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Eleições 2018

Um dia depois de condenação, PT lança Lula como pré-candidato presidencial

Dilma, sua afilhada política, acompanhou o evento na CUT
25/01/2018 15:59 25/01/2018 16:31

Nelson Almeida/Nelson Almeida/AFP
Lula e Dilma no lançamento da pré-candidatura do ex-presidente
O Partido dos Trabalhadores (PT) lançou nesta quinta-feira (25) a pré-candidatura de Lula para as eleições presidenciais de outubro, empenhando todo o seu apoio ao seu líder histórico, condenado na véspera em segunda instância a 12 anos de prisão.

"Estamos aqui para reafirmar a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. Será nosso candidato", disse a senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT, durante a abertura de uma reunião da executiva nacional do partido em São Paulo.

Lula, de 72 anos, chegou ao edifício da Central Única dos Trabalhadores (CUT), sede da reunião, acompanhado pela ex-presidente Dilma Rousseff, sua afilhada política destituída em 2016, no maior dos muito reveses sofridos pelo partido nos últimos anos.

Um cartaz gigante na porta definia o tom da reunião: "Em defesa da democracia e de Lula". Dentro do local os partidários se amontoavam e cantavam "Lula guerreiro do povo brasileiro".

"A decisão de ontem [quarta-feira (24)] foi política. Obviamente que não estou feliz. Mas eu duvido que aqueles que me julgaram estão com a consciência tranquila", afirmou Lula, que trava um dos combates mais difíceis de sua vida e ostenta a contraditória posição de ser o candidato favorito e um dos que mais gera rejeição entre os brasileiros.

"Sem nenhuma arrogância, quero dizer pra vocês que quero ser candidato pra ganhar as eleições! Nada de baixar a cabeça", acrescentou o ex-dirigente sindical, que em sua infância foi engraxate e perdeu três eleições antes de vencer dois mandatos consecutivos (2003-2010).

O tribunal de apelação ratificou na quarta-feira a condenação de Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e aumentou sua pena de prisão para 12 anos e um mês (em primeira instância era de nove anos e meio).

Segundo os juízes, o ex-presidente era proprietário de fato de um tríplex no Guarujá, em São Paulo, recebido da construtora OAS em troca de sua mediação para obter contratos na Petrobras.

Lula enfrenta outros seis processos judiciais, mas se declara inocente em todos e denuncia uma ofensiva judicial para impedir o retorno do PT ao poder. A sentença aumentou a incerteza sobre o destino político imediato do País.

A indicação de Lula como candidato à Presidência do Brasil por enquanto é simbólica, já que as leis eleitorais apenas habilitam os partidos a inscrever seus candidatos a partir de 20 de julho. E apesar de dispor de vários recursos para apelar a sentença, sua condenação em segunda instância pode acabar bloqueando a sua candidatura.

Participação

A senadora Gleisi Hoffmann, também acusada de corrupção, antecipou que o PT sairá às ruas e organizará greves como parte de um programa de lutas para manter a candidatura de Lula viva. O próprio ex-presidente disse na quarta à noite durante um comício com milhares de partidários em São Paulo que está mais motivado do que nunca para buscar seu terceiro mandato. "Agora quero ser candidato a presidente da república", proclamou, antes de se despedir com um "até a nossa vitória!".

Essa mesma linha foi seguida por Dilma. "A perseguição política expressada na condenação impede o restabelecimento da normalidade democrática e a pacificação do país. Uma eleição que impeça o ex-presidente Lula de concorrer não terá legitimidade", assegurou em nota.


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