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Grupo Sinos
Publicado em 16/07/2015 - 10h57
Última atualização em 16/07/2015 - 12h24

Após lutar contra câncer, Scheffel morre aos 87 anos

Artista plástico será velado na Fundação Scheffel em horário ainda não definido

Eduardo Andrejew - eduardo.andrejew@gruposinos.com.br

Ernesto Frederico Scheffel morre aos 87 anos de câncer no duodeno
Foto: Arquivo/GES

Morreu hoje (16), aos 87 anos, Ernesto Frederico Scheffel, um dos mais importantes e produtivos artistas plásticos gaúchos. Ele lutava desde janeiro contra um câncer no duodeno. O velório será na Fundação que leva o nome do artista, sem horário definido. Scheffel será cremado atendendo a um pedido do próprio artista. Ele deixa um belo legado para as artes. Um exemplo disso é a Fundação Scheffel, em Hamburgo Velho, Novo Hamburgo, que abriga um acervo de mais de 380 obras suas.

O que Scheffel passa para a posteridade, é claro, vai muito além disso. Está presente na maneira pessoal com que ele aprendeu a perceber o mundo à sua volta e a reinterpretá-lo em pintura, desenhos, escultura e música. Mas é, de fato, como artista plástico como mais ficou conhecido. Seu trabalho sempre manteve pé firme nos padrões considerados clássicos. Porém, ele nunca virou as costas para as transformações estéticas do século 20. Na verdade, incorporou-as sem nunca deturpar suas convicções.

O resultado de sua busca pessoal tem ecos não só aqui no Brasil, mas na Europa. Produziu, entre 1964 e 1970, uma série de oito obras públicas em Florença, cidade de importância incontornável na história da arte mundial. Aliás, naquela cidade italiana também trabalhou em sintonia com a juventude estudantil dos anos 70, agregando novas nuances à sua arte. Sua relação com a Itália era tão forte, que a partir de 1996 passou a viver em uma região em Toscana. Nem por isso abandonou os vínculos com as cidades do Vale do Sinos e teve um papel importante na preservação de prédios históricos de Hamburgo Velho.

Há um ano e meio, ofereceu à comunidade sua própria trajetória documentada na autobiografia Scheffel por ele mesmo. Lançado em novembro de 2013, o livro é um produto diferenciado. Na definição do curador Angelo Reinheimer, "um catálogo autobiográfico", no qual se pode acompanhar a trajetória do artista. A criação desta obra diz muito sobre o temperamento dele. Mais de 2 mil páginas escritas à mão e em bela caligrafia serviram de base para as 386 páginas do livro, com fartura de imagens e textos. A concepção da autobiografia revela o rigor e o cuidado que cultivou em tudo que fez. É um testemunho final da sua determinação enquanto criador. Pensando bem, ao partir, Scheffel não deixa apenas de habitar e produzir em duas moradas. Um vazio maior se abriu no mundo das artes.

Ernesto Frederico Scheffel nasce em Campo Bom, em 8 de outubro de 1927. Na década de 30, sua família se muda para Hamburgo Velho, em Novo Hamburgo. Em 1940, na Escola Evangélica, o garoto Scheffel pinta a casa do prefeito Odon Cavalcanti (reprodução) sob orientação do professor Ernst Bernhoeft

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