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Mundo

Putin inicia na segunda quarto mandato presidencial

Putin foi reeleito em março com 76,7% dos votos para um novo mandato
06/05/2018 13:51 06/05/2018 13:51

AFP
Vladimir Putin
O presidente russo, Vladimir Putin, inicia seu quarto mandato presidencial nesta segunda-feira (7), pelo qual permanecerá no comando da Rússia até 2024, depois de ter liderado o país por 18 anos, seja na presidência ou como chefe de Governo. Putin foi reeleito em março com 76,7% dos votos para um novo mandato, seu melhor resultado eleitoral desde que chegou ao poder. O presidente devolveu à Rússia um status internacional ao preço de crescentes tensões com os países ocidentais.

A oposição e ONGs russas denunciaram milhares de irregularidades na eleição, como o preenchimento de urnas e o transporte de eleitores em ônibus. A cerimônia de posse foi precedida por uma série de manifestações contra Putin, organizadas no sábado (5) em todo o país e convocadas pelo opositor Alexei Navalny, que foi preso brevemente, bem como mais de 1.500 de seus partidários.

Esses protestos, proibidos pelas autoridades, foram dispersados pelas forças de ordem. A mesma coisa aconteceu na véspera da posse de Putin em 2012. Houve confrontos com a polícia e vários manifestantes foram julgados e condenados a penas de prisão. Durante sua campanha eleitoral, o chefe do Kremlin fez declarações marciais, gabando-se das novas capacidades militares da Rússia e de seus "invencíveis" mísseis nucleares.

Mas depois de sua reeleição, declarou que reduziria os gastos militares em 2018 e 2019 e se recusou a lançar uma "corrida armamentista". A anexação em 2014 da península ucraniana da Crimeia, aplaudida pela maioria dos russos, provocou um aumento da popularidade, já alta, de Putin. No entanto, a tarefa do presidente neste novo mandato "não é anexar novos territórios à Rússia, mas fazer o mundo inteiro levar em conta os interesses russos e aceitar essas conquistas", apontou à AFP o analista Dimitri Oreshkin.

O envolvimento russo na crise ucraniana rendeu a Moscou várias rodadas de sanções impostas pelos ocidentais. A Rússia também enfrenta as potências ocidentais no cenário sírio, com seu apoio inabalável ao regime de Bashar al-Assad, e seu envolvimento militar desde setembro de 2015.

Moscou também é acusado de interferir na eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos, e essa rivalidade entre o Oriente e o Ocidente foi acentuada ainda mais desde que Londres acusou os russos de envenenarem um ex-agente duplo russo na Grã-Bretanha em março. Vladimir Putin descreveu essas acusações como absurdas.

Putin permanecerá no cargo até 2024, ano em que celebrará seus 72 anos. Questionado na noite de sua reeleição sobre uma possível candidatura no final de seu próximo mandato, o quarto, Putin respondeu: "O que? Ficar aqui até os meus 100 anos de idade? Não!"

A menos que a Constituição seja reformada, Putin não poderá voltar a se candidatar em 2024. Segundo os observadores, o presidente russo poderia usar os próximos seis anos de mandato para preparar um sucessor. Mas no momento nenhum nome desponta. Também não se exclui a possibilidade que deixe o poder de forma antecipada, de acordo com o analista Konstantin Kalatshev. "Ele está cansado e sabe que deve partir quando estiver no topo", indicou Kalatshev à AFP.


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