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Cris Manfro

Apoderamento

"Estamos virando meritocratas? Sempre em busca de méritos?"
11/03/2018 06:00

Cris Manfro é psicóloga clínica, terapeuta de família e casal e mediadora familiar
acmanfro@terra.com.br

Eu sei o quanto essa palavra é importante. Na verdade ela é fundamental em muitas situações. Porém, eu ando meio preocupada com a interpretação que nós mulheres temos feito. Estamos confundindo se apoderar com: nunca cansamos, podemos tudo, somos ilimitadas, podemos ser onipresentes que é estar em tudo que é lugar e ao mesmo tempo. Confundimos com: nossa força nunca acaba. Pensar assim é um perigo a menos que você queira ser santificada, pois essas características são para os céus. Esse pensamento é um perigo, uma armadilha e uma inverdade.

Fico muito preocupada e me pergunto se às vezes não estamos melhorando para pior. Vou explicar. Andamos bebendo demais, trabalhando demais, comendo mal e nos negligenciando em muitos sentidos. Vivemos sob estresse, com uma cobrança cada vez maior, com comparações indevidas que aumentam a sensação de não sermos boas o bastante em tudo. Na cabeça a gente diz: eu me valorizo, eu gosto de mim, mas, muitas vezes, mentimos, porque não é o que o coração e as atitudes dizem.

Continuamos nos envolvendo em relacionamentos abusivos, que desvalorizam, oprimem, maltratam, achando que é assim mesmo. E ficamos em relacionamentos assim com a ideia de “não jogar a toalha”, de não desistir, com um mantra de que somos fortes e vamos em frente custe o que custar. E para muitas de nós têm custado caro ficar em relacionamentos invalidantes e que acabam com a auto-estima.

Não podemos de maneira alguma desvalorizar todas as vitórias e conquistas, mas estamos ainda numa grande caminhada. Temos uma longa jornada para mudar a cultura que se modifica a passos de tartaruga. Temos muito ainda para equilibrar dois pólos: o de não se sentir abaixo de ninguém, mas nem acima, numa luta eterna desenfreada por estima. Carecemos de estima. Carecemos de reconhecimento, carecemos de elogios, carecemos de afeto, de colo, de validação. Carecemos de obrigados, de foi bom o que você fez, de você é importante pra mim, você merece, carecemos de reconhecimento.

Com isso exageramos na corrida, na busca por pódios, por conquistas que não acabam nunca e muitas vezes sem poder apreciar, pois outra corrida já espera. Estamos virando meritocratas? Sempre em busca de méritos?

Precisamos nos apoderar sim! Mas, que seja de saúde, de amor por si, e pelos outros também. Que nos apoderemos de compaixão, de auto-estima sendo quem somos, sem comparações. Que respeitemos nosso tempo, que tenhamos tempo. Tempo pra si. Que o apoderamento seja de força para poder dizer: hoje não, estou cansada, preciso de ajuda, isso pra mim não dá, chega disso, basta! Que o apoderamento seja de eu mereço ter tudo de bom. Eu sou tudo de bom. Que o apoderamento seja de felicidade.


Jornal NH
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