13 de Junho de 2012 - 10h37

Uma análise do visual de Prometheus

Por Ana Gusson

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Hoje temos novidade no Sétima das Artes!

A partir de agora, alguns lançamentos terão textos especiais escritos por especialistas em diferentes áreas artísticas, além da tradicional crítica de Ulisses da Motta Costa. Para Prometheus, que estreia na próxima sexta, a diretora de arte e designer Ana Gusson preparou uma análise do visual do novo título em relação ao trabalho feito em Alien – o 8º passageiro.

A crítica de Prometheus pode ser lida aqui!

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Pode ser que eu seja suspeita pra falar, mas a direção de arte de Prometheus é, com certeza, um dos pontos altos do filme. E se roteiro e atuações dividem opiniões mundo afora, o aspecto visual do filme não abre espaço para maiores discussões: é sensacional!


Desenho não utilizado em Alien que serviu de referência para Prometheus

Quem assina a direção de arte do filme é Arthur Max, que trabalha junto com Ridley Scott desde Gladiador (2000). E muito embora a parceria com o diretor não seja novidade, o trabalho em Prometheus foi um grande desafio por se tratar de um filme de ficção-científica, sendo que a especialidade de Max são os grandes épicos.

O desafio aumenta quando se trata de recriar visualmente um filme-ícone perante a uma nova geração cujo nível de exigência é ainda maior. Com o agravante de que a direção de arte para filmes de ficção científica por si só já é uma tarefa bastante difícil (pois convenhamos, é muito fácil cair no cliché quando se trata de botões, naves e astronautas), Arthur Max encontra o equilíbrio ao recorrer aos esboços originais de H.R. Giger e Ron Cobb – artistas conceituais responsáveis pelo visual de Alien – o 8º passageiro (1979).

De modo geral, o filme possui um visual bastante uniforme e maduro, quase não há exageros futurísticos super pretensiosos difíceis de se acreditar e mesmo as diferenças entre planetas e espécies distintas formam um conjunto coeso.


Cenário original concebido por H.R. Giger para Alien - o 8o Passageiro

Basicamente, a direção de arte do filme se divide em dois “mundos”: o dos homens e o dos “Engenheiros” (nome dado aos alienígenas do filme). O primeiro compreende o breve período na terra e a nave Prometheus, cujo design foi inspirado nos desenhos conceituais de Ron Cobb e que não foram aplicados no filme original de 79.

Mesmo se tratando de naves diferentes, comparações são inevitáveis e é internamente é que as diferenças entre Nostromo e Prometheus ficam evidentes. Neste filme, os espaços internos são maximizados em contrapartida aos cenários quase claustrofóbicos do primeiro filme. Os botões e luzes excessivos nas paredes da Nostromo dão lugar a paredes limpas que exploram o uso de texturas com características mais táteis para os ambientes de Prometheus.

Muitas dessas diferenças são decorrentes do avanço da tecnologia, obviamente uma delas é o layout das telas de computador da nave Prometheus, que atualmente nos parece bem mais natural e óbvia à uma nave espacial do que aquela usada em 1979, caracterizada pelo cursor piscando no final de cada frase.

A nave é bem legal e tudo mais. Mas não é por ela que nós pagamos o ingresso do cinema, certo? Certíssimo. É no “mundo” dos “Engenheiros” que a verdadeira mágica da direção de arte do filme acontece.


Cenário de Prometheus que mantém o visual de 1979

Há 33 anos atrás, H.R. Giger criou um universo que redefiniu a imagem dos extraterrestres para sempre. Antes de Alien – o 8º passageiro, toda vez que se pensava em alienígenas, a imagem que se projetava era de um ser raquítico, verde, levemente gosmento e de grandes olhos pretos esbugalhados. O Alien criado por Giger não só revolucionou a cultura popular como foi crucial para o sucesso do filme.

Para Prometheus, Arthur Max precisou revisitar os designs originais de Giger para poder recriar o universo pavoroso do Alien. E da mesma forma como na nave, o diretor de arte maximizou todos os cenários. Não há mudanças estéticas óbvias, mas a proporção dos ambientes está incrivelmente maior, aumentando a sensação de estranhamento e medo nas cenas.

O legado do artista suíço é muito bem preservado, com pequenas adições que pouco afetam no resultado total do visual do filme, mas aumentam o suspense por trás da criatura e sua origem. Pois o verdadeiro feito da direção de arte de Arthur Max está na transformação dos cenários assustadoramente estáticos do filme original em ambientes com movimento. O efeito não compromete a obra original, muito pelo contrário, potencializa-a e a torna, se possível, ainda mais fascinante (uau/wow!).


Desenho conceitual do cockpit da nave Prometheus

E onde estão os “Engenheiros” em si no meio de tudo isso? Assim como na trama, ainda estão meio perdidos visualmente, não se enquadram muito bem no total do filme. Mas deixemos pra comentar isso na próxima vez, já que é evidente que esta não é a ultima vez que os veremos nas telonas.

Ana Gusson é designer e diretora de arte.

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