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Episiotomia

Entenda quando é necessário o corte no períneo na hora do parto

Técnica é alvo de polêmica e dúvidas entre as mulheres
09/10/2018 14:43 09/10/2018 14:47

Foto por: Divulgação
Descrição da foto: Ginecologista e obstetra Breno Acauan Filho
A abertura no canal vaginal para o nascimento do bebê, técnica chamada de episiotomia, já foi alvo de polêmica e dúvidas entre as mulheres. O ginecologista e obstetra Breno Acauan Filho, que é presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Rio Grande do Sul (Sogirgs) e professor de Obstetrícia da Escola de Medicina da PUCRS, explica que a incisão ocorre na área muscular entre a vagina e o ânus, com anestesia local, e na hora do período expulsivo. E não é uma obrigatoriedade: ocorre, em média, em 10% a 15% dos casos no País. “É importante destacar que a indicação do procedimento vai ser avaliada somente no momento do parto”, ressalta. Veja mais detalhes na entrevista.

A episiotomia reduz a incidência das lesões perineais mais graves quando realizada com a técnica adequada? Caso não seja feita, que tipo de dano pode ocorrer para o feto ou para a mãe?
Em alguns casos a cabeça do nenê pode causar lacerações, que variam desde mínimas até graves, podendo atingir locais como esfíncter, reto, uretra, clítoris e trazer sérias complicações para as pacientes. As chances de ocorrer laceração no parto normal depende se a mulher já teve parto normal e até da elasticidade do períneo da paciente.

Há algumas décadas, não fazer a episiotomia seria estar promovendo uma má prática obstétrica. Esse conceito mudou?
A medicina evolui todos os dias. Existe hoje uma tendência mundial de tornar a episiotomia uma manobra seletiva e não sistemática. Grandes estudos realizados em países nórdicos demonstraram que taxas muito baixas de episiotomia estão associados a um aumento de ruptura de esfíncter e incontinência fecal, evento que altera a qualidade de vida de forma muito marcante. Considero que a episiotomia é uma intervenção que deve ser indicada somente quando necessário.

A episiotomia interfere em algo relacionado ao prazer sexual da mulher ou do parceiro?
O retorno às atividades sexuais varia num tempo específico para cada mulher dependendo da sua libido, do medo, da cicatrização das incisões ou lacerações perineais e do grau de atrofia vaginal secundária.

Com o advento da Medicina baseada em evidências, os estudos mostram que a episiotomia realizada de forma rotineira não é adequada. Por quê?
A episiotomia deve ser realizada apenas em situações específicas. Como nem sempre existe a necessidade de aumentar o espaço para o coroamento da cabeça do bebê, a decisão de cortar o períneo é tomada pelo obstetra durante o parto. A decisão de fazer ou não uma episiotomia deve ser baseada não só na evidência científica, mas também na prática clínica.

Em quais situações a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a realização da episiotomia?
De acordo com a OMS, a episiotomia somente deve ser realizada em partos normais para acelerar o desprendimento fetal em períodos expulsivos prolongados, sofrimento fetal ou na iminência de lacerações de terceiro e quarto grau. Alguns autores também indicam a episiotomia para evitar compressão prolongada em prematuros, porém, não há evidências que sustentem esta tese. Outra indicação é quando há necessidade de um parto instrumentado, com o uso do fórceps.

A episiotomia provoca dor a médio e longo prazo? E o período de recuperação exige algum cuidado especial?
O tempo de cicatrização da episiotomia varia de mulher para mulher. No entanto, o tempo médio é de seis semanas após o parto. Durante esse tempo, a mulher pode ir iniciando gradualmente as suas atividades diárias, sem fazer esforços exagerados e de acordo com a indicação do médico. Já a atividade sexual só deve ser iniciada depois de a cicatrização estar completa.

A episiotomia deve ser discutida durante o planejamento do parto com a gestante?
A paciente pode manifestar o desejo de não ser realizada a episiotomia, porém a indicação médica deve prevalecer. Se o risco de uma laceração grave for iminente, o médico deve fazer o procedimento. O recomendável é uma conversa franca com o médico, na qual a paciente possa esclarecer todas as dúvidas sobre riscos e benefícios do parto normal e da cesárea.

Se o obstetra adotar essa prática de forma indiscriminada, sem selecionar e ajuizar os casos necessários, pode estar cometendo violência obstétrica?
É importante ficar bem claro que o obstetra, ou a maioria deles, não usa a episiotomia para acelerar um processo fisiológico, para “terminar mais cedo”, mas sim porque ela é necessária. Não estamos ali para causar sofrimento à paciente. Muitos que não compreendem o que envolve um parto estão tratando a episiotomia como se fosse algo que os obstetras fazem para machucar, para agredir a gestante. Isso é um absurdo. Quando necessária, visa evitar um risco elevado de lacerações graves na pele ou garantir a saúde do bebê. O termo criado a partir de uma lei da Venezuela está sendo mal empregado, pois coloca o foco da violência no obstetra e nos procedimentos médicos. Obviamente, pela própria natureza profissional (que visa à assistência integral à saúde da mãe e do bebê), repudiamos atitudes violentas contra a mulher.


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