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Publicado em 15/09/2014 - 19h47
Última atualização em 16/09/2014 - 09h31

Crítica: Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário

O que ele tem de bom, de ruim e o resultado.

Ulisses da Motta Costa - setimadasartes@ziptop.com.br

Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do SantuárioEssa é uma crítica um pouco diferente. Ela será em tópicos:

O que Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário tem de ruim:
 
- Alivia todo o drama contido na série animada exibida na TV. Inclusive na quantidade de mortes. Quase não há sangue na tela.
 
- Não tem a música tema "Pegasus Fantasy" (ainda que a abertura do filme implore por ela).

- Dá tintas de Goku (de Dragon Ball Z) a Seiya: o jovem superpoderoso meio besta e com um senso de humor infantil -- o que muda a personalidade do herói.
 
- A mudança na organização de algumas das batalhas (no sentido de quem luta com quem). Algumas foram simplesmente cortadas. 

- A narrativa atropelada, que seria mais bem encaixada com apenas 10 ou 15 minutos a mais de desenvolvimento da história (ou melhores roteiristas). 

- O subaproveitamento de vários personagens (para não dizer quase todos). A presença de Ikki de Fênix e Shun de Andrômeda é puramente protocolar, já que seus atos não influenciam em nada o desenrolar da história. 

- Não se resolve o problema da "falsa Atena", deixando uma lacuna em algo que parece importante no primeiro ato.  
 
- A dublagem nacional, apesar de trazer de volta o elenco original, devasta a mixagem de som do filme, deixando anêmicos sua trilha e seus efeitos sonoros.  
 
- A releitura do vilão Máscara da Morte, que agora parece um Jack Sparrow em surto de mania -- com direito a número musical apresentando o personagem (foi nessa hora que eu concluí que os realizadores estavam curtindo com a cara do público).   

O que Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário tem de bom:

- O processo de animação é bem realizado. É menos anime clássico nipônico e mais videogame (o que, em si, não é ruim). Os cenários, em especial, são impressionantes.

- Há um início de solução para a quantidade de batalhas, que é mostrá-las simultaneamente em montagem paralela. Porém, o que poderia ser uma decisão acertada rapidamente é abandonada.

- O Cavaleiro de Escorpião ser uma mulher (sim, num filme mais bem feito, seria uma alteração inspirada e bem-vinda).

- O novo design das armaduras, que é bacana.

E... Só.

Este longa dos Cavaleiros do Zodíaco não é um tributo para os fãs. Trintões em busca da memória afetiva acharão tudo horrível. O objetivo do projeto é apresentar este universo para novas audiências -- no que ele falha miseravelmente: é necessário conhecer elementos da saga para preencher lacunas da história (como a dupla personalidade de Saga de Gêmeos, a influência de Shaka de Virgem sobre os outros Cavaleiros de Ouro, quem é o mestre de Shiryu, entre outros tantos elementos).
 
Talvez tenha faltado coragem para os realizadores se posicionarem em relação ao seu filme: mudá-lo totalmente ou ser totalmente fiel. Acabam não sendo nenhum dos dois. 
 
CAVALEIROS DO ZODÍACO: A LENDA DO SANTUÁRIO (Seinto Seiya: Legend of Sanctuary, Japão, 2014). Direção de Kei'chi Sato. Roteiro de Chihiro Suzuki e Tomohiro Suzuki, baseado no mangá de Masami Kurumada. Com as vozes na versão nacional de Letícia Quinto, Hermes Baroli, Élcio Sodré, Francisco Bretas, Ulisses Bezerra, Gilberto Baroli, Luiz Antônio Lobue.