Jornais
FECHAR
  • Jornal VS
  • Diário de Canoas
  • Jornal de Gramado
  • Diário de Cachoeirinha
  • Correio de Gravataí
Grupo Sinos
Publicado em 21/10/2015 - 11h33     Última atualização em 21/10/2015 - 17h21

Relembre o primeiro título gaúcho na elite do vôlei com a Frangosul

Equipe vencedora era formada por nomes como Carlão, Gilson, Roese, André Heller, Poletto e Marcelo Fronckowiak

 
A profissionalização do vôlei gaúcho Image Map
 
reportagem GUSTAVO HENEMANN
edição web e de vídeo RAQUEL RECKZIEGEL
 
imagens
DIVULGAÇÃO
ARQUIVO/GES
 
Desde terça-feira até sábado, a série Vôlei gaúcho em 5 sets mostra a trajetória do vôlei no Rio Grande do Sul
e as grandes equipes que contribuíram e ainda contribuem para fazer do Estado um verdadeiro celeiro
de bons atletas e casa de times e personagens que fizeram história.
 
 Recepção no retorno à cidade depois do título foi emocionante
A equipe da Frangosul no retorno à cidade depois de levar o título da Superliga na temporada 1994/1995
 
 A espera para conquistar o Brasil perdurou por cerca de dez anos desde a primeira investida da Frangosul no vôlei. A marca que buscava consolidação, teve um retorno ainda maior quando se uniu à Sociedade Ginástica Novo Hamburgo (SGNH) em 1992. Mas foi na temporada de 94/95 que a Frangosul atingiu o seu ápice. Banco do Brasil e CBV decidiram repatriar os titulares da seleção brasileira campeã olímpica em 92, em Barcelona: Carlão, Tande, Maurício, Giovane e Marcelo Negrão, que estavam atuando fora do País, mais Paulão, que já atuava no Brasil. E talvez por predestinação, quem sabe, Carlão veio para Novo Hamburgo, para sorte da Frangosul/Ginástica e azar dos adversários, que viram o Estado conquistar seu primeiro título na elite do vôlei.

“Penamos para montar Novo Hamburgo. Quando, em 92, eles colocaram o dinheiro aqui, trouxemos o Paulão e começamos a nos mostrar. Depois que ganhamos confiabilidade e estrutura de trabalho, a coisa mais fácil foi trazer o Carlão. Eu fui contratá-lo em Parma, na Itália, após pedido do Flávio Walauer, (ex-presidente) da Frangosul. Montamos um time na base, e o levantador que foi Paulo Roese. Tivemos uma qualificação com o Gilson, o ‘Mão de Pilão’, que estourou aquela vez”, destaca ex-técnico Jorginho Schmidt.

Além do tripé, com Carlão, Gilson e Roese, a equipe que há 20 anos conquistou a primeira Superliga contou com André Heller, Marcelo Wallauer, Miguel, Bagatini, Celso, Bráulio, Paulinho, Alexandre, Poletto e Marcelo Fronckowiak. Na comissão técnica, Jorginho teve como auxiliar Marcos Pacheco, Paulo Tremea era o preparador físico, José Becker, o assistente técnico, Paulo Escanhuela, o massagista, e João Fernando Hartz era o diretor de vôlei. Um grande e excelente grupo de trabalho.

“Até hoje é difícil de acreditar. Como um time do interior, que não tinha o principal investimento, tinha excelentes jogadores? Na verdade, o time encaixou. Fora as coisas pessoais da gente, que é nascimento do filho, o casamento, eu acho que não passei emoção tão forte na minha vida”, afirma Hartz, presidente da Associação Mão de Pilão, mantenedora da Voleisul/Paquetá Esportes. 
  
 
Dia de jogo era um espetáculo

O vôlei gaúcho e brasileiro vivia um grande momento no início dos anos 90. Com a conquista do ouro Olímpico em Barcelona, a modalidade estava em ampla ascensão. E Novo Hamburgo ficou ainda mais interessada por esse esporte quando a Frangosul/Ginástica começou a escrever sua história. O ex-auxiliar de Jorginho Schmidt e hoje técnico do Sesi-SP, Marcos Pacheco, lembra que os jogos eram um grande evento na cidade. “A comunidade do Vale do Sinos vivia isso. As pessoas vinham de Tramandaí e Imbé para ver o jogo”, comenta Pacheco.

