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Questão de Gênero

Os conceitos de 'ser queer'

Durante muito tempo a palavra queer foi utilizada para discriminar aqueles que estavam fora do padrão “normal” da sociedade heterossexual; apontavam para gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e transgêneros de maneira marginal, seguindo à risca a tradução da palavra de origem inglesa, que significa "estranho, ridículo, excêntrico, raro".
A quebra da regra do binarismo de gênero – sobre ser homem ou ser mulher, somente – sempre foi vista como algo esquisito, e a associação ofensiva com o termo queer surgiu nesse contexto por volta dos anos 20 como adjetivo e nos anos 30 como substantivo. O seu uso nesse tom pejorativo foi, ao longo dos anos, acompanhado de vasta recriminação e violência.
Nos últimos anos, a comunidade LGBT tem adotado a expressão com um sentido diferente, de maneira positiva. Queer passou a identificar um grupo de pessoas que querem reafirmar seu rompimento com a heteronormatividade e, além dessa esfera, em seu sentido homofóbico, também discute com um próprio padrão homossexual que foi construído, que tende a excluir travestis, drag queens, transexuais e pansexuais, entre outros.
Ser queer tem se tornado uma prática de vida que vai contra as normas estabelecidas pela sociedade, em que as pessoas que eram consideradas estranhas, garantem espaço no meio social e pontuam sua individualidade, rompendo sua caracterização de conceitos marginais. Aliás, o queer não pretende se desfazer da condição de “marginal”, mas sim, se aproveitar dela para se auto-afirmar.
Importante salientar que, enquanto a maioria dos gays, lésbicas e bissexuais lutam para serem aceitos dentro da norma social sem preconceitos e com garantia de seus direitos, pessoas queer querem mais o debate e a reflexão do que é a norma e do que é normal, seja em termos heterossexual ou homossexual. A Teoria Queer vem para problematizar isso, levantando questões para se discutir sobre as identidades não binárias, o que foge da relação de sexo biológico com gênero.
Aqui no Brasil pouco se usa o termo queer, ainda estando mais presente expressões como viadinho, sapatão e traveco, entre outros. O movimento do uso da palavra como reafirmação se encontra em processo de construção, de estudo; porém já percebemos grandes evoluções nos debates acerca do rompimento da ideia de que a personalidade está única e diretamente ligada ao sexo da pessoa.
O gênero está na cabeça, não no órgão sexual.
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