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Pendurou as chuteiras

Preto, ídolo e eterno capitão do Noia, anuncia aposentadoria

Após 20 anos de carreira no futebol, o meia hamburguense João Luís Ferreira da Silva, o Preto, anunciou sua aposentadoria
29/03/2019 03:00 29/03/2019 08:51

Com as mesmas chuteiras que calçou no eterno dia 7 de maio de 2017, quando levantou a taça do Campeonato Gaúcho em cima do Inter, no Estádio Centenário, em Caxias do Sul, o meia hamburguense João Luís Ferreira da Silva, o Preto, encerrou suas atividades como jogador profissional de futebol aos 37 anos de idade. Na noite da última quarta-feira, contra o mesmo adversário, mas desta vez no Beira-Rio, em Porto Alegre, o capitão do título estadual do Anilado pendurou as chuteiras após 46 minutos disputados pelo segundo jogo das quartas de final do Gauchão. Nessa temporada, a glória para cima do Colorado não veio, mas todas as vezes que Preto vestiu e honrou o manto anilado ficarão para sempre na memória dos torcedores.

Conforme levantamento do roupeiro Arno Mertins, o Gringo - que contabiliza todos os jogos dos atletas que passaram pelo clube -, Preto atuou em 185 oportunidades com a camisa anilada. As primeiras ocorreram em 2004, recém-chegado ao antigo Estádio Santa Rosa, após seu irmão Fabiano ter conseguido um teste no Noia. Depois, no ano seguinte, vieram os títulos da Copa Emídio Perondi e Copa RS. Após brilhar e ser o destaque do Gauchão de 2006, Preto acumulou passagens por outros clubes, inclusive das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, somadas ainda às idas e vindas para o Novo Hamburgo. Jogou no TSV Schwieberdingen (ALE), Stuttgarter Kickers (ALE), Zaglebie Lubin (POL), São Caetano (SP), Portuguesa (SP) - onde é reconhecido até hoje -, Guarani (SP), Atlético Goianiense (GO), Vitória (BA), Vila Nova (GO), Bragantino (SP), Caxias (RS), São Luiz de Ijuí (RS) e Ypiranga (RS).

Foto por: Inézio Machado/GES
Descrição da foto: Preto concedeu entrevista exclusiva ao Jornal NH

Nova vida

O anúncio do jogador veio em entrevista coletiva após o duelo com o Inter. Para Preto, que já havia avisado parte da família sobre a decisão de encerrar a carreira, foi um momento difícil, mas feliz por ter conseguido atuar pelo menos durante todo o primeiro tempo na quarta-feira. Após a conquista do Gauchão de 2017, foram dois anos em que o meia convivia diariamente com dores e sofrimento pelo seu corpo não conseguir corresponder ao que ele realmente gostaria.

Um dia após revelar sua aposentadoria, Preto afirmou que nem dormiu a noite passada. "Se eu dormi duas horas foi muito. Fiquei triste pela desclassificação, pois sabíamos que poderíamos alcançar algo melhor. Mas faz parte do futebol. Agora se inicia uma nova vida", destacou o camisa 7, que pretende retomar os estudos antes de projetar seu futuro, que provavelmente será no futebol. Em 2017 mesmo, após a Série D do Brasileiro, Preto já teve a primeira experiência como coordenador técnico da Base do Noia. "Feliz de ter deixado um legado e de ter feito parte de um clube centenário", completou Preto.


De volta ao campinho

A humildade e a simplicidade sempre foram marcas registradas do capitão Preto. Sem contar que muitos jogadores vão sentir falta do cabeleireiro particular, porque, além de liderar o vestiário, até essa função João Luís desempenhava. Nesta quinta-feira, na folga do grupo anilado após a queda no Gauchão, o meia voltou ao Estádio do Vale apenas para a entrevista exclusiva ao Jornal NH. E como não poderia ser diferente, se emocionou, chorou, riu e brincou com a equipe de reportagem. Traços característicos de uma pessoa vencedora e que se orgulha de todos os obstáculos que enfrentou na vida, e lógico, de alguém que nunca esqueceu suas origens. E por falar nisso, Preto apresentou o campinho da Praça Assis Barreto da Costa, na Rua Holanda, no bairro Petrópolis, palco dos seus primeiros passos com a bola nos pés. Depois veio o começo no futsal, com o primeiro treinador Marcelo Stoffel.

