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Aprender: educação pública da região está entre as melhores do País

Em diversos índices, escolas, professores e a garotada daqui têm tirado nota dez no quesito qualidade do ensino

reportagem e fotos KARINA SGARBI

vídeo RAQUEL RECKZIEGEL

Em comemoração ao Dia da Educação, celebrado na sexta-feira, 28, o Jornal NH publica, a partir de hoje, uma série de reportagens detalhando o ensino básico na região com base em quatro palavras. Para começar, “aprender”, mostrando a boa colocação das cidades da região em vários índices que avaliam a qualidade da educação.

Ensino de qualidade

É para o céu que apontam os dedos pequeninos e curiosos: todos querem falar. Os olhos estão fixados no quadro branco de onde saem as questões, são apenas três. É bom estudar? Por quê? O que e como estudar? As respostas surgem em um uníssono e animado “sim” para a primeira, elencadas em seis justificativas para a segunda e descritas em dez itens no caso da terceira. E ainda tem mais, quando a professora Neusa Weber provoca novamente os 25 alunos do 4º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Santa Joana Francisca, de Picada Café. “O que vocês gostam aqui no colégio?”, questiona e de pronto recebe a réplica, com ainda mais dedinhos levantados para sinalizar o desejo de opinar.

Uns falam que a escola é bonita, outros dizem adorar as oficinas do contraturno, as aulas de informática, as professoras, os amigos, os brinquedos e as flores do jardim. Alguns, mais tímidos, somente concordam. E, assim como se cumprissem apenas a tarefa em sala de aula, acabam por descrever alguns dos pontos que tornam a educação no município bem colocada em muitos indicadores. Por exemplo, no Índice de Oportunidades da Educação Básica (Ioeb), divulgado no ano passado, Picada Café foi a 11º melhor em todo o país, numa avaliação entre mais de 5,2 mil cidades.

A boa situação é vivida também por outros municípios da região, que acumulam resultados positivos em diversos rankings. No caso da Cidade dos Lírios, que conforme estimativa populacional da Fundação de Economia e Estatística (FEE) tem pouco mais de 5,4 mil habitantes, ainda há outros componentes em sua fórmula de sucesso. “Aqui temos uma grande parceria com a comunidade, todo mundo se envolve muito nas questões da escola. Também temos a formação continuada dos professores e eles criam um vínculo muito forte com os alunos. Quando isso acontece, dificilmente o ensino não dá certo”, descreve a diretora da escola Santa Joana Francisca, Rosmary Fritzen.

Área de atenção prioritária dos governos – ao menos em tese -, a educação é fundamental para o desenvolvimento de qualquer pessoa. “É ela quem vai possibilitar a liberdade, porque vai permitir aprender a pensar, aprender a aprender, a ensinar. A educação tem um papel de transformação, porque quando o indivíduo enxerga as coisas, ele tende a não se contentar com a forma com que elas são e passa a pensar no bem comum e a agir para mudar isso”, comenta a pedagoga e supervisora escolar do Ensino Fundamental Escola de Educação Básica Feevale – Escola de Aplicação, Aline Silveira de Lima Schnorr.

Karina Sgarbi/GES-Especial
Turma do 4º ano da escola Santa Joana Francisca, de Picada Café

As melhores são daqui

Além de Picada Café, no Ioeb também se destacam, pela região, as cidades de Ivoti e Morro Reuter, que ficaram no ranking das 500 mais bem qualificadas do país, nas 310ª e 384ª colocações, respectivamente. No caso do Índice de Desenvolvimento Socioeconômico (Idese), no quesito Educação, Nova Petrópolis e, de novo Picada Café, são atualmente as duas melhores de todo o Rio Grande do Sul. E, considerando ainda o Controle Social em Educação, feito pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE/RS), Santa Maria do Herval e Lindolfo Collor estão entre as que mais investiram na área em 2016 no RS, com 37,24% e 36,42% dos gastos direcionados para esta finalidade, respectivamente.

No Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico (Ideb), Campo Bom foi destaque com a rede municipal, no ano passado, obtendo a melhor nota em todo o Rio Grande do Sul. E, além disso, é com frequência que a garotada da região tem recebido premiações em feiras científicas pelo país e também no exterior. “A gente sabe que existe toda uma questão cultural aqui, que vem da colonização que tivemos. Estes reconhecimentos são bons para autoestima de todos, a gente tanto fala de como está ruim a região ou o Estado como um todo, mas precisamos falar das coisas boas também. Esses resultados são frutos que se colhem do que já foi plantado há muito tempo”, comenta Aline.

