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Intolerância e discriminação: reflexos do medo despertado pelas diferenças


reportagem | GABRIELA DA SILVA e KELLY BETINA
Se há algo que deveria ser, mas não é nada simples na existência humana é a arte de conviver em meio às diferenças. A origem da palavra tolerância deriva do latim tolerare e tem o sentido de suportar, aceitar o que não se quer ou o que não se pode impedir. Intolerância, portanto, é não aceitar aquilo que destoa do que se deseja, explica a psicóloga-psicanalista Simone Engbrecht, diretora administrativa da Sigmund Freud Associação Psicanalítica. “A intolerância tem a sua origem naquela sensação de ameaça que o outro representa para mim. Isso é construído culturalmente e tem crescido ao invés de diminuir. É sintoma da insegurança que as pessoas têm cotidianamente", acrescenta o professor Alfredo Culleton, doutor em filosofia e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Entender o que motiva a intolerância e como ela aparece na sociedade é a intenção desta série de reportagens que começa hoje. A partir deste domingo, serão quatro capítulos, cada um com histórias diversas, que tratam da difícil arte de, mais do que conviver, colocar-se no lugar e tentar compreender o outro. Nesta primeira parte, abordamos a LGBTfobia e a intolerância religiosa.
Origem na insegurança
Uma pedrada interrompeu o caminho do professor Julio Haag, 29 anos, quando seguia de volta do trabalho para casa, em Sapiranga. “Um homem simplesmente atirou uma pedra em mim porque achou que eu estava olhando para ele com interesse. Me acertou na perna, sangrou, mas fiz de conta que nada aconteceu ”, recorda. Isto foi em 2012. Desde lá, o Disque 100, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, vinculada ao Ministério da Justiça, recebeu mais de 7,7 mil denúncias de violação de direitos e agressão contra o público LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), a maioria envolvendo discriminação, violência psicológica e física. Apenas em 2015, foram 1.983 denúncias.
A agressão contra Julio deixou cicatrizes. O machucado, porém, doeu menos do que o preconceito que sempre sofreu por sua orientação sexual. Ao tentar participar de uma igreja, ouviu de outros membros que “era muito bom estar ali porque mostrava que não era gay”. “Chorei muito. Fiquei muito mal por ouvir isso”, lembra. Tempos depois, quando cogitou a ideia de concorrer a vereador, teve de lidar com uma enxurrada de mensagens ofensivas em seu perfil em uma rede social na Internet. Desistiu da eleição. “A agressão psicológica existe diariamente, o deboche, piadinhas, quando passo na rua ficam olhando”, conta.
O professor da Unisinos Alfredo Culleton, doutor em filosofia, identifica a origem da chamada “LGBTfobia” na insegurança de quem agride. “Eu não estou tão seguro daquilo que sou e tenho. E se não estou seguro disso, o outro representa uma ameaça”, observa. Tão “ameaçadora” é a relação entre pessoas do mesmo sexo que já foi considerada crime e doença, e por alguns ainda é vista como pecado.
Segundo o professor de Antropologia Social da Faculdade IENH, Luis Alexandre Cerveira, a aversão e o ódio pela orientação sexual de outra pessoa são, na verdade, uma reação a uma falta de clareza sobre si. “Nunca é sobre o outro, é sempre sobre a gente mesmo. O ser diferente afeta e desestabiliza”, pontua. Embora evite frequentar alguns locais para evitar situações incômodas, já faz tempo que Julio deixou de ter medo por ser quem é. “Eu estou na luta. Se nós não tivermos essa bandeira, os outros não vão ter”, exclama.
Intolerância que mata
No último dia 12 de junho, a música na boate Pulse, em Orlando, na Flórida, foi abafada pelos tiros disparados pelo norte-americano Omar Mateen. O ambiente de festa se transformou no pior massacre a tiros da história dos Estados Unidos e no atentado terrorista em solo americano com o maior número de vítimas desde o 11 de Setembro: 49 pessoas morreram, além do atirador. Os nomes das vítimas somam-se à lista de mais de 2,1 mil mortes ligadas à LGBTfobia no mundo todo desde janeiro de 2008, conforme levantamento do projeto Transrespect versus Transphobia Worldwide (TvT). No Brasil, houve 845 assassinatos envolvendo LGBTfobia neste período, o que coloca o País no topo do trágico ranking.
E os números podem ser ainda maiores, já que não há leis específicas para crimes de homofobia. “Hoje as formas de violência contra a população LGBT vão se enquadrar dentro do que a legislação penal traz para qualquer pessoa, no sentido de que pode se enquadrar em crimes como lesão corporal, como a própria injúria, como uma tentativa de homicídio. Não há uma delimitação na lei que atinja especificamente essa população”, esclarece a defensora pública Mariana Py Muniz Cappellari, coordenadora do Centro de Referência em Direitos Humanos (CRDH), unidade da Defensoria Pública do Rio Grande do Sul.
A lacuna na lei dificulta a quantificação de dados que poderiam ser apresentados ao poder público para exigir maior atenção a esta parte da população. “Impede a formação de políticas e a visibilidade disso, não consigo trazer visibilidade à violência contra aquele determinado grupo, mas não que vá impedir de procurar os meios legais”, comenta.
Homofobia

