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Saúde

Faltam leitos de UTI Neonatal para atender a região

Sociedade Brasileira de Pediatria alerta para déficit de vagas em UTI Neonatal
07/05/2018 08:17 07/05/2018 15:34

O caso da gestante de Parobé que perdeu o filho à espera de um leito em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal traz à tona a dificuldade enfrentada por muitas famílias. Este tipo de leito é destinado para crianças que nasceram antes de 37 semanas e que apresentam quadros clínicos graves ou necessitam de observação. Franciele de Oliveira, grávida de sete meses, teve a gravidez interrompida no final de abril após aguardar quase três dias a disponibilidade de vaga na Central Estadual de Regulação de Leitos, sob responsabilidade da Secretaria Estadual de Saúde (SES).

O Estado dispõe atualmente de 534 leitos deste tipo, sendo 352 pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A média gaúcha é de 3,78 vagas por mil nascidos vivos. No Brasil, esta média é de 2,9, isso incluindo a rede privada. De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, o governo federal preconiza dois leitos por mil nascidos vivos. No entanto, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) defende, no mínimo, quatro. Ou seja, apesar da realidade gaúcha ser melhor que a brasileira, ainda não atinge o mínimo recomendado por especialistas.

Presidente do Comitê de Neonatologia da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SBP/RS), Ilson Enk admite que o cenário no Estado é melhor do que a situação registrada no Norte e Nordeste brasileiro, “onde o caos é instalado pela falta gritante de leitos”.

Apesar disso, ele observa que a situação aqui não é ideal e mais crianças podem morrer por falta de atendimento adequado. “Preciso reconhecer que houve avanços no Estado, principalmente nos últimos anos, na regionalização desses centros, mas ainda se tem carência, e casos como o de Parobé podem sim se repetir”, reconhece Enk.

Para quem perdeu o filho, a morte de uma única criança já é muito. “Meu filho não volta mais. Quantos ainda vão ter que morrer na fila de espera?”, questiona Jonas Souza de Oliveira, 23, pai do feto que não chegou a nascer.


“Parece que nunca se consegue dar conta”

Ilson Enk explica que um paciente de neonatologia tem tendência a complicações iniciais e precisa de suportes respiratório e metabólico. Superadas todas as adversidades, o bebê passa para o estágio de ganhar peso. “Leva dois, três meses ou mais. Então, o paciente de neonatologia ocupa um leito durante todo esse tempo, ao contrário de uma criança maior e com quadro mais simples”, diz. Por isso, o médico ressalta a importância de cuidados intermediários para dar andamento ao fluxo de atendimento. “Porque esse bebê precisa seguir se recuperando e realocado para atendimento intermediário para abrir uma nova vaga na UTI neonatal”, explica.

Pesquisa da Sociedade Brasileira de Pediatria divulgada no mês passado indica déficit de 3.305 leitos de UTI neonatal no País. Enk acredita que a ampliação de mais leitos é importante, mas admite que não basta apenas isso para salvar bebês que nasceram com problemas. “Por mais que se amplie, parece que nunca se consegue dar conta. A raiz de tudo isso pode ser um pré-natal insatisfatório, de maneira não adequada.”

A pesquisa alerta, inclusive, sobre a importância das gestantes passarem por um pré-natal de qualidade, com um mínimo de seis consultas durante a gravidez e com acesso aos exames necessários. “O índice de prematuridade aumenta em função do cenário que a gente vive, de miséria, desigualdade, falta de informação”, lamenta o médico.

Como funciona a regulação hospitalar?

LEITOS Dos 48 hospitais que oferecem leitos de terapia intensiva neonatal no Estado, sete estão em cinco cidades de abrangência do Jornal NH (um em Montenegro, três em novo Hamburgo, um em São Leopoldo, um em Sapiranga e um em Tramandaí). Apesar disso, não necessariamente pacientes da região conseguirão vaga em cidades da qui. Isso ocorre porque no Rio Grande do Sul, a Secretaria Estadual da Saúde realiza a regulação do acesso aos leitos de UTI Neonatal, Pediátrico e Adulto por meio de uma Central no Complexo Estadual Regulador.

A Central recebe a solicitação de uma vaga de UTI a partir do médico assistente de hospital que não possui leitos de terapia intensiva ou não dispõe de vaga no momento. A equipe médica da central classifica o risco, através de informações sobre as condições clínicas, exames complementares e diagnóstico médico, e procura, na rede do SUS, pelo serviço que atenda as necessidades do paciente. Identificada a vaga, o leito é reservado e disponibilizado ao hospital solicitante.


