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Sétima das Artes

Crítica: Duas Rainhas

Drama de época sobre as rainhas Elizabeth I e Mary da Escócia vai engrenando aos poucos
04/04/2019 13:15 04/04/2019 13:20

Duas Rainhas É de se perguntar o porquê de mais um produto audiovisual contar a história do conflito entre Escócia e Inglaterra no período elisabetano. Nas últimas décadas,não foram poucas as representações nas telas das rainhas Elizabeth I da Inglaterra e Mary I da Escócia. Até recentemente, a mesma história foi contada na série Reign, por exemplo, encerrada em 2017. 

Por motivos comerciais, claro: histórias da realeza britânica vendem bem mundo afora. Como nem todos os monarcas da ilha são suficientemente conhecidos, essas recriações acabam se concentrando nos períodos das rainhas mais famosas, como Vitória ou a própria Elizabeth II, atual rainha (no seriado The Crown). Há um grande interesse em especial do público feminino contemporâneo por essas figuras que desafiaram as convenções sociais e políticas do passado. 

É neste contexto que Duas Rainhas se encaixa. Ele é primordialmente um produto da nossa era, feito para ser um retrato consumível e acessível. Não é inesquecível, ainda que bem realizado, nem arrebatador, ainda que respeite o desenrolar dos fatos históricos. 

Apesar do título (e o primeiro ato da projeção) implicar que a narrativa traçará um paralelo constante entre Mary (Saorise Ronan) e Elizabeth (Margot Robbie), logo o roteiro vira o seu foco na história da rainha da Escócia. Não à toa, já que o título original é Mary Queen of Scots. No início, o filme começa confuso e trôpego, tendo que ser muito didático para o espectador entender seu contexto político e social. Aos poucos vai se aprumando. No fim, conta a história de maneira eficiente -- ou melhor, suficiente. 

A diretora Josie Rourke vem do teatro, e isso garante que o elenco cumpra bem o seu papel. Talvez Saorise Ronan e  Margot Robbie estejam muito focadas em receber novas indicações ao Oscar, o que deixa um leve afetamento no ar em determinadas cenas. Há aqui e ali algum bom momento visual, num plano mais bem fotografado. Mas, sob uma ótica mais analítica, seu acabamento não é muito diferente de um produto televisivo bem realizado. 

Há escolas interessantes, porém. É um dos poucos retratos menos glamourosos de Elizabeth, mencionando inclusive as suas cicatrizes faciais por causa de uma doença. Questões da sexualidade e do comportamento da realeza são abordados, mas não espere por nada muito chocante. Há também a decisão de trazer diversidade para o elenco, com atores negros e asiáticos em papéis importantes. Essa liberdade poética, porém, parece neste caso condescendência comercial para que o público compre o título como tendo uma proposta inclusiva. Acaba soando mais como um agrado puramente mercadológico do que um resgate da posição de pessoas não-caucasianas naquela sociedade. 

No fim, talvez isso transforme Duas Rainhas num produto datado com o passar do tempo. Mas note quantas vezes eu usei palavras relacionadas a consumo neste texto, tais como "comercial", "produto", "comprar". É isso: Duas Rainhas é um produto consumível. Quanto mais rápido for assistido, melhor. 

Jornal NH

Sétima das Artes

por Ulisses Costa
setimadasartes@ziptop.com.br

Ulisses da Motta Costa é cineasta, professor e crítico. Dirigiu os curtas O Gritador (2006), Ninho dos Pequenos (2009), Kassandra (2013) e Luz Natural (2014), além de documentários, clipes e programas para TV. Considera o cinema uma desculpa para grandes aventuras e já filmou nos locais e condições mais improváveis. Até fez mochilão para o Rio de Janeiro para ser assistente de direção no curta Os Olhos de Cecília. Ministra oficinas e palestras sobre cinema para alunos do Ensino Médio e orientou a realização de inúmeros trabalhos escolares em vídeo. Atualmente, está envolvido em projetos de longa-metragem como roteirista e como preparador de elenco. Escreve o Sétima das Artes desde 2007 e também para a Like Magazine.

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