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Região

Ano começa com queda em dados da violência

Secretaria da Segurança Pública do RS divulga dados do primeiro bimestre com destaques positivos
13/03/2018 11:18 13/03/2018 11:27

Amilton Belmonte/GES-Especial
Secretário de Segurança Pública do RS, Cezar Schirmer, apresenta dados da violência no Estado
Crimes contra a vida, roubos, furtos comuns e de veículos são os destaques positivos da estatística divulgada na segunda-feira (12) pela Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP/RS). Na região de cobertura do Jornal NH, estes crimes apresentaram uma queda expressiva se comparados aos resultados dos dois primeiros meses de 2017.

No primeiro bimestre deste ano, por exemplo, houve 63,9% menos homicídios dolosos e a redução impressionante de 83,3% nos latrocínios. Os dados foram apresentados pelo titular da SSP/RS, Cezar Schirmer, em Porto Alegre. “Tivemos aumentos nos efetivos das polícias, fizemos a Operação Pulso Firme, de transferência de presos de alta periculosidade para presídios federais, uma maior integração com os municípios pelo Sistema de Segurança Integrada, o SIM, compra de armas, instalação de câmeras de videomonitoramento e de sistemas de inteligência. Um conjunto de medidas que nos remetem para essa nova realidade”, justifica o secretário.

Apesar dos números favoráveis, não apenas na região como no contexto geral do Estado, a situação ainda corre longe do ideal. Tanto que, na outra ponta da tabela, estão crimes como roubo de veículos e tráfico de entorpecentes que não acompanharam os demais indicadores e apresentaram elevação, no comparativo entre 2017 e 2018. Foram 402 veículos roubados na região neste começo de ano contra 386 levados no ano passado, além de aumento de 10,5% nas ocorrências de tráfico, por exemplo.

Na visão do professor dos cursos de Tecnologia em Segurança Pública e Gestão Pública da Universidade Feevale, Charles Kieling, os dados, ainda que mostrem redução, não podem ser celebrados. “Temos duas situações antes de bater palmas: há uma migração no tipo e local do crime e também existe uma sazonalidade nos índices, que pode impactar momentaneamente os números, dentro de um determinado período. Isso dá uma falsa sensação de segurança e enquanto a cultura criminosa não for debelada, esses índices vão ter um aumento depois, porque o criminoso que furta, que mata, não desapareceu, vai seguir atuando”, pondera.

O que justifica a redução

À frente do Comando Regional de Policiamento Ostensivo do Vale do Sinos (CRPO/VRS), o coronel Álvaro de Medeiros atribui os resultados positivos nos indicadores de criminalidade a uma série de ações. Ele destaca, principalmente, a atuação conjunta das forças policiais, que resultou em operações constantes e de grande porte, com prisões “qualificadas”. “Foram feitas prisões de pessoas que já tinham mandados e antecedentes, o que é mais efetivo do que um flagrante onde a pessoa, muitas vezes, é solta rapidamente”, comenta.

Além disso, ele destaca o recebimento de novas viaturas e a vinda de soldados recém-formados. “Há muito tempo não tínhamos um incremento tão substancial de veículos. E ainda recebemos 57 brigadianos”, destaca. A utilização do sistema Avante, que permite um trabalho muito mais efetivo nas zonas e períodos onde há maior número de ocorrências, também é um dos fatores apontados pelo coronel.


Comparativo de crimes em janeiro e fevereiro 2017-2018  Problema do narcotráfico

Tanto a Brigada Militar quanto a Polícia Civil apontam o narcotráfico como principal causador da criminalidade vivenciada hoje em todas as cidades. “Não vem de hoje e também é conhecido por todos: as estruturas ligadas a tráfico e consumo de entorpecentes são o que determina basicamente os demais crimes. A maior parte dos homicídios são ligados ao tráfico”, comenta o coronel Álvaro.

Para o delegado Rosalino Seara, o tráfico de drogas é o maior protetor da criminalidade. “Isso porque a maioria dos crimes gira em torno das facções ligadas ao tráfico. Elas já estão partindo para um patamar de máfia, monopolizando setores. Infelizmente, é a própria sociedade que fomenta o tráfico de drogas”, comenta.

