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Pediatria

Uso do bico deve ser administrado pelos pais

Excesso pode afetar interação de crianças com seus pais e, como consequência, repercutir no desenvolvimento
26/02/2018 08:00 26/02/2018 14:06

Há os que a conheçam por chupeta, outros por bico e não é difícil encontrar crianças acostumadas a pegar o “bibi”. Esse objeto, feito de silicone, borracha ou plástico, ainda causa perguntas sobre seu uso nos consultórios pediátricos. Uma delas foi destacada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), no dia 16 deste mês, na plataforma online que busca ajudar famílias nos cuidados com crianças e adolescentes.

Eduardo Cruz/GES-Especial
Crianças que usam chupeta em excesso choram e resmungam menos, ou seja, comunicam-se menos com os adultos
No site Pediatria para Famílias a pergunta “os processos de socialização e de comunicação ficam prejudicados com o uso da chupeta?" tem como resposta que “a criança que usa chupeta acaba chorando/resmungando menos, ou seja, comunicando menos as suas necessidades, solicitando menos a atenção dos adultos ao seu redor. Dessa forma, a criança tem menos oportunidades de interação com os pais/cuidadores e, como consequência, acabam sendo menos estimuladas, com repercussões no seu desenvolvimento, como na fala, na comunicação e nas habilidades de socialização".

O presidente do Comitê de Desenvolvimento e Comportamento da SPRS, o pediatra Renato Santos Coelho, declara que o bico “pode” atrapalhar a fala (sons que as pessoas entendem e compreendem) e a comunicação (expressão facial ou um piscar de olhos, por exemplo). É uma possibilidade.

No entanto, o uso de bico não é considerado ruim. A SBP diz que é aceitável em bebês e crianças de tenra idade. Geralmente está associado à necessidade de satisfação afetiva e de segurança, que pode ser atendida com a prática do aleitamento materno. Existem evidências científicas de que crianças amamentadas no peito por pelo menos seis meses estão menos propensas a desenvolverem hábitos de sucção não nutritiva. Nos casos em que a amamentação natural não pode ser realizada e mesmo com a oferta do aleitamento materno, as necessidades de sucção da criança não estejam satisfeitas, o uso do bico é recomendado.

Motivos

Uso do bico pode atrapalhar a fala (sons que as pessoas entendem e compreendem) e a comunicação (expressão facial ou um piscar de olhos, por exemplo) O uso do bico é uma das técnicas mais primitivas de acalmar o choro, independentemente da causa. Porém, quando pais ou cuidadores não se perguntam, ou perguntam ao bebê ou criança o motivo dela estar chorando, se perde um momento para comunicação. Caso a criança passe, por exemplo, 16 horas do dia com o bico na boca, cada vez que falar poderá ser com uma articulação atrapalhada.

“Se uma criança de 2 a 5 anos fica muitas horas do dia com o bico, a articulação das palavras não será a melhor. Ao mesmo tempo, posso estar oferecendo demais o bico, impedindo que ela se comunique”, reforça, acrescentando que é difícil medir o quanto repercutirá essa situação no futuro. Mas se a criança tiver inteligência, estímulo ambiental para se comunicar, a fala pode se desenvolver normalmente.

Ajuda para parar

Como tirar o bico?

A conversa entre pais e filhos não pode faltar. Quando os pais chegam diante da criança e dizem que ela não usará mais o bico, sem que a criança seja levada em consideração, não é recomendado, pois se foi permitido até agora e foi útil e aliviador para os pais também, porque tirar dessa forma? Afinal de contas, quem chupa o bico é a criança. Então ela precisa ser ouvida.

Entre as estratégias, o médico sugere que a criança seja preparada. Pode ser feito através da velha estratégia da troca com o Papai Noel, inclusive usando algo que recompense a criança. “Filho, tu estás com três anos. Eu estava pensando, será que não é o momento de deixar de usar o bico? Vamos tentar?”, exemplifica.

E quando chega perto do Natal lembrar a conversa novamente. Se nos dias seguintes a entrega para o Papai Noel, a criança chora pelo bico, os pais podem ter uma nova conversa. “Eu falei com o Papai Noel e vi que tu ainda não estás pronto para parar de chupar o bico. Vamos tentar outro dia. Ou seja, é uma técnica que não usa a rigidez”, diz. Para o médico, os pais precisam trabalhar a independização de acordo com o desenvolvimento da criança.

Pais devem perguntar motivos do choro

O pediatra Renato Santos Coelho diz que o mais importante é os pais sempre perguntarem o que ocorre. Deve-se chegar e questionar “por que está chorando?”. Se estiver com frio, deve-se aquecê-la, se apenas quiser um colo, um aconchego, que o segure nos braços e conforte o bebê. Se for apenas uma simples troca de posição, que o faça, pois estará atendendo o bebê na sua necessidade e não simplesmente tapando a boca do bebê com o bico. Enfim questionar tudo antes de dar o bico. “Vejo que muitos pais não olham o bebê para avaliar suas reações.”

Mães relatam rotina de seus filhos

Sem "bibi" ao falar

Eduardo Cruz/GES-Especial
Lara Wulff Saldanha, 2 anos

O “bibi” é como Lara Wulff Saldanha, 2 anos, chama o bico que usa na hora do seu soninho. A mãe da menina, Bethina Wulff, 30 anos, conta que sua filha começou a usar chupeta quando estava próximo de um ano de idade ao ver uma amiguinha com um bico na boca.

Com isso, a família combinou que ela usaria quando fosse dormir em casa e na escolinha. Na hora de falar, explica a mãe, o combinado é tirar o bico para que todos possam entender tudo o que está falando.

Na hora do cansaço

Eduardo Cruz/Arquivo pessoal
Henrique Copes Cará, 1 ano e 3 meses

Henrique Copes Cará, 1 ano e 3 meses, começou a usar a chupeta quando tinha três meses. “Optei pela chupeta por trabalhar fora e pensando no período que ele ficaria longe de mim”, conta a mãe do menino, Audrea Copes Cará.

Agora, ele usa especialmente quando está com sono ou muito cansado. “O meu filho se comunica bem, interage bem com os pais, cuidadora e demais crianças. O desenvolvimento está muito bom”, conta a mãe, que pretende tirar o bico após os dois anos.

Somente em casa

Eduardo Cruz/GES-Especial
Pedro Henrique Ignácio, três anos e meio
Ele nasceu com 34 semanas e meia, ficou internado por causa da pneumonia e bronquiolite e usa o bico desde que nasceu. Pedro Henrique Ignácio, três anos e meio, já vai na escolinha e lá não usa chupeta.

Sua mãe, Letícia Figueiró, só deixa usar em casa e na vó e, às vezes, ele esquece. Além do mais, a mãe pede para ele tirar o bico para a fala que está afetada por conta de ter nascido prematuro. “A fala vamos desenvolver. Ele tem acompanhamento com fono e neuro”, explica.


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