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Ouvir e falar

Veja dicas sobre primeiras palavras, perda de audição e aprendizagem dos surdos

Entenda o fluxo dos sons em nosso organismo
30/04/2018 10:24 04/05/2018 13:33

Do barulhinho da chuva fina ao misto de buzinas e arrancadas dos grandes centros urbanos: somos diariamente “invadidos” por um turbilhão de ondas sonoras que ora nos chegam como estímulos para colocar o corpo em alerta ora apenas fazem parte do cenário diário, que se tornam quase imperceptíveis. A máquina humana segue seu perfeito funcionamento, mesmo quando o adolescente insiste em responder à mãe que não a ouviu chamar, enquanto olha concentrado para o jogo no videogame.

A correria diária, sem a pausa nem para um cafezinho, pode, muitas vezes, ser interrompida por aquele ronco na barriga. Barulhos, ruídos, de fora ou até mesmo a própria voz, estamos cercados de sons! E para a audição, uma pessoa saudável consegue compreender, em frequência, as ondas sonoras que vão de 20 e 20 mil oscilações por segundo (Hertz). Já em nível, medido em decibéis (db), o ouvido humano consegue, por exemplo, discernir entre som de um sussurro suave (30 decibéis) a uma banda de rock (120 decibéis).

Conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), a exposição frequente a sons acima de 125 db podem causar perda auditiva permanente. E ainda: para a Organização, a escuta segura com os fones de ouvido é aquela de até 45 decibéis, sendo que boa parte da música emitida por aparelhos como MP3 e smartphones vão de 75 a 136 decibéis, mais que aquele escutado dentro de uma boate, que chega a até 112 decibéis. Conforme a Sociedade Brasileira de Otologia, 30% a 35% das perdas de audição são consequência de exposição frequente a ruídos diários.

Perda da audição

Acervo pessoal/Acervo pessoal
Ootorrinolaringologista Aline Mendonça
Há ainda a perda da audição ligada ao envelhecimento. “A perda de audição relacionada à idade ou presbiacusia é a mais comum na população adulta, a estimativa é de que até 30% da população entre 65 e 70 anos tenha alguma perda de audição, e esse número sobe para 50% quando se relaciona pessoas com mais de 75 anos.

A perda ligada à idade ocorre pela diminuição do número de células. É de origem multifatorial e complexa: tem uma base genética, herdada pelas informações familiares, ou pode ser desencadeada ou aumentada por fatores ambientais, como exposição a ruído desde a adolescência ou até da forma ocupacional, no trabalho com máquinas, por isso é importante o uso de protetores auditivos no trabalho.

Outros fatores são o uso de medicamentos, como alguns antibióticos, diuréticos, quimioterápicos, além de alterações metabólicas e hormonais, diabete, hipotiroidismo e nível elevado de colesterol”, explica a otorrinolaringologista Aline Mendonça.

A médica ainda acrescenta que hábitos de vida e doenças podem influenciar na perda da audição. “Quem fuma tem mais chance de desenvolver a perda de audição, além dos sedentários. Doenças infecciosas como sarampo, caxumba, rubéola e sífilis também têm influência. Há o fator genético, mas também fatores ambientais, em que é possível interferir para prevenir ou reduzir o grau de perda de audição no futuro”, explica.

As primeiras palavras

Acervo pessoal/Acervo pessoal
Fonoaudióloga Marliese Godoflite
Além de receber as ondas sonoras, nosso organismo é estrategicamente preparado para emitir sons, especialmente através da fala. Conforme a fonoaudióloga Marliese Godoflite, essa troca já dá seus primeiros sinais durante a gestação. “Com o aparelho auditivo já formado, a criança ouve sons dentro da barriga da mãe e, após o nascimento, vai identificando cada um. Com a mediação de um adulto, ela vai significando aquilo que vai escutando, vai nomeando. Quando o bebê balbucia e dá aquele intervalo, dando o espaço para o adulto falar também, ela já vai estabelecendo os primeiros diálogos”, explica.

Alimentação tem papel importante no desenvolvimento da fala. “Antes mesmo das primeiras palavras, já utilizamos os lábios, a língua e as bochechas para a alimentação, então a amamentação e depois a consistência alimentar é de extrema importância porque vai fortalecendo a musculatura para posteriormente vir a fala”, conta.

