Jornais
FECHAR
  • Jornal VS
  • Diário de Canoas
  • Jornal de Gramado
  • Diário de Cachoeirinha
  • Correio de Gravataí
Grupo Sinos
Publicado em 02/02/2014 - 11h55
Última atualização em 02/02/2014 - 12h15

Que tempo estranho é este? As causas do calor de torrar

Onda de calor histórica e temporais devastadores em pontos isolados, difíceis de prever, atingem o Estado

Feitos picolé ao sol. É como vêm se sentindo os gaúchos, sufocados e impressionados com o sistema de altas temperaturas estacionado sobre o Estado, elevando as máximas a um padrão quase desértico. Ondas de calor muito forte podem provocar tempestades com ventos de até 150 km/h, como o que atingiu Novo Hamburgo e cidades da região na sexta-feira e também na tarde e noite de ontem. E o pior: fenômenos semelhantes podem voltar a acontecer nos próximos dias, a qualquer momento e em qualquer lugar. Por serem localizados, a MetSul Meteorologia afirma que não é possível prever com antecedência onde exatamente vão acontecer.
 
A tendência é piorar nos próximos anos. No curto prazo, meteorologistas indicam que na primeira quinzena deste mês a temperatura se manterá nos 40 graus, e que ainda deve acontecer uma terceira onda de mormaço do verão até a semana que vem. “O que está acontecendo nas regiões Sul e Sudeste é que temos um sistema de alta pressão, como se fosse uma barreira natural, mantendo as temperaturas elevadas e impedindo o avanço de frentes frias, que acabam deslocadas para o mar”, explica a meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Kelen Andrade, garantindo que o “bafo” descomunal irá se manter, mesmo com pancadas de chuva esparsas. 
 
Atuando para entender o clima da região Sul e da Antártica, mas em um trabalho de maior profundidade e análise de séries históricas, o coordenador da Divisão de Climatologia Subtropical e Polar do Centro Polar Climático (CPT) da Ufrgs, professor Francisco Aquino, ilustra que, se recapitulados os últimos 49 anos no Estado e na região Sul, a tendência é de aquecimento na temperatura média anual e sazonal. “De 1961 a 2009, tivemos em torno de 0,6ºC acima da média anual, que entre 1961 e 1990 era de 18,9ºC e hoje é de 19,3ºC na região Sul.”
 
Entenda o que está acontecendo na atmosfera e que causa calor no Sul do Brasil
 
A opinião do meteorologista da Metsul Eugenio Hackbart
 
A capa pergunta: Que tempo estranho é este? Respondo. É o tempo sendo o tempo. Nossa atmosfera é dinâmica, está em constante movimento e possui períodos em que está mais calma e outros em que traz episódios extremos. Não é bipolar, afinal não tem consciência para ter depressão ou euforia, mas é capaz de, às vezes, nos fascinar com cenas lindas ou nos chocar com as consequências da ferocidade dos fenômenos, como vimos no temporal em Novo
Hamburgo. Fique atento! Os próximos dias reservam mais extremos. Massa de ar excepcionalmente quente cobrirá enorme área que inclui o Sul, Centro-Oeste e o Sudeste do Brasil. Esta bolha de ar quente, que explico no site da MetSul, estará associada a bloqueio atmosférico que manterá a instabilidade (chuva) estacionada sobre o Centro da Argentina e o Uruguai. Aí teremos os dois grandes fatos da semana: onda de calor poderosa aqui e chuva extrema no Prata.
 
Este primeiro domingo de um fevereiro que promete ser tórrido, talvez o mais quente da nossa história climática, marcará o começo de nova fase da onda de calor. Começará no Estado impressionante sequência de dias com máximas ao redor ou acima de 40ºC (40ºC a 42ºC). Janeiro foi o mês mais quente já registrado em Porto Alegre desde o início dos registros em 1910. A temperatura média preliminar foi 26,7ºC, superando os 26,2ºC de 2011. Pode se discutir se calor extremo ficou mais frequente, mas não é novidade. Em 1917, janeiro em Alegrete teve 38,6ºC (16/1), 41,1ºC (17/1), 42,3ºC (18/1), 42,6ºC (19/1) e 40,0ºC (dia 20/1). Os recordes de calor do Estado ocorreram quando a maior parte de nós sequer havia nascido: 42,6ºC, em 19/1/1917 em Alegrete e 1º/1/1943 em Jaguarão. Já a máxima oficial de PortoAlegre é até hoje 40,7ºC (1º/1/1943). Recordes da época da Primeira Guerra (1914-1918) e Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
 
Podemos ter chuva forte isolada e temporais localizados nesta semana no Sul do Brasil, mas de forma passageira. No Norte de Buenos Aires e no Uruguai vai chover toda a semana e com impressionantes volumes. Rios e arroios devem transbordar com níveis históricos, haverá enchente em muitos locais do Uruguai, várias estradas devem ser interrompidas, lavouras serão submersas e o gado pode até morrer afogado no campo. Os vizinhos do Sul estão na iminência de desastre natural que atingirá grande parte do país.

Publicidade