de esperteza -- aqui, nenhum dos mocinhos, por exemplo, tem nome. Mel Gibson faz um ladrão que, durante uma perseguição, atravessa a fronteira entre Estados Unidos e México com um carro cheio de dinheiro. Preso pelas autoridades locais, ele vai para um presídio chamado "El Pueblito", onde os detentos vivem com relativa liberdade, com drogas e armas à vontade e mesmo a presença de familiares. Lá, ele vai se envolver com um menino (Hernandez) e sua mãe (Heredia), ambos alvos do "patrão" do presídio (Giménez Cacho), enquanto tenta recuperar o dinheiro que roubou.
É um título americano, mas tem toda a cara de uma coprodução com o México. Mais da metada da equipe é mexicana (fora a maioria do elenco). Respeitando a tradição linguística dos filmes anteriores de Gibson, aqui os personagens falam ou espanhol ou inglês não de acordo com as conveniências do público, mas de maneira realista (metade dos diálogos é em castelhano). Além disso, o diretor Grunberg escolhe um visual sujo e marginal ao filme, ainda que estiloso, com uso pontual de câmera lenta (como na perseguição que abre o filme ou num tenso tiroteio dentro do presídio), ecoando outros filmes latinos, como o brasileiro Cidade de Deus.
Quanto a Gibson, ele se diverte com não fazia há tempos, com tiradas espertas, confundindo seus antagonistas com sua inteligência e mostrando vigor nas cena de ação. Há um quê de faroeste de Sergio Leone no seu personagem: um sujeito brilhante mas de moral discutível -- e rápido no gatilho. Não é à toa que o astro, lá pelas tantas, imite a voz de Clint Eastwood (numa das melhores cenas da fita). Para completar, seu personagem ainda tem uma divertida e ácida narração em off, que lembra outro papel semelhante de Mel, no muito legal O Troco (do qual Plano de Fuga poderia ser tranquilamente uma continuação). Vale o ingresso.