Respeito pela diversidade


Há 15 anos, a organização não-governamental (ONG) Somos trabalha para promover uma cultura de respeito à diversidade através da educação e afirmação de direitos. Com frequência, o grupo recebe relatos de jovens que são agredidos pela expressão de sua sexualidade e de tantos outros que sofrem com o preconceito velado, que fere e exclui. “A violência acaba com os sonhos e as experiências de muita gente”, aponta Sandro Ka, um dos diretores da Somos. Ele defende que a mudança deste cenário está em fazer da diversidade sexual assunto do dia a dia, para ser tratado abertamente, e sugere a escola como um dos pontos de partida. “É o lugar das nossas primeiras experiências com o todo social. É nesse lugar, sim, que também a gente tem que falar sobre diversidade sexual, sobre outras maneiras de ver e se relacionar com o mundo”, opina. Para Sandro, não se trata de tolerar o diferente, mas de ter entendimento e respeito pela singularidade do outro e seus modos de se relacionar com a vida. “A diversidade sexual não cria inimigos, ela faz parte da vida também. É só mais um espectro de como cada pessoa se relaciona com o mundo e vê o mundo também. Não existem 'nós' e 'eles', os héteros e os LGBTs. Tudo isso faz parte da expressão da sexualidade humana”.
Pensamento dominante
Historicamente, a partir do fim do Império Romano, a estrutura judaico-cristã se estabeleceu como dominante mundial, e é deste sistema que surge a ideia de homossexualidade. O professor Cerveira explica que não existia um termo para definir a relação entre pessoas do mesmo sexo na história greco-romana, entre os vikings, celtas e até mesmo em tribos indígenas. “Eram pessoas simplesmente sexuais e se criou a ideia de homossexualidade para estabelecer a superioridade do homem hétero. Não é uma normalidade ser heterossexual, mas vamos estabelecendo cercas e nos 'protegendo' do que estaria fora da normalidade”, destaca. Segundo Cerveira, as sociedades foram assim estabelecendo um discordante para que houvesse um padrão de “normal”, correto e desejado.