Para Hartz, o time encaixou com a comunidade. “Isso foi o grande diferencial. Tinha vibração na energia do Roese, energia na força e vitalidade do Gilson e na garra do Carlão, e isso enchia o ginásio. Provocava um sentimento que na quadra se multiplicava”, destaca o ex-diretor da Frangosul. “Nossa equipe não era a mais forte, nem favorita. Mas o Carlão trouxe um coisa que nós já tinhamos aqui que é a raça. Era um cara que não tinha mais ou menos. Não sabia perder nem par ou ímpar. Juntou com a gente que é parecido. Eu sempre falo que não é o melhor time que ganha, pode montar um time só de fera, mas é o grupo, e ele caiu que nem uma luva e fechamos um grupo maravilhoso. Jogamos 16 partidas em casa e não perdemos nenhuma naquele ano. Aqui dentro era muito difícil vencer a Frangosul”, recorda com emoção o ex-levantador Paulo Roese.
 
 
Torcida fazia da Ginástica um caldeirão

A Frangosul/Ginástica contou durante toda a campanha na Superliga com um jogador a mais, a torcida. Em todas as partidas, o ginásio da SGNH se transformava num caldeirão, o que refletia no espírito dos atletas que não perderam um jogo em casa naquela temporada.
 

Imagens

  • Roese, ex-levantador da Frangosul, na época em que jogava pela Ginástica - Arquivo/GES

  • Torcida transformava a Sociedade Ginástica em um caldeirão - Arquivo/GES

  • Jorginho Schmidt, ex-técnico da Frangosul/Ginástica - Arquivo/GES

  • Partida contra o Palmeiras lotou a Sociedade Ginástica - Arquivo/GES

  • Frangosul/Ginástica se destacou como um dos principais times de vôlei do Estado e do País - Arquivo/GES

 
 
Emoção de arrepiar
 
O ex-levantador titular da Frangosul, Paulo Roese, recorda como se fosse hoje o título conquistado e a chegada ao Estado. “Quando a gente chegou do Aeroporto Salgado Filho, não tinha caído a minha ficha ainda. Eu fui o único cara que não vibrei depois do jogo. Quando vi aquela quantidade de gente, a carreata de Porto Alegre até Novo Hamburgo. Eu chego a ficar emocionado. Quando passamos pela Avenida Sete de Setembro, meu avô que tinha oitenta e poucos anos estava esperando a gente. De bengalinha, fraquinho, eu olhei pro velho e pensei o que que a gente fez, cara. Isso não tem preço”, destaca.
 
 
A superação de Carlão
 
Apesar de nascido no Acre, Carlão se identificou muito com os gaúchos
Apesar de nascido no Acre, Carlão se identificou muito com os gaúchos

A identificação de Carlão com os gaúchos, mesmo nascido no Acre, foi essencial. Jogar na base da superação foi outra virtude do ponta na grande final contra o Nossa Caixa/Suzano. Depois de vencer dois jogos, o terceiro daria o título ao Rio Grande do Sul. E Carlão atuou com o pé fraturado.
 
“Foi na terceira partida. Eu cai em cima do pé do Marcelinho e quebrei o meu, mas não sabia que estava quebrado, achei que tinha torcido. Dei uma saída rápida, enfaixei, tomei uma injeção para dor, e acabei jogando o jogo inteiro. Quando chegamos a Novo Hamburgo foi a maior festa. Só fui fazer uma radiografia no outro dia”, afirma Carlão.
 
Um campeão olímpico surgiu na Ginástica

André Heller, na época da Frangosul
André Heller foi medalha de ouro na Olimpíada de Atenas, em 2004, e prata em Pequim, 2008
 
Quando a Frangosul/Ginástica se tornou campeã da Superliga, um futuro ídolo surgia nas quadras hamburguenses, André Heller. “A cidade se envolvia demais com a equipe e o ginásio estava sempre lotado. Os jogadores daquela época se tornaram ídolos. Apesar de fazer parte da equipe, eu era um fã também”, lembra o ex-atleta hamburguense.
 
