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Estelionato

Polícia fecha cartório do crime que funcionava em casa no Guarani

Produção clandestina de documentos e até cheques movimentava milhões em golpes na região Sul do Brasil
10/05/2018 09:29 10/05/2018 15:01

  • Operação: equipe da 1ª DP apreendeu documentos e computador em mansão no Guarani
    Foto: Polícia Civil/Divulgação
  • Presos: Rogério Benedetti Guilloux e Carlos Alberto Gomes
    Foto: Polícia Civil/Divulgação
  • Máquina de escrever entre os objetos encontrados no local
    Foto: Polícia Civil/Divulgação
Em uma casa de alto padrão no bairro Guarani, em Novo Hamburgo, funcionava sofisticado esquema de falsificação e produção de documentos que movimentava milhões em golpes na região Sul do Brasil, segundo a Polícia Civil. “É surreal o que encontramos aqui. Uma espécie de tabelionato informal e até banco clandestino, pois fabricavam inclusive cheques”, declarou o delegado da 1ª DP da cidade, Tarcísio Kaltbach, que coordenou a Operação Cartório do Crime, na manhã desta quarta-feira.

Foram presos o morador, Rogério Benedetti Guilloux, 54 anos, em liberdade provisória por estelionato, e o foragido de Santa Catarina Carlos Alberto Gomes, 64, procurado pelo mesmo crime.

Os agentes chegaram à casa de 700 metros quadrados da Rua Julio Adams por volta das 9 horas e tiveram que arrombar a porta da frente. “Ninguém atendia. Estavam todos dormindo”, conta o delegado. Surpreendido pelos policiais, Rogério tratou de se defender. “Não estou fazendo nada. Estou acordando agora.” A mulher, dois filhos e o hóspede catarinense também foram despertados pela operação.

Programas

Os policiais tiveram que percorrer vários cômodos para chegar ao escritório. “É onde encontramos o computador com programas capazes de fraudes que eu nunca tinha visto. Havia documentos em produção e muitos prontos, todos digitalizados, assim como selos de tabelionatos, carimbos e assinaturas de autoridades de vários órgãos.”

Sofisticação do sistema surpreende agentes

“Olha isso. Estou fazendo um cheque. Com um original digitalizado, consigo inserir os dados e valores que quiser. Que programa é esse?”, indagava um agente, surpreso, enquanto averiguava o computador central, que foi apreendido e irá à perícia. Na medida em que avançava a análise dos dados, a perplexidade aumentava. “Isso aqui é uma central de documentos. Tem CNH, carteira de identidade, carteira de trabalho, contra-cheques e até escrituras de compra e venda de imóveis.” Os policiais tentam identificar gráficas usadas na impressão.

Venda ilegal de terrenos no litoral

Para o delegado, estelionatários se municiavam dos documentos produzidos em Novo Hamburgo para aplicar golpes de toda ordem. “Carlos é especialista na venda fraudulenta de propriedades em Santa Catarina. Veio para cá com uma caminhonete Amarok que havia recebido de entrada pela venda de terreno de R$ 1,2 milhão em Camboriú. A vítima já tinha pago também R$ 50 mil em dinheiro.” O veículo foi apreendido na garagem de Rogério. “Conversamos com o dono, que nos falou que não vende a propriedade por menos de R$ 5 milhões. Os golpistas fraudaram os documentos do imóvel com selo e toda logotipia do tabelionato, além dos dados do proprietário, que teria a assinatura copiada no certificado de compra e venda.”

Defesa quer liberdade

O advogado Ranieri Neves disse que entraria com pedido de liberdade para os dois presos ainda na noite de ontem. “Vou fazer isso já no plantão.” Quanto aos argumentos de defesa, ele comentou que ainda era cedo para se posicionar. “Primeiro quero me aprofundar nos fatos. Está meio confuso ainda.”

Indiciado por estelionato em Sapucaia do Sul, Gravataí, Imbé, Tramandaí e Cachoeirinha, Rogério estava em liberdade provisória desde dezembro de 2012. Carlos era procurado por meio de mandado de prisão, também por estelionato, expedido pela comarca de Itapema, no litoral norte catarinense.

O flagrante e as penas

Tarcísio autuou Rogério e Carlos em flagrante por estelionato e falsificação de documentos, cujas penas somadas vão de dois a dez anos de reclusão. “A investigação prossegue, pois há muito material para análise. Encontramos também galerias de fotos de terrenos, de várias regiões.” A situação da casa no Guarani é legal. Carlos paga R$ 3 mil de aluguel por mês. Uma antiga máquina de escrever no escritório contrastava com a sofisticação do esquema.

Até estrangeiros

Documentos de identidade de diferentes estados e até de outros países foram descobertos no computador. “Estavam fazendo, por exemplo, uma carteira de identidade uruguaia. Temos que ver quem são essas pessoas, pois há fotos delas, e por que encomendaram esses documentos.” Tarcísio observa que Carlos portava carteiras de assessor da Assembleia Legislativa de Santa Catarina e de corretor de imóveis. “E ele se identificava como advogado.”

"Organizada quadrilha"

Segundo o delegado da Divisão de Defraudações do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Santa catarina, Daniel Zucon, há uma organizada quadrilha por trás do esquema. “Carlos Alberto é velho conhecido nosso. Esse pessoal frauda até ações judiciais, com procurações falsas, para se beneficiar de imóveis em nome de mortos. Os valores dos golpes são bem expressivos.”


Jornal NH
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