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Grupo Sinos
Publicado em 04/02/2015 - 09h56
Última atualização em 04/02/2015 - 10h07

Polícia pede ajuda na luta contra o crime na região

Novo delegado regional, Rosalino Seara vai implantar urnas no Vale do Sinos para que a população ajude a Polícia com informações

Sílvio Milani - silvio.milani@gruposinos.com.br

Foto: Sílvio Milani/GES-Especial
A 3.ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana conta com 243 agentes e 21 delegados para atender 760 mil habitantes em 14 cidades do Vale do Sinos. O novo diretor, Rosalino Constante Seara, 60 anos, quer compensar o baixo efetivo e a estrutura precária de trabalho nas delegacias com a participação da sociedade. Uma ideia é colocar urnas em pontos estratégicos, como prefeituras, para que a população avalie o desempenho da Polícia e denuncie crimes. “Vem muita abobrinha, desaforo, mas vêm às vezes informações que levam a criminosos.” Com a integração, Rosalino também quer melhorar os serviços. “A Polícia tem que estar à disposição das pessoas.” Ainda não houve posse oficial, mas ele já ocupa o gabinete, em São Leopoldo, há três semanas. Veio de Parobé, onde estava há 11 anos, e também respondia por Rolante. Nos 34 anos de Polícia, atuou em várias especializadas, como o Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico, onde foi o primeiro delegado operacional, em 1996.
 


 
 
O que o senhor fez na regional nas três primeiras semanas?
Rosalino Constante Seara - Estamos formando equipes. Saíram alguns delegados, estão chegando outros. Quem sai leva alguns agentes e quem chega traz. Fizemos contatos com entidades. Vou visitar todas as cidades. Os prefeitos. É fundamental essa integração da Polícia Civil com a comunidade. Estou dividindo meu trabalho em seis eixos. Temos que ter um plano estratégico. Eleger prioridades.

Qual a importância da parceria com a comunidade?
Rosalino - Nós administramos miséria. A Polícia Civil tem poucos meios. Ainda mais nesse momento difícil do governo, com corte de verbas.A gente se aproxima da sociedade também para buscar informação.A minha maneira de trabalhar é porta aberta. Eu sou servidor público. Tenho que servir.A Polícia tem que estar à disposição das pessoas.

Quais as prioridades?
Rosalino - O primeiro eixo diz respeito a ambiente de trabalho e capacitação profissional. O policial tem que trabalhar num ambiente agradável, tranquilo, porque nós somos administradores de conflitos. Equilibrado para receber bem as pessoas, que querem e devem ser bem atendidas. A 4ª DP de Novo Hamburgo é um exemplo. Prédio antigo, insalubre. Aqui em São Leopoldo não dá para aceitar uma DPPA dessa maneira. Temos que fazer uma Central de Polícia nos moldes de Novo Hamburgo, Canoas, Montenegro. Temos essa área maravilhosa, que é do Estado. Lá em Parobé, quando eu cheguei, as pessoas eram recebidas num sala aberta com balcão alto. O cidadão olhava para cima como se estivesse voltado para um santo, contando seus problemas. Com a parceria da comunidade, construímos serviço de plantão em que a pessoa chega em uma antessala, onde aguarda atendimento em banco estofado, com televisor, ar-condicionado. O policial fica em outra sala, fechada, com vidro amplo, que permite enxergar quem chega, e recebe o cidadão em local também confortável. Apessoa vai poder expor seus problemas de forma privada. É o estado respeitando o cidadão.

E o segundo eixo?
Rosalino - Projeto piloto de equipes volantes nas 1as DPs de Novo Hamburgo e São Leopoldo. É para atendimento de local de crime, tentar prisão em flagrante.

Há policiais para isso?
Rosalino - Vamos buscar gente. Temos que esperar as novas turmas.

E o terceiro?
Rosalino - Informação. Um Sipac (Serviço de Inteligência Policial e Análise Criminal) forte. É um órgão que todas as regionais têm. Quero trabalhar com estatística. Fazer levantamento da criminalidade, que vai dizer as ocorrências de um lugar, com possíveis ligações em outra área, para que não fiquem pedaços de investigação em diferentes de delegacias. Poderemos interligar investigações. Buscar os lugares de maior incidência de crimes. Outra coisa é a caixa preta e branca.

