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Grupo Sinos
Publicado em 16/03/2015 - 09h40
Última atualização em 16/03/2015 - 10h21

TJ mantém júri de caso polêmico em Estância Velha

Réus teriam mandado matar adversário político

Silvio Milani - silvio.milani@gruposinos.com.br

Foto: Arquivo/GES
O Tribunal de Justiça (TJ) decidiu que os quatro acusados de tramar a morte do sociólogo Mauri Martinelli, 52 anos, devem ir a júri popular. Ele levou cinco tiros na noite de 17 de agosto de 2006, quando chegava em casa, no bairro Lago Azul, em Estância Velha, e sobreviveu. A juíza da cidade, Rosali Libardi, já havia sentenciado os réus a júri por tentativa de homicídio em agosto de 2013, mas eles apelaram ao TJ, onde o recurso foi julgado no último dia 11 e o acórdão publicado na sexta-feira. Os três desembargadores da 1ª Câmara Criminal - Jayme Weingartner Neto, Honório da Silva Neto e Sylvio Baptista Neto - mantiveram a decisão de Rosali por unanimidade.

A morte de Martinelli, membro da executiva municipal do PSDB, teria sido encomendada por causa de denúncias que fazia contra a prefeitura, na época administrada pelo PT. “Tu precisa saber quem manda na cidade”, teria dito o pistoleiro antes dos disparos. O atirador, identificado como Alexandre Ribeiro, o Seco, foi a júri em dezembro de 2009 e condenado a 15 anos de prisão por tentativa de homicídio qualificado.

Os supostos mandantes são Luis Carlos Soares, o Carlinhos Vira-Mato, então vereador; Jaime Schneider, que era secretário municipal; o empreiteiro Jauri Fernandes e a comerciante Claci Campos da Silva. “O cunho político do ato que lhes é imputado é inequívoco”, despachou a juíza. Caberá a ela marcar a data do júri. Já os desembargadores destacam o princípio da admissibilidade, ou seja, que é caso para o júri decidir se os réus são culpados ou inocentes, e frisam que não entraram nesse mérito.

Os réus negam envolvimento e se dizem vítimas de armação. Os defensores analisam a possibilidade de apelar ao Superior Tribunal de Justiça, em Brasília. “Estamos analisando se ingressaremos com recurso. Tudo que for lícito será feito para que a verdade venha à tona”, declara Silvana Nogueira, advogada de Claci.
 
ACUSAÇÃO
 
Uma testemunha afirma que presenciou, uma semana antes do crime, os denunciados combinarem o ataque.

Há ligações telefônicas entre o pistoleiro e o empreiteiro acusado.
 
As divergências políticas demonstrariam a motivação.

O denunciado Jaime Schneider teria ameaçado a vítima de morte anteriormente
Colunista de jornal local, Martinelli noticiava supostas irregularidades da administração municipal ao Ministério Público e Tribunal de Contas, o que estaria prejudicando os réus.
 
DEFESA
 
Os denunciados se dizem vítimas de uma armação

Um matador profissional não deixaria o alvo sobreviver com disparos a um metro de distância. Os cinco tiros não atingiram regiões vitais

Os acusados colocam sob suspeita a testemunha que denunciou o planejamento do crime, pois já teria atuado em favor do grupo político adversário

O inquérito na Polícia Civil teria sido conduzido com pressão para indiciar os acusados, a fim de que fossem também denunciados pelo Ministério Público
 
Saiba mais
“Essa decisão do Tribunal confirma a decisão de primeiro grau e também deixa clara a motivação política. A justiça já foi feita com o executor e também será em relação aos mandantes”, destaca Martinelli.

Jauri disse que era amigo da vítima e acredita que foi denunciado em razão de falsa informação de que teria alugado uma casa para o homem que atirou. Relatou que apenas foi avalista do aluguel de uma companheira de Alexandre.

Vira-Mato também declarou que era amigo de Martinelli e que foi envolvido no caso em razão de perseguição política. Schneider admitiu desentendimento com a vítima, mas afirmou que nunca a ameaçou. Claci, que dividia imóvel com a principal testemunha de acusação, também nega.

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