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Mandou lembranças

Mais de 50% da frota de ônibus em Novo Hamburgo não é adaptada

Cadeirantes lutam todos os dias contra os desafios
08/08/2018 08:36 08/08/2018 10:19

Juarez Machado/GES-Especial
Não é todo ônibus que Ingrid consegue pegar
Para a jovem cadeirante Ingrid Andriele Glokner da Silva, 16 anos, depender do transporte público hamburguense é sinônimo de preocupação. Ficar cerca de uma hora esperando na parada de ônibus, até mesmo no frio? Ela sabe como é. Nem mesmo quando o transporte chega, ter a garantia de que vai conseguir embarcar? Sim, acontece todas as semanas. Essa é a realidade das pessoas com deficiência física que necessitam usar os coletivos.

Juarez Machado/GES-Especial
Dificuldade: Ingrid depende de transporte público e conta com a ajuda da mãe, Adriana
O resumo da situação é que faltam ônibus adaptados em Novo Hamburgo. Atualmente, 45,9% da frota em circulação conta com o elevador de acessibilidade (74 de 161 ônibus, segundo as empresas que atuam na cidade). Desse total, há casos em que a plataforma está estragada, ou o veículo já está transportando outro passageiro com deficiência física e não há disponibilidade de vaga. Um dos exemplos acontece desde o início do ano.

Em fevereiro, foi retirada parte do trajeto da linha Aeroclube. Justamente, parte dessa quilometragem era a que passava em frente à Associação de Lesados Medulares do Rio Grande do Sul (Leme), na Rua Saldanha Marinho. “Com o corte, acabava tendo que me deslocar até o paradão da Avenida Primeiro de Março. Todos dias, quando a gente sai, não sabe que horas vai voltar para casa”, conta Ingrid.

Tentativa de acordo

Para resolver o problema da redução na quilometragem de linhas do Aeroclube, foi realizada uma reunião no final de julho na Câmara de Vereadores. Quem conduziu o momento foi o vereador Sérgio Hanich (MDB), presidente da Comissão de Mobilidade Urbana do Legislativo. “Convocamos todos os envolvidos na ação. Na ata final, demos o período de 20 dias para que as partes entrem em um acordo. Esse prazo se encerra no dia 14 de agosto”, frisa.

Hanich acrescenta que todos serão chamados novamente, após essa data, para confirmar a resolução do caso. “Todos tiveram a oportunidade de explanar suas dificuldades e o serviço prestado precisa estar adequado”, conclui. O representante diz que as comissões da Câmara de Vereadores estão abertas para receber demandas às quartas-feiras, no horário das 13h30.

Problemas são mais amplos

Porém, conforme uma das integrantes da diretoria da Leme, Celina Miranda, não é apenas nesse itinerário que ocorrem os transtornos. “Foram vários ônibus com redução de quilometragem nos horários entre picos. E é bem nessas horas que o cadeirante normalmente utiliza. Nós já temos sérias limitações e tudo fica mais complicado com menos horários, menos linhas, elevadores estragados, entre tantas coisas que passamos todos os dias”, destaca.

Celina diz que as adversidades acabam afetando a liberdade e o direito de ir e vir dessas pessoas. “Às vezes, a gente deixa de comparecer em compromissos, deixa de conviver por causa disso. Só que hoje em dia cadeirante não deve mais que ficar só em casa. Nós estamos chegando mais na rua, vivendo mais a cidade”, sublinha.

Solução encaminhada

Sobre situação do roteiro Aeroclube, o diretor de Transporte Público, Leandro de Bortoli, afirma que a solução está encaminhada. “A partir do dia 13 de agosto ficou acordado que a extensão de linha da Rua Saldanha Marinho volta a circular”, evidencia. Bortoli comenta que a questão iniciou no ano passado, com o pedido de reajuste tarifário por parte das empresas. A Prefeitura não aprovou a solicitação e sugeriu a redução da quilometragem, a partir de um estudo. Foram cerca de 10 mil quilômetros mensais de diminuição.

