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Tecnologias amigas do transporte e do meio ambiente

Mais econômicos, sistemas semiautônomos e softwares de gerenciamento de frotas. Conheça as principais evoluções, que além de minimizar impactos ambientais, melhoram a produtividade


Reportagem e fotos ADAIR SANTOS | Vídeos e edição web GABRIEL GUEDES


A evolução tecnológica vem contribuindo para economizar tempo e dinheiro no setor de transportes. Veículos modernos e softwares de gerenciamento de frotas otimizam a logística, enquanto a nova geração de motores turbodiesel reduziu exponencialmente as emissões de gases nocivos ao ser humano e ao meio ambiente.

Aquela nuvem de fumaça preta saindo pelo escapamento dos veículos pesados é cena cada vez mais rara nas ruas. Além de poluir menos, o caminhão novo do autônomo Renato Ferreira Rabello, de 34 anos, gerou uma economia significativa de óleo diesel. O veterano Scania ‘‘Jacaré’’ L111 S, ano 1980 e com 300 cavalos, percorria 2,5 quilômetros com um litro. Já o Scania P310, ano 2007 e com 310 cv, faz 2,9 quilômetros com um litro. Pode parecer pouca diferença, mas para quem roda bastante, entre 10 mil e 12 mil quilômetros por mês, a redução chega a 600 litros, totalizando 3 mil e 100 reais por mês.


Uma nova geração de caminhões e caminhoneiros


A principal ferramenta de trabalho do caminhoneiro é uma parte estratégica neste contexto. Um dos mais modernos disponíveis no mercado nacional é o topo de linha da Mercedes-Benz, o gigante Actros, que custa meio milhão de reais. O motor com tecnologia BlueTec 5, que atende à norma de emissões Proconve P-7, gera 510 cavalos de potência.

No quesito segurança, o Actros tem nada menos que 16 recursos tecnológicos. Entre eles estão os sistemas que ajudam a evitar colisões, como destaca o gerente de Produto da Mercedes-Benz Caminhões do Brasil, Marcos Andrade.

Uma nova geração de caminhões também exige caminhoneiros com noções de informática, eletrônica e Inglês. A graxa e a força física dão lugar a sistemas computadorizados que tornam a viagem mais produtiva. Cláudio da Costa representa bem esse perfil de profissional e destaca alguns recursos do veículo que usa, um Scania modelo 440, com 440 cavalos de potência.

Mais do que economizar ‘‘o braço’’ do caminhoneiro, o câmbio automatizado de 12 marchas do veículo ajuda a gastar menos diesel e poluir menos, permitindo que Claúdio se concentre muito mais na estrada.

Quando o assunto é tecnologia e segurança, outra novidade que vai chegar ao mercado num futuro próximo é o Boné Alerta, desenvolvido pela Ford e que vibra, pisca e faz barulho quando seus sensores detectam sinais de cansaço.

Transporte virou estratégia de inteligência


Hoje, 60% de todas as cargas no País são transportadas em caminhões. Segundo a Confederação Nacional do Transporte, CNT, o setor de cargas rodoviárias tem 188 mil empresas, 919 mil transportadores autônomos de carga e 400 cooperativas, totalizando 2 milhões e 400 mil veículos.

Neste disputado mercado, é preciso ter todas as variáveis na ponta do lápis. Consumo do motor, preço do óleo diesel e custos de manutenção são fatores que influenciam decisivamente. O conforto do motorista, que nas décadas passadas era considerado luxo, hoje é elencado como um fator de aumento da produtividade.

Desde que José Remigio Kaspary, o Mica, abriu sua transportadora, há 22 anos, em São Leopoldo, os veículos evoluíram bastante:

A evolução tecnológica também está reduzindo riscos e aumentando os índices de recuperação em caso de furto ou roubo. Os sistemas de gerenciamento de frotas são peça-chave para as empresas, a exemplo da Atrhol Agência e Transportes, com sede administrativa em Canoas e cinco filiais espalhadas pelo Brasil. Cada um dos 350 caminhões da frota é equipado com rastreador, que permite localização em tempo real. Se o motorista desviar da rota, um alerta é emitido e, caso não retorne, o caminhão é bloqueado

O gerente financeiro da empresa, José dos Santos, destaca as vantagens do sistema:

Monitoramento e telemetria da frota agora são itens básicos


A empresa é especializada em transportar máquinas agrícolas, como tratores e colheitadeiras que, somados, podem custar até 2 milhões e 200 mil reais. Por isso, em 2006, criou uma sala específica para gerenciar o posicionamento dos veículos, conforme explica o sócio e diretor-presidente, Jorge Antônio Lanzanova.

Sim, o Custo Brasil ainda existe


Engenheiro especialista em transportes, Mauri Panitz observa que a manutenção das rodovias brasileiras torna os deslocamentos onerosos, perdendo a competitividade não apenas em relação a países da Europa e América do Norte, mas também de vizinhos do Mercosul.

Segundo ele, o Quociente de Irregularidade das Estradas é muito grande, formando o chamado Custo Brasil.

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