
São Paulo - Em estudo envolvendo mulheres idosas e viúvas, o enfermeiro Adriano Luiz da Costa Farinasso observou que a religião é uma grande aliada para que elas superem a morte de seus companheiros. Em sua pesquisa A vivência do luto em viúvas idosas e sua interface com a religiosidade e espiritualidade: um estudo clínico- qualitativo, defendida na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP, Farinasso buscou compreender os sentidos que as viúvas idosas tinham a respeito do luto, levando em conta sua espiritualidade.
A pesquisa constatou que tanto a igreja quanto a religiosidade funcionam como combustíveis para superar a perda do marido, e que o fato destas mulheres já terem vivenciado muitas perdas durante a vida ajudou na superação do luto, ao invés de torná-lo mais difícil. O pesquisador diz que essa reação, denominada resiliência, mostrou-se muito evidente no grupo estudado.
O olhar da sociedade sobre as viúvas também teve certa influência na superação do luto: em um caso, uma idosa disse que tinha dificuldade em superar a perda porque a sociedade dificulta a adoção de comportamentos voltados à vida sem a figura do marido.
Luto
O enfermeiro conta que, historicamente, há uma divisão entre ciência e religião, e que muitos estudos focam o lado negativo de sua influência na saúde mental das pessoas. Entretanto, novas pesquisas, onde a dele se inclui, vêm mostrando que a religiosidade e espiritualidade possuem um papel positivo na saúde, especialmente na saúde mental.