Medalha de ouro na Olimpíada de Atenas, em 2004, e prata em Pequim 2008, Heller hoje é diretor técnico do Vôlei Brasil Kirin (SP). “Eu afirmo que o processo que eu passei para conquistar a medalha de ouro começou com a Frangosul, porque a referência desses jogadores foi muito forte”, ressalta Heller.
 
Capa histórica do Jornal NH de 10 de abril de 1995
Capa histórica do Jornal NH de 10 de abril de 1995
 
 
Capa histórica do Jornal NH
Na segunda-feira, dia 10 de abril de 1995, o Jornal NH estampou em toda sua capa o título da Superliga conquistado pela Frangosul/Ginástica após ter vencido a equipe de Nossa Caixa/Suzano nos três primeiros jogos das finais, sendo dois deles na casa do adversário.
 
 
A energia de Gilson, o Mão de Pilão

Atual treinador do Suntory Sunbirds do Japão e diretor técnico da Voleisul/Paquetá Esportes, Gilson Bernado, o Gilsão ‘Mão de Pilão’, apesar de ser mineiro, se considera um gaúcho de coração. Ele recorda com emoção dos jogos épicos na Ginástica. “Conseguimos montar um time muito competitivo. Jogar em casa com aquela energia era maravilhoso. Jogos memoráveis contra Palmeiras, a gente perdendo de 12 a 1 na semifinal e conseguimos reverter. Jogos que cativaram a torcida, jogos de superação. Eles sabiam que ninguém ia entrar de corpo mole. Você saia nas ruas e era cumprimentado”, conta Gilson.

“Aqui em Novo Hamburgo quando a gente teve o Carlão e o Roese, automaticamente a referência deles chamou o Gilson para dentro da equipe. Mas a equipe toda sabia fazer aquilo que se propunha”, pontua Jorginho Schmidt.

 
SGNH lotada contra o Palmeiras

Uma das recordações do atual técnico do Sesi-SP, Marcos Pacheco, não é só a grande semifinal de Superliga feita contra o Palmeiras, mas sim o total de público presente no ginásio. “Até hoje me lembro, 5.056 pessoas, dois dias antes não tinha mais ingressos. Na final contra Suzano, 4.600 pessoas”, observa.
 
 
O final de um projeto vencedor
 
No miolo do Jornal NH de 14 de abril de 1995, uma homenagem aos campeões
O time da Frangosul/Ginástica, campeão da Superliga da temporada 1994/1995

Apesar de um terceiro lugar na Superliga 1995/1996, a Frangosul decidiu não patrocinar mais a equipe de vôlei. O que foi o fim de um projeto que atingiu o ápice. “No ano seguinte ao título, a equipe chegou até a semifinal. Mas o marcante foi a troca de Gilson para o Suzano e Max para a Frangosul. Mas Max e Carlão, contratados em abril, se apresentaram em novembro, pois estavam na seleção brasileira, isso foi muito desgastante”, lembra Pacheco.

Paulo Roese completa com outras questões que envolveram o fim do time. “Tive na época um pequeno atrito com o Jorginho quando teve a saída dele para Canoas e ali teve uma quebra de confiança mútua. A Frangosul disse que sozinha também não bancaria. E eu tive uma lesão no joelho”, observa Roese. Mesmo com o fim do projeto, a Frangosul/Ginástica entrou para história do vôlei para não ser esquecida.
 
 
Campanha da Frangosul/Ginástica
30 jogos - 27 vitórias - 3 derrotas

Como foi a final
03/04/95 - Suzano - Nossa Caixa/Suzano 1 x 3 Frangosul/Ginástica
05/04/95 - NH - Frangosul/Ginástica 3 x 2 Report/Suzano
08/04/95 - Suzano - Report/Suzano 0 x 3 Frangosul/Ginástica

*Equipe de Suzano trocou de patrocinador em meio às finais.
 

Publicidade