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Crítica: Vox Lux - O Preço da Fama

Apesar da boa atuação de Natalie Portman, drama se perde em pretensões exageradas
27/03/2019 00:29 02/04/2019 19:43

Vox Lux Desde o início da projeção, fica bem claro que Vox Lux - O Preço da Fama leva-se exageradamente a sério. A pretensão do seu realizador, o desconhecido Brady Corbet, é fazer um profundo retrato da alma ocidental nas últimas duas décadas, usando para isso como backgroud a indústria cultural. Contudo, o filme se perde ao se atribuir tamanha importância. 

Vox Lux pode ser um daqueles casos de amor e ódio. Há boas ideias; mais do que isso, há boas cenas. Porém, a vontade de soar e parecer arrojado resulta em inúmeras derrapagens. Para cada eventual momento brilhante, há uma execução preguiçosa e auto-indulgente logo em seguida. 

Mas vamos à história: indicando na tela cada um dos seus atos, o roteiro conta a história fictícia da cantora Celeste, desde sua adolescência (quando é interpretada por Raffey Cassidy) até o 2017 (quando é encarnada por Natalie Portman). A personagem tem uma construção interessante: quando jovem, sobrevive a um massacre na sua escola e faz uma música que se torna imenso sucesso. Já adulta e na casa dos 30 anos, tenta sobreviver aos excessos e pressão da fama, enquanto sua imagem pública se desgasta e a relação com familiares fica atribulada. 

A protagonista quase salva o filme, muito pela entrega de Portman -- atriz que alterna em sua carreira algumas performances inesquecíveis com diversas outras burocráticas e sem graça. Ela faz um bom trabalho com Celeste, criando tiques nervosos que representam as dores constantes que a personagem sofre por conta da tragédia que viveu na escola. Jude Law também é um coadjuvante que entrega um bom trabalho, inclusive fazendo uma voz mais grave e diferente do seu registro comum. 

Contudo, a própria atuação de Natalie é prova dos desequilíbrios de Vox Lux. Como comentei antes, a fita demarca seus atos claramente. No primeiro (chamado "Gênesis"), quem dá vida à personagem é uma pouco expressiva Raffey Cassidy. Uma pena, porque narrativamente este é o segmento mais bem resolvido do filme. Ou, por outra, é o único a contar realmente uma história: como Celeste entrou na indústria da música pop e se consolidou.

Portman aparece somente a partir do segundo ato ("Regênese"), com já quase uma hora de projeção. Se ela é melhor que sua contraparte mais jovem, encontra aqui um roteiro bagunçado, com ares de virtuose  pela virtuose. A cena no restaurante, por exemplo, é demasiadamente longa e inicia conflitos familiares que jamais serão resolvidos. O diretor e roteirista Brady Corbet parece encantado demais com seu texto longo (e raso) -- aliás, são vários os momentos em que o diretor parece deslumbrado consigo mesmo. 

No início do filme, por exemplo, os créditos inciais são apresentados na forma de créditos finais, passando em rol pela tela e incluindo quase toda a equipe. A justificativa para isso? Nenhuma, a não ser parecer arrojado. Esse virtuosismo vazio vai dando as caras com maior ou menor intensidade durante a projeção (como nas sequências rodadas com baixa definição e montadas em fast foward) e explode de vez no terceiro ato, "Finale", quando Corbet simplesmente joga a narrativa pela janela e fica meia hora mostrando um show como se fosse um mero DVD. 

Talvez devêssemos dar mérito ao cineasta (que é inciante, apenas em seu segundo longa) por tentar apresentar uma experiência cinematográfica diferente. Entretanto, Corbet parece pouco interessado no público, apenas no seu (hipotético) aplauso. O espectador investe emocionalmente seu tempo numa história que deixa em aberto todas as questões que planta, o que é decepcionante. 

Mas Cobert acredita ter feito grande obra. O filme encerra abruptamente (mas não era sem tempo), com um letreiro que afirma abertamente que ele se pretende como grande reflexo de uma época. Tal ambição e soberba passou desapercebida: lançado no final de 2018 nos EUA para aproveitar a temporada de premiações, Vox Lux foi massivamente ignorada por elas. 


Jornal NH

Sétima das Artes

por Ulisses Costa
setimadasartes@ziptop.com.br

Ulisses da Motta Costa é cineasta, professor e crítico. Dirigiu os curtas O Gritador (2006), Ninho dos Pequenos (2009), Kassandra (2013) e Luz Natural (2014), além de documentários, clipes e programas para TV. Considera o cinema uma desculpa para grandes aventuras e já filmou nos locais e condições mais improváveis. Até fez mochilão para o Rio de Janeiro para ser assistente de direção no curta Os Olhos de Cecília. Ministra oficinas e palestras sobre cinema para alunos do Ensino Médio e orientou a realização de inúmeros trabalhos escolares em vídeo. Atualmente, está envolvido em projetos de longa-metragem como roteirista e como preparador de elenco. Escreve o Sétima das Artes desde 2007 e também para a Like Magazine.

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