Realidade na região

Hospital Centenário

A Fundação Hospital Centenário informa que “a demanda de pacientes na UTI Neonatal é espontânea e regulada, quando existe disponibilidade de leitos, o que normalmente não ocorre”. Geralmente, de acordo com a Fundação, todos os oito leitos cadastrados pelo SUS estão ocupados. “Quando temos algum bebê com uma complexidade que não temos condições de tratar, entramos em contato com a central de leitos e cadastramos o bebê para transferi-lo”, conclui, em nota.


Hospital Municipal

O Hospital Municipal de Novo Hamburgo, sob responsabilidade da Fundação de Saúde, conta com dez leitos de UTI Neonatal, todos pelo SUS. A casa de saúde realiza, em média, 2 mil partos ao ano. “Nossa UTI Neonatal conta com dez leitos, além de dez intermediários”, afirma a Fundação, em nota. “Em 2017, a taxa de ocupação foi de 95%. Isso significa que durante praticamente todo o ano, a UTI neonatal esteve com lotação máxima.”


Hospital Sapiranga

O Hospital Sapiranga conta com dez leitos de UTI Neonatal, sendo que seis atendem pelo SUS. Diretora executiva da casa de saúde, Elita Coferri Herrmann explica que, quando o paciente nasce e necessita de leito, é encaminhado diretamente da sala de parto ou da emergência para a unidade, já assistido pelo médico neonatologista. Quando o bebê vem de outra instituição hospitalar, o contato é feito de médico para médico.

“Para saber da patologia e se há como recebê-lo. Em caso positivo e de ter leito disponível, o mesmo é encaminhado.” Segundo Elita, a média da ocupação dos últimos três meses foi de 97%. “Com certeza temos uma demanda bem superior ao número de leitos”, afirma. “Atualmente absorvemos grande parte da demanda dos nascidos no hospital, mas quando estamos com capacidade esgotada e necessitamos de transferência via central, dificilmente somos contemplados.”


Hospital Tramandaí

Dos dez leitos, nove são pelo SUS, segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos em Saúde (Cnes). O hospital é referência para gestação de alto risco para todo o litoral norte, totalizando 23 municípios. “a UTI neonatal tem seu serviço voltado para o cuidado integral ao recém-nascido grave, e possui uma taxa de ocupação de 94% em média, e tempo médio de permanência de 11 dias”, ressalta a casa de saúde, em nota. São raros os casos que necessitam de encaminhamento para outros serviços como os de alta complexidade, segundo o hospital.


Hospital Unimed Vale do Caí

O Hospital Unimed Vale do Caí conta com cinco leitos de UTI Neonatal. Nenhuma vaga é pelo SUS. De acordo com o administrador da instituição, Robson Morales, a unidade foi reaberta há dois anos e conta com todos os equipamentos para atender às necessidades dos bebês. Geralmente, os leitos estão sempre ocupados. A taxa de ocupação está acima de 90%. no momento, o hospital não possui parceria com a Central Estadual de Regulação de Leitos.


Hospital Unimed Vale do Sinos

Dos nove leitos do Hospital Unimed Vale do Sinos, em Novo Hamburgo, nenhum é pelo SUS. A casa de saúde diz que se tem uma alta ocupação da UTI Neonatal. Na prática, o hospital acredita que a demanda é maior que os leitos disponibilizados.

*Hospital Regina, de Novo Hamburgo, também foi contatado, mas não deu retorno.


“Se estivesse tudo OK, ninguém seria vítima”
Diretora do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Clarissa Bassin pontua que os leitos de UTI Neonatal deveriam estar vazios, por ser um serviço de “retaguarda”. “Não conheço uma UTI hoje que esteja com leito sobrando”, assinala. Clarissa afirma que “é notório que houve redução de vagas em todas as especialidades de forma avassaladora”.

Ela critica os dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos em Saúde (Cnes) e lamenta a posição do estado. “Se estivesse tudo ‘OK’, ninguém seria vítima. O Cnes é a base nacional com mais falhas que existem. O Ministério da Saúde não tem um cuidado de fazer uma atualização real dos casos. As informações que ali estão não batem com a realidade”, dispara. A médica critica ainda a forma como o pré-natal é feito Brasil afora, pois não há uma regularidade nacional. “Há municípios com atendimentos excelentes e outros estão muito desassistidos. O SUS é que tem que oferecer o mesmo tipo de suporte”, diz.


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