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Sétima das Artes

Crítica: Shazam!

Novo filme da DC investe no humor ingênuo e bem sacado para público juvenil (e para o jovem que habita em nós)
02/04/2019 13:36 02/04/2019 13:42

Shazam! É fato que Shazam! (o sétimo filme do que supostamente seria o Universo Estendido DC) é um rearranjo de rota. Quando a DC Comics resolveu enfrentar a Marvel e seu universo compartilhado nos cinemas, abandonado a estratégia de franquias separadas, definiu-se que todos seus principais heróis teriam sua película solo . Boa parte destes projetos foram caindo pelo caminho, fruto de problemas internos da DC com seu estúdio parceiro, a Warner. Saíram das grades de planejamento - ou foram adiados indefinidamente - filmes do Flash, do Batman, do Superman, da tropa dos Lanternas Verdes.

Então é meio que incrível que Shazam!, logo ele, tenha sobrevivido. 

Quem tem mais idade conheceu esse herói como Capitão Marvel. Uma complicada disputa de direitos autorais acabou colocando o personagem na posição de hoje: com um nome diferente e uma posição um pouco menor no panteão da editora. Mas nem sempre foi assim. 

Quando foi lançado nos gibis, em 1939, o Capitão Marvel original chegou a superar em popularidade o Superman. Os dois eram parecidos, mas o background atrás deles era distinto. Superman era cria da ficção-científica: um ser extraterrestre cujos poderes advêm das condições do planeta Terra. Já o Capitão tirava sua força da mitologia: ao gritar a palavra mágica Shazam, o menino Billy Batson virava um herói.

Isso, convenhamos, tem muito apelo. Se a fantasia de toda a criança ainda hoje é se transformar num ser superpoderoso, Capitão Marvel (ou Shazam) é a personificação deste faz-de-conta. É onde Shazam! acerta. É, para todos os fins, um filme "infanto-juvenil" feito para a criança que vive dentro de um adulto. O diretor David F. Sandberg e o roteirista Henry Gayden buscaram nas suas próprias referências de infância o que os motivava como espectadores.

Daí que Shazam! tem um espírito claramente de matinês dos anos 1980 e início dos 90. É quase um "Quero Ser Grande versão super-herói" - ao ponto de ter uma referência nada sutil a este título. Mas quem se criou nessas décadas vai se lembrar - mesmo sem entender o porquê - de obras como Os Caça-Fantasmas ou E.T.

Quer dizer que Shazam! é um pastiche dessa época? Não. Os realizadores querem dar alma ao filme, por mais ingênua que esta alma seja. Então, passamos boa parte do tempo com os personagens antes de Billy Batson ganhar seus poderes. Vemos o protagonista criando laços com a família que o acolhe e essas relações bem-cuidadas fazem a diferença. O filme é previsível, mas gostamos tanto dos personagens que passamos a torcer para que o previsível realmente aconteça. 

O roteiro (e o elenco) investem pesado na comédia. Há dúzias de piadas já clichês em filmes de heróis. Mas há outras que fazem graça com o universo dos quadrinhos e com os próprios personagens da DC. Porque sim, Shazam! se passa no mesmo mundo de Batman vs Superman, Mulher Maravilha e Aquaman. As menções à existência dos personagens permeia toda a projeção (incluindo os maravilhosos créditos finais). Mas é uma espécie de "primo anárquico" destes filmes, com mais verborragia e senso de humor. Um Deadpool da DC para crianças, se quiserem. 

Há que se falar que o elenco vai muito bem neste quesito, com performances cômicas bem realizadas. Há personagens genuinamente fascinantes e é fácil criar empatia por todos. Inclusive pelo vilão clássico Dr. Silvana (interpretado por um especialista em antagonistas, Mark Strong). É interessante que o roteiro ensaia um paralelo entre as famílias de Silvana e de Billy Batson, que poderia ser melhor explorado se Shazam! tivesse uma inclinação dramatúrgica mais sisuda. 

No entanto, o filme entrega a sua proposta: excelente diversão. E ainda, pode ser o filme que fará a transição dentro do Universo DC. Ele parece encerrar a era compartilhada e criar novas possibilidades para os filmes futuros. Ou, quem sabe, revitalizar e recuperar de vez uma franquia problemática. 

Há uma cena no meio dos créditos e outra bem no final. 


Jornal NH

Sétima das Artes

por Ulisses Costa
setimadasartes@ziptop.com.br

Ulisses da Motta Costa é cineasta, professor e crítico. Dirigiu os curtas O Gritador (2006), Ninho dos Pequenos (2009), Kassandra (2013) e Luz Natural (2014), além de documentários, clipes e programas para TV. Considera o cinema uma desculpa para grandes aventuras e já filmou nos locais e condições mais improváveis. Até fez mochilão para o Rio de Janeiro para ser assistente de direção no curta Os Olhos de Cecília. Ministra oficinas e palestras sobre cinema para alunos do Ensino Médio e orientou a realização de inúmeros trabalhos escolares em vídeo. Atualmente, está envolvido em projetos de longa-metragem como roteirista e como preparador de elenco. Escreve o Sétima das Artes desde 2007 e também para a Like Magazine.

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