O que são essas caixas?
Rosalino - São urnas com as cores da Polícia Civil que pretendemos colocar em locais estratégicos, como prefeituras, correios, delegacia. As pessoas depositam sugestões, críticas, como fiz em Parobé e Rolante. Temos o modelo do formulário, que vamos adaptar para a região. Ajude a Polícia a ajudar você. Vem muita abobrinha, desaforo, mas vêm às vezes informações que levam a criminosos.

O que é o quarto eixo?
Rosalino - Investimento em inteligência policial. Compra de aparelhos como drone, GPS, escuta ambiente, caneta que grava. São coisas que dão qualidade de prova, que condenam. Temos que ter a tecnologia a nosso favor.

E o quinto?
Rosalino - Estrutura física. Aquisição de terrenos e prédio para delegacias que não têm, onde o Estado gasta com aluguel. Organizar os espaços para melhor atendimento ao cidadão.

Vamos ao sexto.
Rosalino - Integração. Polícia Civil, Brigada Militar, Judiciário, Ministério Público, prefeituras, entidades. É troca de informação, ajuda. Estou trazendo uma lei que conseguimos em Parobé. É um projeto que a Diplanco (Divisão de Planejamento e Coordenação da Polícia Civil) gostou tanto que passou a valer para todo o Estado. A prefeitura paga estagiário para o governo, e nós contratamos pessoal de nível superior para a delegacia. São estagiários que podem suprir serviços burocáticos a fim de liberar o policial para a atividade fim, que é a investigação.

Como vê o relacionamento da Polícia Civil com a Brigada Militar?
Rosalino - Sempre trabalhei em sintonia com a Brigada. Porque um complementa o outro. Se não houver essa integração, parceria, quem ganha é o bandido. No interior um precisa mais do outro, por ser cidade pequena, a gente trabalha muito em sintonia. Mas em cidades muitos grandes, que têm contingente maior, há uma distância maior entre as duas instituições. Isso é burrice. A gente tem que se aproximar

O senhor vai buscar esse relacionamento?
Rosalino - Vou conversar com os comandantes. Tenho grandes amigos na Brigada. Bom relacionamento também com Ministério Público, Poder Judiciário, prefeituras, associações. Agente pode dizer: a quadrilha do bem contra a quadrilha do mal. Sempre digo que a quadrilha do bem tem que ganhar da quadrilha do mal.

O senhor conhece o Vale?
Rosalino - Razoavelmente. Moro em Novo Hamburgo. Tenho relação muito grande com o Vale. Quando era jogador profissional, na década de 70, fui vendido do Grêmio para o Novo Hamburgo. Depois, como policial, trabalhei em Novo Hamburgo, estudei na Unisinos, conheci minha atual esposa no Vale, comprei uma casa em Novo Hamburgo.

E como vê a criminalidade na região?
Rosalino - Grande. Preocupante. Temos bons policiais, competentes, que estão prendendo, mas não estamos vendo resultado. Vamos ter que trabalhar em cima do crime organizado. Temos que tirar o patrimônio dessa gente. O poder econômico. Porque o fulano mata a mando do tráfico, vamos lá e prendemos. Aí o tráfico põe outro matador. Nós prendemos. É um círculo vicioso. Temos que tirar tudo o que o traficante tem, porque aí não vai ter mais poder de contratar mais gente, corromper.

O que dá para falar de crime organizado no Vale?
Rosalino - Tráfico de drogas é o principal, mas é forte também o roubo de carga, de veículo com extorsão. Temos uma variedade. A grande maioria dos criminosos é daqui. Assaltante de banco, carro-forte. Nas grandes operações sempre tem gente do Vale do Sinos que é presa.

E a corrupção policial?
Rosalino - Isso é um câncer que temos na sociedade. Corruptos nós temos em todos os segmentos. Eu não tolero esse tipo de coisa. Vamos trabalhar com a corregedoria e, se for provado que o policial cometeu crime de corrupção, ele vai pra rua.

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