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Modos de ser e estar
maternidade, dia das mães, generosidade

Maternidade reinventada

A maternidade se confunde com a capacidade de ser generosa. O exercício de abrir mão, de coração também aberto, é ampliar a generosidade sem esperar retornos ou garantias.
14/05/2018 14:22 14/05/2018 14:22

A maternidade é uma das grandes experiências que uma mulher pode ter na vida. Ou também pode ser uma prática afetuosa mas que não mexe com as entranhas do ser. Mas quando mexe, mexe! Já contei, neste mesmo espaço, que quando nasceu meu filho eu descasquei, literalmente desabrochei. Minha pele escamou numa sequência de dias até que me dei conta do tamanho da transformação que estava começando acontecer. Achava que a gestação já tinha promovido todas as mudanças possíveis com meu corpo e minha subjetividade, mas não. Era só o começo.
A maternidade vem se construindo mais ou menos assim na minha vida. Se confundindo muito com a capacidade de ser generosa. O exercício de abrir mão, de coração também aberto, é ampliar a generosidade sem esperar retornos ou garantias. Um altruísmo, nem sempre fácil, que não se constrói sozinha mas com a rede que sustenta os cuidados de uma criança (pai, avós, tios, primos, amigos, professores e profissionais de saúde). Doar-se é sinônimo desta condição. Ser generosa a ponto de gestar um outro ser, de ser uma ponte, uma passagem. Emprestar seu corpo, fazer dele uma ferramenta para esculpir outra pessoa parecida mas, diferente.
Tudo já se falou sobre ser mãe. Para além de todos os clichês e da ideia romantizada tão difícil de ser desconstruída (a mãe como ser supremo), percebo que a maternidade é uma possibilidade de amadurecer e se tornar alguém melhor no mundo. Um filho pode fazer isto com a gente (sejamos mãe ou pai desde que comprometidos com o amor e cuidados).
Amar, educar, amparar, renunciar, exigir, compartilhar, ser exemplo e tantos outros prazeres e tarefas fazem parte das diferentes maneiras de ser mãe na vida equilibrista que a maioria das mulheres leva atualmente. Não há como criar um filho sem passar, em maior ou menor grau, por um movimento de transformação. Que a maternidade nos reinvente todos os dias!


Jornal NH

Modos de ser e estar

por Patrícia Spindler
modosdeser@sinos.net

É psicóloga, mestre em psicologia social pela UFRGS e trabalha com psicologia clínica, ou seja, psicoterapia. Segundo a blogueira, ela gosta muito de escrever. E diz que "gostar não significa que eu me sinta assim tão à vontade, ainda mais no meio de tanto jornalista e publicitário". Mas é por este blog Modos de Ser e Estar que este gostinho vai ganhando um tempo e um espaço para poder acontecer. E é da vida que Patrícia também falará aqui, abrindo espaço a todos os internautas que quiserem interagir. Desta maneira contemporânea de viver que é tão complexa e ao mesmo tempo, intensa. Portanto, a aventura aqui, para ela, é se lançar a pensar, trocar idéias, escrever e comentar sobre as diversas maneiras de ser e de se comportar que as pessoas vão assumindo no decorrer das suas vidas ou por toda esta jornada.

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