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Opinião João Pedro Casarotto

Cavalo sem rabo, manco e cego

Leia artigo de João Pedro Casarotto

Publicada: 03.08.2017 às 06:20

João Pedro CasarottoJoão Pedro Casarotto é auditor

jpcasarotto@gmail.com

Os sucessivos empréstimos autorizados pelo Poder Legislativo desmoralizaram o outrora garboso cavalo gaúcho. O rabo foi sendo tosquiado e vendido e ficamos sem condições de espantar as moscas; até as futuras crinas já foram comprometidas. Depois fomos vendendo o osso dos cascos, o que nos deixou mancos e sem condições de nos defender daqueles que nos montam e zombam das nossas fraquezas.

Os dois empréstimos mais festejados e tidos como a redenção do Rio Grande do Sul foram o contraído com o governo central em 1998 (recebemos R$ 10 bilhões e até dez de 2016 pagamos R$ 26 bilhões e ainda devíamos R$ 57 bilhões) e o com o Banco Mundial, em 2008 e 2010, recebemos R$ 1,8 bilhão e até dez de 2016 pagamos cerca de R$ 800 milhões e ainda devíamos R$ 5,1 bilhões. Em ambos, assinamos contratos que permitiram a interferência direta dos credores nas políticas públicas do RS, ou seja, entregamos as rédeas.

Agora, o Poder Executivo negocia com a União a postergação do atual e a contratação de novos empréstimos, portanto estamos prestes a vender os olhos recebendo em troca a designação de três técnicos que irão cabrestear o RS. Se a derrocada do nosso Estado estivesse contribuindo para um Brasil melhor, até que poderíamos pensar em relevar, mas não é o que está acontecendo, pois a atual centralização administrativa, política, tributária, financeira e econômica está provocando a decomposição social da nação brasileira.

É chegada a hora de tomar o freio nos dentes e disparar, assumindo as consequências daí advindas. É preciso nos confrontar com as nossas próprias omissões, que vêm contribuindo, há mais de duas décadas, para a degradação da nossa sociedade. Os poderes Executivo e Legislativo não podem continuar com estas desestruturantes decisões.

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