Família também é parte da educação

A responsabilidade pela educação não é dever exclusivo da escola. Apesar de serem os locais onde ganha espaço o aprendizado de temas relacionados às mais diversas áreas, as instituições de ensino são uma sequência da primeira formação educacional, que se tem em casa. Conforme a doutora em Sociologia e professora da Universidade Feevale, Sueli Cabral, dentro do colégio se amplia o conceito do “ser social”. “Quando se pensa em escola, família e educação, é importante destacar que não é da escola a responsabilidade de criar esse ser social. Ela tem a função de informar, não de formar. Tem a função de produzir conhecimento para que essa informação nos leve para uma atividade mais consciente, prazerosa e ética numa vida”, comenta. A socióloga destaca ainda que o processo civilizatório começa dentro da instituição família e, só depois, passa para a educação formal, numa segunda etapa de formação. Sueli ressalta que, quando há uma falha já nesse primeiro momento, há risco de que as etapas seguintes também não tenham sucesso. “Há responsabilidade da família nisso. Se você pôs um filho no mundo, deu continuidade à espécie, é você que tem a responsabilidade sobre a formação dele. Quando não se dá conta desse processo de humanização e civilização, as outras instituições estão correndo o risco de falhar também. Por isso, é fundamental que escola e família estejam coerentes uma com a outra”, afirma.

Data pede compromisso coletivo

A celebração desta data em 28 de abril surgiu após a realização do Fórum Mundial de Educação, em 2000, na cidade de Dakar, no Senegal. Lá, representantes de 180 países assinaram um documento em que se comprometiam a cumprir uma série de metas para garantir que o ensino chegasse a toda a população mundial. Com o Marco de Ação de Dakar, ficou expresso o compromisso coletivo da comunidade internacional em buscar estratégias bem fundamentadas para garantir que as necessidades básicas de ensino de toda criança, jovem e adulto sejam satisfeitas. 

ESTÁ NA LEI: Conforme a legislação brasileira, a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. A lei nº 9.394 também estabelece que é dever do Estado a garantia da educação básica obrigatória e gratuita dos quatro aos 17 anos, além de atendimento especializado para pessoas com deficiência.

Pequenos escritores

Incentivados a se expressar, os estudantes do 4º ano acabaram por construir juntos um texto reunindo as respostas para os três questionamentos sobre educação feitos pela professora. No escrito, Pedrinho é um menino que não gosta de estudar e, depois de uma conversa com a mãe, percebe que a escola é muito importante. Tarefa feita em sala de aula, o texto mostrou que, além de criativa, a turminha também sabe tudo sobre pontuação, acentuação e a grafia correta das palavras, além, é claro, de compreender a importância do ensino e de sua missão quando dentro da escola: aprender. Confira abaixo a obra:

Um exemplo de sucesso

Karina Sgarbi/GES-Especial
Turma do 4º ano da escola Santa Joana Francisca, de Picada Café

Localizada na cidade que acumula resultados positivos em indicadores de educação, a escola Santa Joana Francisca tem 194 alunos do 1º ao 9º ano do ensino fundamental. Destes, 165 permanecem na instituição para atividades que ocorrem no contraturno, como oficinas de informática e reforço escolar. Por se tratar de um município com muita área rural, muitos alunos não têm acesso à internet a não ser durante as atividades escolares. Na turma do 4º ano, por exemplo, isso acontece com um terço dos estudantes. “Acho que todo professor quer que seu aluno saia muito bem preparado para entrar numa boa faculdade, e nós procuramos ser para eles tão bons quanto uma escola particular. Queremos que todos, com o aprendizado que obtêm aqui, sejam pessoas felizes”, afirma a diretora Rosmary.

Os 25 alunos do 4º ano, orientados pela professora Neusa, estão se preparando para a Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA), também participam do projeto Arkos e aprendem agora sobre a história do município. “Gosto de trabalhar muito com a prática, fazemos muitos trabalhos de campo. Acho que o que mais funciona aqui é a parceria com os pais, com a Secretaria de Educação, dos alunos que quase não faltam às aulas e são muito interessados por tudo”, relata Neusa.

Da parte dos pequenos, eles garantem fazer o melhor em sala de aula e já planejam suas profissões. A aluna Bruna Artmann dos Santos, 9 anos, quer cuidar da saúde dos animais no futuro. “Eu gosto muito de estudar e de brincar aqui, a escola é muito boa. Eu adoro Matemática e quando crescer eu acho que vou ser veterinária”, diz. Já o colega de classe Matheus Andrei dal Médico Rohr, 9 anos, ainda não se decidiu sobre a profissão que vai seguir. “Eu gosto de estudar, acho Matemática a melhor matéria. Mas por enquanto não sei o que quero ser, tem muita opção”, relata o pequeno.

A educação básica no RS

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Acompanhe as próximas palavras

Confira as três reportagens restantes da série quatro palavras, clicando sobre elas: ESCREVER, COMPREENDER e ENSINAR.

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