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Carbono 14

Lava Jato encontra possível ligação entre Mensalão e Petrolão

Operação desta sexta-feira iniciou com depoimento antigo de Marcos Valério, operador do Mensalão
A 27ª fase da Lava Jato foi deflagrada nesta sexta-feira (1) e chegou a um ponto de intersecção entre o Mensalão e o Petrolão. Sem revelar qual é o ponto de encontro entre os dois esquemas de corrupção, a força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) afirmou que operação de hoje teve início com um depoimento de Marcos Valério, considerado o operador do Mensalão, e que os fatos investigados culminaram na operação de hoje começaram em 2004.

"Esse esquema relatado nesta sexta ocorria concomitantemente ao Mensalão, revelado em 2005. Por isso, alguns 'personagens' são os mesmos, como o Marcos Valério e o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares", afirmou procurador Diogo Castor de Mattos.
Valério, que foi condenado a 40 anos de prisão, disse, em 2012, que o Partido dos Trabalhadores (PT) teria pedido um empréstimo de R$ 6 milhões para destinar ao empresário Ronan Maria Pinto, preso temporariamente neste sexta-feira. Segundo Valério, o empresário estaria chantageando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o então secretário da Presidência Gilberto Carvalho e o ex-ministro José Dirceu. Ronan teria informações comprometedoras a revelar sobre a morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, assassinado a tiros em 2002.

A força-tarefa, no entanto, não vinculou o montante à morte do petista. A grande pergunta desta fase é por que Ronan Maria recebeu dinheiro de um empréstimo que foi de R$ 12 milhões no total. O dinheiro foi concedido pelo Banco Schahin ao pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e já preso durante a Lava Jato. Os procuradores também afirmaram que houve ilegalidade no empréstimo, já que o valor foi pago por meio da contratação fraudulenta da Schahin como operadora do navio-sonda Vitória 10.000, pela Petrobras, em 2009, ao custo de US$ 1,6 bilhão. 
Bumlai admitiu ter feito o empréstimo, que totalizou R$ 12 milhões, e disse que o objetivo era pagar dívidas de campanha do PT e "caixa 2". Investigadores ainda não confirmaram quem foi o destinatário final dos outros R$ 6 milhões.
O empréstimo 
Segundo o procurador Diogo Castor de Mattos, a investigação quer saber por que o empresário Ronan Maria Pinto, de Santo André (SP) recebeu parte do empréstimo de R$ 12 milhões. “Ele era o destinatário final. A investigação concluiu até o presente momento que metade desses R$ 12 milhões, ou seja, R$ 6 milhões, um pouco menos, R$ 5,7 milhões, R$ 300 mil foram comissões para pessoas que participaram da operacionalização dos valores, teve o senhor Ronan Maria Pinto como destinatário final. A razão pela qual ele recebeu esses valores é a grande pergunta que a investigação pretende responder. Até o final da investigação pretendemos, Polícia Federal e Ministério Público Federal, descobrir a razão pela qual ele recebeu esses valores”, disse o procurador. 
Mattos também revelou que o dinheiro recebido por Ronan Maria foi usado para comprar o Diário do Grande ABC, local onde a PF cumpriu mandados de buscas nesta manhãO empresário teria 20% das cotas do jornal e teria comprado 40%, se tornando acionista majoritário. “Uma parte dos valores foi, sim, usada para comprar o periódico”, afirmou.
Sílvio Pereira
Sílvio Pereira era próximo ao ministro José Dirceu, também preso na Lava Jato. Segundo o procurador, há suspeitas de que ele tenha sido beneficiado com dinheiro de corrupção da Petrobras. Depois do escândalo do Mensalão, ele teria recebido um "cala boca" para sair de cena e se manter calado. Marcos Valério disse que foi Sílvio Pereira quem arquitetou o empréstimo para fazer o repasse do dinheiro a Ronan Maria Pinto. "Foi Silvio Pereira quem acionou Marcos Valério para obter o dinheiro" explicou Mattos.
Breno Altman, levado coercitivamente a depor nesta manhã, segundo a investigação, também foi citado por Marcos Valério. Ele teria providenciado pagamentos de multas a Enivaldo Quadrado, subordinado do doleiro Alberto Youssef flagrado no mensalão em irregularidades na corretora Bônus Banval. "Os personagens se repetem. O pagamento a Enivaldo Quadrado foi feito pelo Altman até 2013, 2014. Enivaldo Quadrado confirmou que foi o PT quem pagou parte da multa a que ele foi condenado no Mensalão."

A senha de José Dirceu 
Em depoimento, o dono do Banco Schahin, Salim Schahin, afirmou que recebeu uma ligação de José Dirceu, quando ele ainda era ministro-chefe da Casa Civil, para falar "banalidades". De acordo com o MPF, o próprio banqueiro disse não existir razão para a ligação. Para o MPF, a ligação é uma confirmação de que o governo estava de acordo com os termos do empréstimo. Em depoimento anterior, Delúbio Soares, que foi levado para depor coercitivamente nesta sexta, afirmou ter dito para Schahin que ele receberia uma telefonema confirmando a operação. No entanto, o ex-tesoureiro do PT não teria dito quem faria a ligação.
Mesada
O lobista Fernando Antonio Guimarães Hourneaux de Moura afirmou, em janeiro, em depoimento à Lava Jato, ter sido informado que Silvio Pereira recebia R$ 50 mil "em dinheiro vivo" como "um cala-boca", ou seja, um dinheiro que garantiria seu silêncio a respeito de irregularidades, de duas empreiteiras sob investigação, a OAS e a UTC Engenharia. Segundo o procurador Diogo Castor de Mattos, os pagamentos não têm "causa legítima" e que isso se configura uma "espécie de mesada" aos partidos que faziam parte do esquema de corrupção. 
Carbono 14
A 27ª fase da Lava Jato, batizada de Carbono 14 em referência à técnica usada por arqueólogos para determinar a idade de objetos muito antigos, levou coercitivamente para depor o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o jornalista Bruno Altman, do site Brasil 247 e ligado ao ex-ministro José Dirceu.
Os primeiros documentos envolvendo Ronan Maria Pinto foram apreendidos no escritório da contadora do doleiro Alberto Youssef. Eram contratos de mútuo (empréstimo entre empresas) da S2, do publicitário Marcos Valério, com a Remar Assessoria, do Rio de Janeiro. Em seguida, num segundo contrato do tipo, a Remar repassou o dinheiro para a Expresso Santo André, de Ronan.
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