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Sétima das Artes

Crítica: Mare Nostrum

Drama brasileiro acerta na representatividade, mas tem vergonha de se assumir
09/10/2018 18:22 09/10/2018 18:26

A história de Mare Nostrum se passa em 2011, e nesse sentido ela serve como uma cápsula do tempo de um Brasil que parece muito distante hoje. Dois personagens voltam ao país depois do insucesso no exterior: Roberto, um jornalista que é demitido por conta da crise na Espanha, e Mitsuo, um descendente de japoneses que retorna após ter perdido tudo no tsunami de Fukushima.

O que une ambos é um misterioso terreno no litoral de São Paulo, negociado pelos pais de ambos no início dos anos 1980. O imóvel vira uma possível tábua de salvação para os dois, que estão em dificuldades financeiras – que, por sua vez, estão afetando diretamente suas famílias. Cabe à filha pré-adolescente do jornalista descobrir que o tal terreno na verdade é mágico, capaz de realizar os desejos feitos nele.

O principal ponto positivo do filme é a forma como ele perpassa os afetos familiares, da ancestralidade ao presente, passando por pai e filha, irmãos, avó e neta, os amores do passado. Também funciona bem o fato de que vemos boa parte da trama pelos olhos da personagem pré-adolescente, que é particularmente encantadora (e que catalisa a busca pela compreensão do passado familiar).

Nesse sentido, o título também acerta muito ao investir na representatividade de atores e atrizes negros. Eles vivem diferentes papeis e nunca são estereotipados ou unidimensionais. O roteiro também trata com respeito a cultura dos imigrantes japoneses e seus descendentes.

Contudo, há defeitos nessa mistura tão bem intencionada. A direção do já experiente Ricardo Elias resvala na bagunça: algumas mise-en-scènes passam uma incômoda sensação artificial; algumas atuações não estão bem dosadas. Pode parecer preciosismo, mas o cineasta parece se atrapalhar quando precisa fazer closes dos seus protagonistas – o que, num drama, é essencial acertar.

Há um defeito a mais: Mare Nostrum nunca se assume no que tange ao seu realismo fantástico. O terreno mágico nunca vira fantasia assumida, nem percorre o caminho da insinuação sutil que permite dúvidas. Ele fica num estranho meio-termo sem equilíbrio.

Mas tem algo nele que tenta acertar as sensações do espectador, de ser simpático ao público. Aqui e ali, consegue.


Jornal NH

Sétima das Artes

por Ulisses Costa
setimadasartes@ziptop.com.br

Ulisses da Motta Costa é cineasta, professor e crítico. Dirigiu os curtas O Gritador (2006), Ninho dos Pequenos (2009), Kassandra (2013) e Luz Natural (2014), além de documentários, clipes e programas para TV. Considera o cinema uma desculpa para grandes aventuras e já filmou nos locais e condições mais improváveis. Até fez mochilão para o Rio de Janeiro para ser assistente de direção no curta Os Olhos de Cecília. Ministra oficinas e palestras sobre cinema para alunos do Ensino Médio e orientou a realização de inúmeros trabalhos escolares em vídeo. Atualmente, está envolvido em projetos de longa-metragem como roteirista e como preparador de elenco. Escreve o Sétima das Artes desde 2007 e também para a Like Magazine.

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