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Sétima das Artes

Crítica: Deslembro

Drama nacional tem protagonista rara e construção sensível
20/06/2019 03:14

Deslembro Deslembro é a primeira ficção dirigida pela roteirista Flávia Castro -- que escreveu o excelente Nise: O Coração da Loucura (2015). Este novo drama não é incomum ao cinema nacional: uma trama familiar passada no Rio de Janeiro, desenvolvido sem pressa e com sensibilidade. Vê-se muito das afetividades da realizadora perpassando a história. No entanto, esses traços pessoais não atrapalham o envolvimento do público com o filme. Ele é muito bem realizado e, especialmente, atuado. 

A história se desenrola na passagem dos anos 70 para os 80. A protagonista Joana (Jeanne Boudier) é uma adolescente que vive com a mãe na França, exiladas da terra natal por conta da ditadura. A família de Joana é um reflexo confuso do período: o padrasto é um refugiado chileno, que por sua vez tem um filho adolescente; e há ainda um irmão menor, fruto da relação entre este chileno e a mãe de Joana. 

Contrariada, Joana volta ao Brasil acompanhada da família e, em meio à adaptação forçada, ela busca se conectar com a memória do pai biológico -- morto enquanto estava na luta armada. A jovem passa por uma jornada de autoconhecimento, de se entender brasileira e descobrir qual o lugar da sua família neste mundo novo. 

O panorama construído em torno da personagem é sofisticado. Ela ouve rock, em especial Lou Reed -- a trilha do filme é cheia de clássicos estrangeiros do período que tocam num walkman que a garota empresta da mãe. Mãe e padrasto se empenham em lhe dar uma educação literária. Mas, no fundo, o importante são as atitudes cada vez mais distantes dos adultos. A mãe de Joana, apesar de jovem, não sabe dialogar com a filha que está se tornando adulta. O padrasto vira ausente, engolfado pela política. Enquanto isso, flashbacks vão reconstituindo uma memória angustiante da protagonista. 

Metade dos méritos de Deslembro é da protagonista Jeanne Boudier. Se ela não tivesse sido encontrada, arrisco a dizer que o filme não seria feito. Ela é uma joia rara, como se tivesse sido criada por inspiração divina para esse papel. A jovem fala fluentemente francês e português (e o roteiro exige que se domine as duas línguas para dar veracidade aos personagens), além de espanhol. Junto a isso, tem um olhar constantemente melancólico, que nos faz mergulhar na sua psiquê. 

É uma obra que deve entrar em poucas salas, mas merece ser assistida. 

Jornal NH

Sétima das Artes

por Ulisses Costa
setimadasartes@ziptop.com.br

Ulisses da Motta Costa é cineasta, professor e crítico. Dirigiu os curtas O Gritador (2006), Ninho dos Pequenos (2009), Kassandra (2013) e Luz Natural (2014), além de documentários, clipes e programas para TV. Considera o cinema uma desculpa para grandes aventuras e já filmou nos locais e condições mais improváveis. Até fez mochilão para o Rio de Janeiro para ser assistente de direção no curta Os Olhos de Cecília. Ministra oficinas e palestras sobre cinema para alunos do Ensino Médio e orientou a realização de inúmeros trabalhos escolares em vídeo. Atualmente, está envolvido em projetos de longa-metragem como roteirista e como preparador de elenco. Escreve o Sétima das Artes desde 2007 e também para a Like Magazine.

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