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Notícias | Região Nanotecnologia e desarmamento

Ex-aluno da Unisinos fala sobre projeto que receberá Nobel

Cristian Ricardo Wittimann faz parte de ONG que receberá o Nobel da Paz de 2017 e desenvolveu tese relacionada

Última atualização: 05.11.2017 às 17:57

A preocupação com o desarmamento uniu o então estudante Cristian Ricardo Wittimann, hoje professor na Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e o professor da Unisinos, doutor em Direito Wilson Engelmann, no desenvolvimento de uma tese de doutorado que relacionou o aspectos do Direito à pesquisa acerca da nanotecnologia. Em 2012, Wittimann procurou a Unisinos para adequar seu projeto de doutorado sobre desarmamento. Junto com o professor Engelmann, eles traçaram a linha que se seguiria dali em diante. “Propus ao Cristian que fizesse uma relação entre a nanotecnologia e o uso militar. A tese foi uma tentativa de se estabelecer padrões de conduta”, explica o professor.

O trabalho se valeu da Lei dos Crimes Financeiros (Lei 12846/2013), que implementa os programas de integridade para as grandes empresas, uma espécie de autorregulamentação de controle de qualidade. “O que a gente fez foi tentar usar essa lei para que pudesse servir de guia para as indústrias que fabricam armas”, acrescenta. Engelmann explica que, a partir da prerrogativa dos códigos de conduta interno, a pesquisa foi conduzida no sentido de incluir cláusulas quando a empresa fosse manusear a nanotecnologia para uso militar. “Que deveria, por exemplo, colocar algumas questões de respeito aos direitos humanos, a perspectiva de uma preocupação humanitária e de um cuidado quase que proibitivo da utilização para fins bélicos”, comenta o professor, ao explicar que dessa forma professor e aluno conseguiram o “gancho” entre a pesquisa sobre nanotecnologia no âmbito do Direito e a atuação sobre desarmamento.

Prêmio

Cristian Ricardo Wittimann faz parte da Organização Não Governamental (ONG) interna- cional Ican (International Campaign to abolish nuclear weapons), por isso o interesse em aprofundar a pesquisa no âmbito do desarmamento. No dia 10 de dezembro, em Oslo, na Noruega, a Ican receberá o Prêmio Nobel da Paz de 2017. Wittimann pretende estar lá. “O que desenvolvi na Unisinos sem dúvida contribuiu para o trabalho na ONG”, comenta, ele que é membro diretor da organização, que reúne mais de 450 participantes em todo o mundo. A sede da Ican fica na em Genebra, na Suíça. “É uma rede em todo o mundo que tem representações em 101 países”, acrescenta Wittimann.

O Brasil é um dos países signatários do tratado para restrição de armas nucleares. “Existe resistência dos países que possuem armas nucleares, são os principais opositores do projeto”, comenta. “O Brasil foi um dos grandes atores dessa aceitação, abriu o livro das assinaturas”, revela Wittimann, que esteve na cerimônia.

Trabalho sobre desarmamento humanitário

“Trabalho desde 2004 em temas de desarmamento humanitário relacionado com armas convencionais. Em decorrênciadesta experiência e o desafio do professor Wilson em pensar esta problemática com a perspectivadas nanotecnologias é que desenvolvemos formas de controle sobre o risco desta tecnologia quando aplicada a armamentos”, explica Wittiman, que defendeu a tese intitulada Programas de Integridade (Compliance Programs) e o Direito na Sociedade Global.

O contato de Wittimann coma Ican começou em 2014, atualmente atua junto do Comitê Diretor. “Concomitantemente ao doutoramento em Direito, atuei diretamente na criação do Tratadode Proibição de Armas Nucleares, instrumento este histórico quepela primeira vez traz a ilegalidade das armas nucleares no cenário internacional. Por conta desse feitoé que a Ican recebeu esta láurea”, destaca. “O PPG da Unisinos trabalha com temas de ponta que estão relacionados com uma política de proteção internacional das pessoas. Sou muito feliz em ter concluído meu doutoramento na Unisinos”, finaliza.

Nanotecnologia

A nanotecnologia vem sendo trabalhada como tema do Direito na Unisinos desde 2008. “É como se pegasse um metro e dividisse em um bilhão de vezes, e a bilionésima parte do metro é um nanômetro. Hoje tem muita tecnologia sendo produzida nesta escala”, observa Engelmann. Ainda não existe um marco regulatório específico sobre a nanotecnologia no País. Há apenas dois projetos no Congresso.

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