Compartilhar...

VOLTAR
FECHAR

Rua Jornal NH, 99 - Bairro Ideal - Novo Hamburgo/RS - CEP: 93334-350
Fones: (51) 3065.4000 (51) 3594.0444 - Fax: (51) 3594.0448

PUBLICIDADE
Barbárie em Canudos

Homem encontrado em porta-malas pode ter sido queimado vivo, diz delegado

Veículo é do padrasto acusado de estuprar e matar bebê de quatro meses; identificação do corpo deve levar um mês
Foto: Juliano Palinha/GES-Especial
Identificação do corpo encontrado em carro queimado deve levar um mês
O homem encontrado morto no porta-malas de um carro incendiado, em Sapucaia do Sul, no começo da tarde deste sábado (30), pode ter sido queimado vivo, diz o delegado de Homicídios de Novo Hamburgo, Enizaldo Plentz.
O veículo é o Palio do suspeito de estuprar e matar uma menina de quatro meses na sexta-feira - o próprio padrasto dela, que tem prisão preventiva decretada pela Justiça. O corpo, completamente carbonizado, ainda não foi identificado. “É muito provável que seja o cadáver dele, com a possibilidade de ter sido queimado vivo, pois há um arame envolto na traseira para evitar a saída. A principal linha de investigação é que alguém resolveu se vingar, tentando fazer justiça com as próprias mãos”, afirmou Plentz. Ele observa que a identificação do cadáver só será possível por DNA, e deve demorar aproximadamente 30 dias.

A caçada ao padrasto, um pedreiro de 34 anos, começou no fim da manhã de sexta, quando ele deixou a companheira com o bebê no posto de saúde da Vila Iguaçu, em Canudos, e sumiu em um Palio branco. “A gente não imaginava encontrar o carro dele dessa maneira. Quem fez isso estava com muita raiva”, observa o delegado. O corpo ficou irreconhecível. Um fêmur indica que seja de homem. Há dois buracos no crânio que, conforme Plentz, podem ser oriundos de tiros, traumas ou resultado da própria queima.
O carro foi incendiado em uma trilha de difícil acesso ao Rio dos Sinos, usada por pescadores, no bairro Passo do Carioca, atrás do Zoológico. “Isso foi feito por quem conhece a área. É uma pista”, avalia Plentz. Segundo ele, ainda é cedo para falar em suspeitos. Há casas nas proximidades, mas os moradores afirmam que não viram o fogo e não escutaram barulho suspeito. Pela situação do veículo e do corpo, a queima teria ocorrido no fim da noite de sexta.
"Um crime não justifica outro"
Para o psiquiatra José Tadeu de Toledo, é natural que a sociedade reaja com revolta a uma atrocidade como a praticada contra um bebê, mas ele salienta que a punição não deve ser exercida na forma da lei do talião, expressa na vingança. “Um crime não justifica outro. Não podemos chegar a uma situação paradoxal de que o homem era tão bom que matou todos os maus.”
Ele observa que mesmo a pena de morte, nas sociedades civilizadas, é executada sem crueldade. “Apesar de haver discordância em um ponto ou outro, uma sociedade é regida e organizada por leis.” Segundo Toledo, é difícil avaliar a possível vingança. “Mas, se nos colocarmos na situação, um sentimento intenso pode levar a isso. Mesmo que tenha sido cometido sob forte emoção, não podemos concordar. Senão o mundo estaria repleto de cadáveres, por tanta injustiça que se comete”.
Família com histórico conturbado
- A industriária, mãe da menina, e o pedreiro estavam juntos há cerca de um ano.
- A mulher vinha de relacionamentos conturbados. “O pai biológico do meu bebê (menina morta) me agrediu quando eu estava grávida. Ele já tem muitos filhos e não queria assumi-la”, relatou ela ao Jornal NH, na sexta-feira.
- Conforme vizinhos e parentes, ela é trabalhadora. É funcionária de uma fábrica de calçados. 
- O pedreiro é separado e tem dois filhos. Ele não estava trabalhando. Passava a maior parte do dia em casa e seria usuário de drogas. 
- O casal morava há dois meses em um chalé alugado no bairro Canudos com os dois filhos da industriária – a menina de quatro meses e um garoto de 11 anos. Uma irmã e o cunhado, que ocupavam um quarto da residência, dividiam o aluguel de um salário mínimo.
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Capa do dia

FOLHEIE O SEU JORNAL PREFERIDO NA TELA DO SEU COMPUTADOR.

ACESSE ASSINE AGORA
51 3600.3636
CENTRAL DO ASSINANTE

51 3591.2020
CENTRAL DE VENDAS DE ASSINATURAS