Já sobre a dúvida das mamães e papais sobre se há ou não uma idade certa para a criança começar a falar, a profissional ressalta a importância dos estímulos. “Há crianças com 10 meses que já têm o ‘mamã’ com significado para ‘mamãe’. O que alguns autores da área citam é que por volta dos três anos é preciso que a criança já tenha uma linguagem compreensível, mesmo com algumas trocas. O início depende muito do quanto ela é desafiada, as vezes a criança aponta e faz ‘ah’ e a mãe já dar o que ela quer”, cita.

E se meu filho fala errado? Aquele ser pequenino ali trocando as palavras é muito fofo e merece até um vídeo. Mas em que idade é necessário corrigir suas palavras? “Há fase do ‘manhês’, aquela melodia falada com o bebezinho, necessária neste contato. Mas com o passar do tempo é importante que o padrão se torne mais próximo da fala do adulto sem os ‘inhos’ - bonitinho, pequenininho -, que é engraçadinho, mas por um tempo. A criança precisa então de um adulto falante que utilize corretamente as palavras porque é este padrão que ela buscará, mesmo que num primeiro momento não consiga articular todos os sons e fonemas, mas vai se esforçar. E não é necessário corrigir, mas mostrar para a criança. Se ela fala ‘ága’ para água, então diga ‘ah, você quer tomar água?’, e já contextualiza, coloca dentro de uma frase, faz a contação de uma história, canta uma música. Este mundo sonoro é lindo e é importante que a criança seja estimulada para passar por ele de maneira agradável”, explica Marliese.

Diálogo e a criatividade são fundamentais. “O que ocorre é que muitas vezes o adulto fala ‘para’ a criança e não ‘com’ a criança, o pequeno então não usa o intervalo do diálogo. O adulto fica então adivinhando tudo que ela quer, falando mesmo por ela e não dando à criança esta tarefa. A comunicação vem pela necessidade que tenho ou não de me expressar, a fala é esta interação, não apenas receber ordens. A contação de histórias é excelente neste ponto, mesmo que a criança não saiba ler, ela vai ver as imagens e relatar a história, então dar este acesso é muito importante”, diz.

Educação mais que especial

Acervo pessoal/Acervo pessoal
Professoras: Cristiane, Ariane e Anaclécia
Quando em meio a este universo de sons, a realidade mistura silêncio frente aos ouvintes e a necessidade de conhecer uma outra língua, um novo desafio surge na aprendizagem da criança. Agora o processo de fala é diferente, usando a Língua Brasileira de Sinais – Libras. Esta é a tarefa diária na Escola Estadual Especial Keli Meise Machado, em Novo Hamburgo, que oferece do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental. Na unidade, estudam 45 alunos surdos do Município e também de Estância Velha, Portão, São Leopoldo e Montenegro.

Tímida, a estudante Blenda Zilli, 8 anos, conta que adora ler e aprender novas palavras. Com a tarefa na mesa, ela era acompanhada naquela manhã de segunda-feira pela professora Cristiane Votz, que também é surda. Cristiane teve a aprendizagem em Libras, fez o Magistério, faculdade de Pedagogia e agora faz pós-graduação na área. “A primeira coisa para os alunos é o conhecimento em Libras, os sinais, mostrar as imagens, é muito visual. Depois vem a aprendizagem da escrita, que é o Português. Tanto o professor quanto o aluno são muito capazes”, conta.

“Muitos pais utilizam sinais caseiros, improvisam, tipo ‘esse gesto vai servir para isso’, mas quanto mais cedo uma criança surda tem o contato com Libras, melhor o desenvolvimento será”, acrescenta a professora Ariane Becker.

Além da Matemática e outras disciplinas, em sala de aula também é abordado o preconceito. “É trabalhado com atividades que mostram as situações do cotidiano. Há preconceito por parte dos pais também, que por vezes não aceitam que o filho tenha essa língua. E aí muitas vezes o aluno só tem essa comunicação aqui na escola, trazem situações de casa”, destaca a professora Anaclécia Flores.


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