“Investir em viatura dá voto porque é algo que aparece”

Argumentando que os índices de criminalidade apresentam reduções periódicas e que os números não podem ser analisados dentro de um curto período, para não dar uma falsa sensação de segurança, Kieling diz que os dados da SSP/RS não tratam de uma redução na violência. “O governo está se aproveitando desse momento para falar que houve redução, quando na verdade é uma migração dos índices e a sazonalidade neste curto espaço de tempo. Os estudos, e eu me apoio em estudos internacionais, mostram que existe uma cultura criminosa e que ela não foi debelada, por isso que os índices vão ter aumentos mais tarde”, pondera.

Ele afirma que o combate à criminalidade deveria envolver investimento conjunto entre a SSP/RS, a Assistência Social e a Educação. “A triangulação envolvendo estes órgãos é o que vai acabar com a cultura criminosa”, afirma. O professor ainda critica a falta de interesse do governo neste tipo de ação. “Investir em viatura dá voto, porque é algo que aparece, mas isso não reduz a violência e a criminalidade, porque temos essa cultura criminosa que não é combatida. Os indivíduos estão no presídio comandando ações e os que estão aqui fora seguem captando novos elementos”, diz.

Um crime não contabilizado na estatística da SSP/RS é o arrombamento a agências bancárias que, segundo Kieling, tem tido expressivo aumento, além do tráfico de armas. “Isso é a migração do crime, se as pessoas não estão roubando aqui, provavelmente estão ajudando na penetração de munição e armamento ou para conseguir carros para roubar bancos no interior, ou indo para o interior estudar o cenário para fazer o ataque a banco”, pontua.


Ações ao longo do ano

O titular da 3ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana, delegado Rosalino Seara, também aponta a implantação de ações integradas como as principais causas para a redução dos crimes. Além disso, foram realizadas operações preventivas no começo de 2018, especialmente em Novo Hamburgo e São Leopoldo, para evitar o alto número de homicídios registrado no período anterior. “Fizemos operações nas zonas conflagradas, que são pontos de tráfico, com buscas e apreensões, enfrentando os bandidos. E isso deu resultado também no furto e roubo de veículo”, comenta.

Outro problema que deve ser enfrentado é a superlotação das delegacias, que acarreta em brigadianos e policiais civis fazendo o trabalho de carcereiros. “Cada preso em custódia na delegacia é uma guarnição a menos na rua”, diz o coronel. “Tem que se construir mais presídios, porque os policiais civis e militares não podem ser carcereiros”, pontua o delegado Rosalino.

Outras duas medidas importantes neste ano devem ser a implantação de uma Delegacia de Vulneráveis, em São Leopoldo, e da Delegacia de Polícia Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec), possivelmente em Novo Hamburgo. “Estamos aguardando resposta quanto à instalação. A gente gostaria de ter isso ainda neste ano, mas depende de decisões superiores e de se conseguir locais adequados. Seriam as grandes conquistas deste ano, porque Novo Hamburgo e São Leopoldo são as cidades mais problemáticas e conseguiríamos estruturar melhor a Polícia”, argumenta o delegado.

Trabalho conjunto

Para a prefeita de Dois Irmãos e presidente da Associação dos Municípios do Vale do Rio do Sinos (AMVRS), Tânia Terezinha da Silva, a queda no índice se deve ao trabalho conjunto realizado pela Brigada Militar, Polícia Civil e Guarda Municipal. “Estas ações integradas é que fazem com que se fortaleça a segurança pública”, diz Tânia, que também mencionou o apoio da AMVRS. “Temos que destacar também o grande apoio que as cidades da região dão para a segurança, em questão de retorno financeiro mesmo”, afirma.

O projeto de cercamento eletrônico, que está em fase de licitação, seria um dos reforços para segurança, conforme Tânia. “A maior esperança é que o cercamento eletrônico envolva todas as nossas cidades. Além de ser necessário um aumento no efetivo da polícia militar”.

Cercamento eletrônico

Questionado na coletiva sobre a demora na implantação do projeto do cercamento eletrônico no Vale do Sinos, a partir de emendas parlamentares obtidas no ano passado pelos municípios em parceria com o Movimento #PAZ, mas com a compra dos equipamentos pela Secretaria, Cezar Schirmer esclareceu que a licitação está em andamento. “Acho que o termo de referência já está na Central de Licitações do Estado, a Celic”, sintetizou, mas sem esclarecer quando o certame deve ser oficializado, ou seja, ser publicado. Em 20 dias a SSP/RS e Comando Geral da Brigada Militar revelam o destino de quase 500 novos soldados, em fase final de formação.

*Colaboraram: Amilton Belmonte e Juliana Nunes


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