Intolerância atinge a todos


A intolerância religiosa no Brasil não é fenômeno novo e já vem desde o início da colonização portuguesa. Indígenas foram proibidos de expressar suas crenças e fazer rituais, enquanto os não-católicos (protestantes, judeus e outras confissões) não tinham cidadania plena. Somente com o advento do Estado Laico e da separação Igreja-Estado, no final do século XIX, é que teve início uma maior tolerância religiosa no País. Mesmo assim, no início do século XX, espíritas e pentecostais encontraram dificuldades para viverem suas crenças e os fiéis de religiões de matriz africana ainda são perseguidos - são a maioria das vítimas em casos denunciados ao Disque 100.
Conforme o coordenador-geral de Segurança, Cidadania e Direitos Humanos da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Alexandre Brasil, as crianças representam um grupo particular de vítima, pois sofrem por apenas expressarem suas crenças por meio de vestimentas. “Situações de depredações de espaços religiosos são outro tipo de expressão que têm ocorrido em algumas regiões do País. Isso atinge especialmente as religiões de matriz africana, mas também igrejas católicas”, comenta Brasil. Esse tipo de intolerância representa 24% das matérias veiculadas pela imprensa sobre a temática, aponta relatório feito pela SDH. Em segundo lugar, cita o coordenador, aparecem situações que envolvem agressões físicas (23%) e nesse item as principais vítimas são também de religiões de matriz africana, além dos evangélicos. “Agressões em escolas, brigas entre vizinhos e mesmo oito assassinatos foram identificados em matérias publicadas entre 2011 e 2015, casos em que ou a Justiça ou a Polícia concluiu que a motivação para o homicídio foi intolerância religiosa”, ressalta.
Outra situação corriqueira são as limitações que a intolerância a práticas religiosas pode trazer, como o caso de membros de Igrejas Adventistas e de fiéis do judaísmo que têm como hábito a “guarda do sábado” e o uso de véu, seja por freiras ou por fiéis do islamismo, algumas vezes proibidos em prédios públicos. “A intolerância no Brasil é ‘democrática’, atinge um amplo conjunto de segmentos e grupos e envolve também as pessoas que se definem como sem religião e/ou ateias”, observa Brasil. A Ouvidoria da SDH recebe, em média, uma denúncia de intolerância religiosa a cada três dias.
Denúncias Intolerancia
Fé é usada como desculpa
No congá, altar sagrado no terreiro de umbanda, imagens de orixás dividem o espaço com índios da pajelança, deuses hindus, pretos velhos, ciganos e santos cultuados também no catolicismo. Ali há lugar para todos. Usar a fé como justificativa para alimentar o ódio não é o que clamam as religiões em sua essência, seja qual for o deus. Intolerância é uma obra humana. No Brasil, a liberdade de crença é, inclusive, uma garantia assegurada pela Constituição Federal, mas nem por isso respeitada pelos inquisidores da era pós-moderna. O Disque 100, principal canal da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, registrou no ano passado 556 denúncias de intolerância religiosa. Mas os números podem ser ainda maiores, já que nem todos os casos são denunciados ou investigados. Um dos episódios mais emblemáticos foi o de uma menina de 11 anos apedrejada na cabeça, quando voltava para casa de um culto trajando vestimentas tradicionais do candomblé no bairro da Penha, no Rio de Janeiro, em junho de 2015. Os dois agressores seguravam uma Bíblia nas mãos.
O professor Alfredo Culleton chama atenção para a religião usada como uma desculpa para o temor que o outro representa. “Há um terceiro, Deus, que me justifica para eu poder atacá-lo, para eu poder maltratá-lo, para eu poder oprimi-lo. A religião é um lugar confortável que justifica o medo do outro”, ressalta.
Ainda em 2015, também no Rio de Janeiro, uma mulher muçulmana, de 43 anos, levou um soco no rosto de um desconhecido na rua após ser xingada de terrorista, e uma jovem de 22 anos foi atingida por uma cusparada no rosto enquanto esperava o ônibus em uma parada usando o hijab (véu) sobre a cabeça. “A marginalização e a exclusão de determinados grupos religiosos surge, principalmente, da falta de conhecimento, da falta de participação. O problema é quando o não conhecimento começa a se transformar não só em uma espécie de segregação, mas agressão, supressão da existência desse grupo”, observa o professor Luiz Fernando Medeiros Rodrigues, do Programa de Pós-Graduação de História da Unisinos.
Complexidade cultural
O fato da religiosidade não ser algo "concreto" em sentido de físico, não a torna menos constitutiva de uma identidade ou modo de vida, explica o professor Luis Alexandre Cerveira. “A religiosidade tem a ver com todo o resto do complexo cultural, os deuses nórdicos são louros e os africanos, negros. Ou seja, a intolerância religiosa está no fato que o diferente, na maioria das vezes, abala as certezas, coloca em posição defensiva”, observa. A intolerância tem a ver com a forma como a pessoa é afetada pelo que o outro faz ou é. “Do ponto de vista histórico, essa é uma questão recorrente, especialmente em religiões monoteístas e exclusivas de determinadas etnias como o judaísmo, o islamismo e o cristianismo”, cita.