“Na Aeroclube, eram 44 horários da linha e, entre picos, fizemos o corte em trajetos de 22 horários. Porém, agora que a Associação nos trouxe esse relato, realizamos um novo estudo. Em tese, está resolvido o problema”, aponta. Nesses 22 horários, o trajeto da linha incluirá a saída do bairro, passando pela Rua Paraíba, Avenida Primeiro de Março, Tapes, Salgado Filho, Coronel Frederico Linck, Saldanha Marinho, Tapes, Primeiro de Março e Paradão.

Frota totalmente adaptada

A melhor solução, portanto, é ter a totalidade da frota com acessibilidade e com as plataformas de cadeirantes funcionando. É isso o que prevê o decreto federal número 5.296, de 2 de dezembro de 2004: “a infraestrutura de transporte coletivo a ser implantada a partir da publicação deste decreto deverá ser acessível e estar disponível para ser operada de forma a garantir o seu uso por pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida”, informa. Novo Hamburgo ainda não cumpre a resolução por não ter novos contratos firmados com as empresas prestadoras do serviço, explica Bortoli.

“A última licitação foi feita no ano de 1992. Quando uma das gestões anteriores assumiu, revogou a concorrência e começou a implementar os contratos emergenciais. Eles continuam sendo renovados a cada meio ano. Agora, foram assinados em julho e seguem valendo até 31 de dezembro desse ano”, pontua. Até lá, o diretor espera estar com a nova licitação pronta.

Nova licitação é esperança

O presidente do Conselho dos Direitos e Cidadania da Pessoa com Deficiência (CMPCD), Ricardo Seewald, garante que há mais de dois anos já havia ocorrido uma audiência pública abordando o tema da acessibilidade e de lá para cá não houve evolução. Seewald, que também é presidente da Associação dos Deficientes Visuais (Adevis/ NH), ressalta que a nova licitação pode ajudar os portadores de necessidades especiais, mas para isso é importante que participem do texto do edital.

“Em Novo Hamburgo, temos três sinalizadores sonoros para deficientes visuais para atravessar ruas. É muito pouco”, exemplifica. O diretor de Transporte Público garante que a comunidade será chamada para uma nova audiência pública, a fim de discutir a licitação.

O que dizem a Hamburguesa e a Courocap

A Hamburguesa e a Courocap informam que seguem o que é determinado pela Prefeitura. “Nós não tiramos linhas ou fazemos algo sem a orientação da Administração”, frisa o supervisor das empresas, Roberto Bastos. São 115 ônibus no total da frota de ambas, e, desse número, 54 veículos são adaptados, o que representa em torno de 47%. O profissional ressalta que todos os transportes com o elevador estão em funcionamento, distribuídos entre os roteiros.

“Todas as linhas possuem algum horário com ônibus acessível. Além disso, sempre mantemos o nosso contato aberto para suprir as necessidades das pessoas. Não deixamos ninguém empenhado, ainda mais quem precisa desse olhar especial”, salienta. Quando ocorre da tabela de horários apresentar o indicativo de acessibilidade e o mesmo não ser cumprido, Bastos explica que é por motivos que a empresa não consegue controlar. “Então, mandamos outro veículo para fazer o atendimento”, comenta.

Edital em análise

De acordo com Bortoli, atualmente, está sendo finalizada a análise da licitação do transporte público de Novo Hamburgo, no setor jurídico da Administração Municipal. Nas mais de mil páginas de edital, Bortoli diz que diversas situações de acessibilidade são listadas.

O que diz a Viação Futura

Dos 46 ônibus da outra empresa prestadora do serviço em Novo Hamburgo, a Viação Futura, 20 são equipados com a plataforma para cadeirantes. O número significa aproximadamente 43% do total. Diariamente, a Futura realiza 280 viagens, das quais 174 são com veículos adaptados (62%). “Em junho, tivemos 38 usos da plataforma. Por isso, acreditamos que estamos com uma oferta bem dimensionada, a ponto de ter essa diferença com a procura”, relata o auxiliar administrativo representante da empresa, Waldemar Maia.

Além disso, Maia acrescenta que a Viação Futura conta com o cadastro da maioria de seus usuários, o que cria um vínculo entre a administração e os seus passageiros regulares. “Assim, quando surge qualquer situação excepcional, eles já ligam para a empresa, que providencia o atendimento. Isso facilita o trabalho e otimiza o serviço”, finaliza.

*Colaborou: Felipe Nabinger


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