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Publicado em 06/02/2015 - 08h55
Última atualização em 06/02/2015 - 11h09

Saiba como e onde investir seu dinheiro em tempos difíceis

Além da poupança, conheça outras aplicações que garantem uma rentabilidade maior

Amilton Belmonte - amilton.belmonte@gruposinos.com.br

Foto: Reprodução/Jornal NH
Inflação, juros altos, impostos subindo, perspectiva de baixo crescimento econômico do País e o dinheiro muito mais ralo no bolso do trabalhador. Esta será a realidade de 2015, um ano em que evitar dívidas, poupar e planilhar custos precisará tornar-se um exercício permanente para quem deseja saúde financeira e noites sem insônia. Se o dinheiro estará mais curto, uma das perguntas básicas do cidadão é, justamente, onde aplicar melhor o fruto de sua labuta e buscar alguma rentabilidade. “O importante é que as pessoas diversifiquem os investimentos”, defende o vice- presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon) e especialista em finanças pessoais, economista Everton Lopes.
 
Ele diz que a provável disparada da inflação incidirá na rentabilidade de qual seja o investimento escolhido, por isso, tornando difícil prever ou indicar o melhor caminho. Professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), João Caldeira diverge e afirma que diversificar é “clichê”. “Para quem, por exemplo, tem renda de 2,5 salários mínimos e sobram 500 reais ao mês é preciso algo mais objetivo”, afirma, argumentando que tudo depende do padrão de renda do cidadão e das instituições financeiras. Contudo, numa coisa ambos concordam.
 
As Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) surgem como um excelente negócio. “Estão isentas do Imposto de Renda e com boa rentabilidade no médio e longo prazo”, garante Lopes.
 
Perfil do investidor
Para investir com segurança e buscar rentabilidade o trabalhador deve atentar para uma questão.“Primeiro o investidor deve saber qual é o seu perfil. E não importa o quanto tenha de recurso disponível, pois, por exemplo, pode ser um conservador”, ressalta Everton Lopes. Definido isso, diz que o próximo passo é saber quanto de dinheiro ele tem para investir e por quanto tempo terá essa disponibilidade.“Aqui vai uma recomendação pessoal: neste momento, com bolsa em baixa, se não tiver conhecimento sobre o assunto não invista em renda variável, mas na renda fixa”, assegura.

Poupança tem saque recorde
O Banco Central informou que os brasileiros retiraram R$ 8,594 bilhões a mais do que depositaram em caderneta de poupança em janeiro. Trata-se do pior resultado para um mês desde o início da série histórica do BC, em 1995. No mês passado, os saques na caderneta somaram R$ 144,9 bilhões, superando os depósitos, que ficaram em R$ 136,3 bilhões. O saldo nas contas dos poupadores ficou em R$ 657,7 bilhões. O volume dos rendimentos creditados nas cadernetas dos investidores alcançou R$ 3,578 bilhões. (Abr)

Comparar aplicações
Para as pessoas que não consultam especialistas financeiros e preferem buscar um banco na hora de escolher o melhor investimento, o economista Everton Lopes lembra que os profissionais dessas instituições, mesmo gabaritados, sempre visarão o próprio banco. “Olhando pelo lado do investidor, ele precisa verificar qual a recomendação do gerente, se fica no CDB pré e pós-fixado e tal. Mas precisa saber qual é a rentabilidade líquida em percentual e comparar com CDI e com a poupança, se é um conservador, por exemplo”, orienta.

Cautelas no ano
- O aumento nos preços do combustível e das tarifas de energia irá gerar um repasse sobre outros produtos.
- Adicionando-se a perspectiva de baixo crescimento econômico, haverá dificuldades também nos reajustes salariais.
- Com o aumento da taxa de juros, caso necessite contratar algum empréstimo para quitar outras obrigações, o consumidor irá enfrentar também um custo mais alto na tomada de crédito, especialmente se utilizar os meios mais simples de endividamento, como cheque-especial e cartão de crédito.
- O cheque especial e o cartão de crédito são reconhecidos por cobrarem as maiores taxas de juros dentre as alternativas disponíveis, e, com a elevação da taxa Selic em 12,25%, tornaram-se ainda mais caros.
- O ano exige cautela na administração dos gastos, sendo que, mais do que nunca, o planejamento é o melhor caminho para não se endividar e manter a mesma qualidade de vida anterior.
Fonte: Economista Bruno Paim, pesquisador do Núcleo de Estudos de Política Econômica da Fundação de Economia e Estatística (FEE), do RS

Tesouro direto
Outras possibilidades de investimento no atual cenário econômico são os Fundos de Renda Fixa pós-fixados. “O pré não é recomendado, mas o pós tem a vantagem da boa rentabilidade no médio e longo prazo, dependendo do que está pagando do CDI. No curto prazo, a rentabilidade é mínima”, observa Everton Lopes. Investir em títulos do chamado tesouro Direto também é boa opção quando no pós-fixado, atrelado à taxa Selic. “A vantagem é ser credor do governo federal com as taxas de juros altas”, ressalta o economista.

Hábitos
Na visão do professor João Caldeira, aplicar em Fundos de Renda Fixa ou Imobiliários pede um pouco mais de análise e de cultura financeira. “E não são alternativas tão boas em função das taxas de administração, que podem penalizar mais o investidor”, pondera. Comenta, ainda, que nesse tipo de papel a garantia de uma maior rentabilidade nem sempre é dada pelas instituições financeiras. Everton Lopes pontua que, se a pessoa tem algum tipo de dívida, que pague suas contas, não invista.

Poupança
Para o trabalhador que recebe em torno de R$ 2,5 mil, João Caldeira destaca que a poupança não é de todo um mau negócio.“Vai render um pouquinho mais que a inflação, não está lá tão desgastada”, argumenta. Assinala que importante é o investidor não pensar em um horizonte curto.“tem que pensar entre seis meses e um ano e em quando e como usar esse dinheiro”, ressalta. Quanto ao cenário de compra e venda de imóveis, diz que a impressão é que teremos um ano de desaquecimento no mercado imobiliário.

Dólar e ouro
Diversificar o investimento em dólar ou mesmo em ouro é outra das possibilidades. Porém, requer cuidados.“Não adianta comprar o dólar a R$ 2,74 achando que vai a R$ 3 ou R$ 4 nos próximos dias. Pode ser uma armadilha”, sinaliza Everton Lopes. Ele pondera que em tempos de crise e de bolsa de valores em baixa, dólar e ouro estarão por cima, mas é preciso olhar além.“Se o ajuste fiscal der certo, se isso resolver lá na frente o nosso problema, vai dar queda, pois tanto dólar quanto o ouro poderão perder rentabilidade”, alerta.

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