Religiões podem dialogar


Pai Dejair de OgumFilho de pai católico e mãe evangélica, Dejair Roberto Haubert descobriu as religiões de matriz africana aos sete anos de idade. Os frequentes episódios de convulsão que tinha quando criança eram um mistério até mesmo para especialistas, o que só aumentava a aflição dos pais, que decidiram recorrer à fé e aceitaram o conselho de uma conhecida que recomendou levar Dejair a um terreiro de umbanda. Assim que botou os pés no local, logo o menino começou a apresentar sinais de sua mediunidade. Hoje, Pai Dejair de Ogum tem 49 anos e é o líder religioso da Sociedade Beneficente Ilê dos Orixás, associação de umbanda, quimbanda e batuque, que mantém há 22 anos no bairro Imigrante, em São Leopoldo. O babalorixá diz que nunca foi agredido fisicamente pela sua crença, mas percebe uma outra forma mais frequente de preconceito. “É velado e não declarado, que acho que é o pior tipo de preconceito”, reflete. Pai Dejair conta que já percebeu algumas pessoas evitarem sair ao seu lado em fotografias ou mesmo pedirem para negar que se conheciam do terreiro de umbanda. “Isso machuca a pessoa. Eu tenho que esconder o meu sagrado para não agredir os outros? Antes me doía mais, hoje tenho pena das pessoas que pensam dessa forma”, diz.
O babalorixá faz parte do programa Gestando o Diálogo Inter-Religioso e o Ecumenismo (Gdirec), vinculado à Unisinos. O grupo reúne líderes de diferentes igrejas, que trabalham em conjunto o diálogo de paz entre as religiões, com encontros que ocorrem uma vez por mês. “A gente procura um conhecer ao outro, respeitando as diversidades. Primeiro temos que nos reconhecer para reconhecer o outro. Não é uma junção de religiões para se tornar uma só, cada uma contribui com suas características”, explica.
Estereótipos alimentados pelo preconceito
Sheik Rodrigo RodriguesPara os adeptos do islamismo, o preconceito e a intolerância surgem na forma de estereótipos e na associação equivocada de sua fé com o terrorismo, alimentada pela apropriação do islã por grupos envolvidos em conflitos em países como a Síria e Iraque. Gaúcho de Porto Alegre, o sheik Rodrigo Rodrigues, atualmente à frente da Liga da Juventude Islâmica Beneficiente do Brasil, sediada em São Paulo, conta que são frequentes os insultos proferidos a praticantes do islamismo aqui no País. "São ameaças de morte na rua, pela Internet, as pessoas acham que nós somos aquilo que a mídia mostra na televisão. As mulheres e as crianças são as mais ofendidas na rua. Na escola onde leciono, muitos alunos contam serem chamados de homem bomba", lamenta.
Muito da intolerância parte da imagem que é construída pela grande imprensa, acredita Rodrigues, pela associação equivocada que se faz da religião com atos terroristas. "O que está acontencendo não é porque as pessoas são muçulmanas, é por causa da invasão norte-americana no Iraque, por exemplo, que destruiu o país e levou ao surgimento do Estado Islâmico. Então quem patrocina guerras, acaba colhendo terrorismo", opina. "Temos que olhar para os outros como seres humanos, como servos de deus, a vida é sagrada, não cabe a nenhum ser humano tirar a vida de outra pessoa", ressalta.
O cientista político Bruno Lima Rocha, professor dos cursos de Relações Internacionais da Unisinos e ESPM-Sul, explica que o Estado Islâmico, normalmente envolvido em atentados em diferentes países, é um grupo terrorista que se formou a partir da invasão dos Estados Unidos no Iraque e faz uma interpretação distorcida do islã. "Seria um absurdo afirmar que o islã é intolerante. O que existe dentro da religião são algumas doutrinas ultraconservadoras, que levam ao pé da letra o que foi escrito em um livro há milhares de anos", completa, destacando que a islamofobia retroalimenta o Estado Islâmico e demais grupos terroristas. "Quem mais sofre, no fim, são as populações árabes e os muçulmanos com essa organização político-militar-religiosa. O ódio que retroalimenta o ódio".
Taís StaudtBullying não estremece a fé
O Brasil tem cerca de 50 religiões relacionadas no último censo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010. Dentre elas, o catolicismo soma mais de 7 milhões de fiéis. No entanto, mesmo sendo uma das religiões majoritárias no País, a intolerância não escapa a seus seguidores. Desde criança, a estudante Taís Staudt, 16 anos, frequenta a Igreja Católica. Foi apresentada à religião pelos pais e hoje participa das atividades da paróquia Nossa Senhora da Piedade, em Hamburgo Velho. Aos finais de semana, se dedica aos encontros do Curso de Liderança Juvenil (CLJ), movimento de jovens da Igreja Católica. "A religião me traz tudo, me trouxe muitos bons momentos”, afirma.
Em 2013, porém, enquanto comemorava ter tido a chance de participar da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, quando o Papa Francisco esteve no Brasil, Taís passou por um período complicado na escola, onde conta ter sofrido bullying por causa de sua crença. “A professora queria que comentasse como havia sido a Jornada e colegas começaram a tirar com minha cara. Escreviam coisas pejorativas sobre religião”, recorda. Nada disso, no entanto, estremeceu a fé da devota da beata Chiara Luce Badano. “Muitos pensam que religião católica é só ir na missa, mas não entendem o significado e que existe muita coisa atrás disso”, diz. Para ela, só o respeito mútuo pode evitar a intolerância.
Entenda a diferença
Desrespeito: tem a ver com a falta de atenção a algo ou alguém, ou ainda, a desconsideração por alguma prática, costume ou pessoa. Denota, geralmente, um desleixo em relação ao cumprimento de normas ou práticas culturais. Pode também ocorrer por desconhecimento de uma cultura. 
Intolerância: está relacionada a uma atitude firme de resistência e desqualificação de uma pessoa ou de atitudes diferentes. Pode ser compreendidas como uma atitude pré disposta de desrespeito por desqualificação, ou seja, por considerar outra pessoa ou algo diferente como inferior.
Preconceito: é a raiz da maioria das atitudes de desrespeito e de intolerância. Um definição prévia do outro ou de algo, atribuindo-lhe características que se imagina ou se deseja que a pessoa ou algo tenha.

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