PRETO: meia do Anilado

Para o pai Waldomiro, o Catarina, 73, o orgulho do filho é muito grande. "Foi muito batalhado para ele chegar onde chegou. Aquela garra que vocês viam no campo de futebol sempre foi essa. Estou satisfeito, deu muitas alegrias para a família toda (esposa Veni e os outros seis irmãos do jogador). Fico emocionado de falar, sabendo que ele se criou onde vocês estão vendo", comentou Catarina, que agradeceu ao Rosalvo Johann, o Maneca, pela oportunidade dada a Preto, em 2004.

Entrevista

Como foi acordar um dia depois de anunciar sua aposentadoria?
Preto -
Ontem (quarta-feira) eu já havia comunicado minha família e a Elenise Martins (assessora de imprensa do Noia), mas quando deu oito minutos eu senti uma fisgada na coxa, e apenas pedi a Deus que me deixasse jogar os 45 minutos, porque queria encerrar jogando pelo menos um tempo. Agradeço por ele ter me dado forças e ter terminado com uma vitória. Agora passa um filme na cabeça. Fui para o banco de reservas pensando que não iria mais viver aquele momento de jogar no Beira-Rio, na Arena, e em outros vários campos em que joguei no Brasil. Passa um filme, mas não triste, de muita alegria. Sou muito realizado. Queria ter jogado em clube talvez de maior expressão, num Inter, num Grêmio, ou até mesmo na seleção brasileira, que é o sonho de todo o atleta. Mas sempre falei para mim que Deus me deu o que era para ser. Hoje (ontem) acordei bem, recebendo muitas mensagens dos amigos e familiares. Felicidade. Acho que essa palavra resume tudo que vivi nesses 20 anos de futebol.

Quais são as tuas principais lembranças desse tempo no futebol? E agora vai sobrar uma folga para jogar com os amigos aos finais de semana, não?
Preto -
Com certeza, futebol eu vou jogar para sempre. Nossas "peladinhas" de fim de semana, já tive alguns convites para jogar (risos). Mas assim, eu passei muitas dificuldades, mas graças a Deus em casa nunca faltou nada. Meu pai, sapateiro, sempre honrou nosso alimento de cada dia. Com 17 anos, foi quando iniciei no campo, quando foi minha primeira passagem na Alemanha. Meu pai, meu parceiro, apostou muito em mim, ele tinha um sonho que, de cinco filhos homens, pelo menos um fosse atleta profissional, e consegui realizar esse sonho dele. E passa o filme de tudo que se plantou e colheu no caminho. Desde o campinho (no bairro Petrópolis) ao Maracanã, que foi um dos maiores estádios em que joguei. E hoje (quinta-feira) recebi uma ligação, do Silvio Larssen (ex-gerente de futebol do Noia). Ele foi o primeiro a abrir a porta para mim no clube, e ele me lembrou do tempo que eu chegava ao Santa Rosa todo molhado da chuva. Esses são os momentos que vão ficar marcados. A gente vive tanta coisa, mas o que mais se leva são as amizades. Hoje, com o telefone tocando, com as mensagens, estou vendo quantos amigos eu tenho. E foram os momentos de dificuldades, longe da família, que me fizeram crescer como homem, pai e profissional. Agora é tentar passar isso para os meninos aqui do Novo Hamburgo e para o meu filho (João Vítor), que tem o sonho de ser atleta.

Quais são os planos para o pós-carreira?
Preto -
Ainda é muito cedo. Estou fazendo algumas coisas que preciso, estudos que tenho que terminar. E projeto sim ficar no meio do futebol, por que não no Novo Hamburgo, onde todos me conhecem e sabem do meu caráter?

Algum agradecimento especial neste final de ciclo?
Preto - 
Quero deixar um abraço a todos os anilados. Recebi muitas mensagens deles, e quantas foram as viagens. Agradeço a todos do clube também, mas em especial à Elenise, porque (esse ano), quando machuquei, achei que não jogaria mais o campeonato (pausa para as lágrimas). Ela disse que eu iria sim. E também ao Luizinho Valentin (diretor de futebol do Noia), que em 2005 acreditou em mim, foi ele que fez meu negócio no São Caetano. E a um cara que não está mais aqui, que é o Beto Campos, porque ele disse em 2017 que o meia dele seria o Preto. Com certeza, agora estarei na arquibancada torcendo, vibrando e ainda vou ver o Novo Hamburgo numa Série B de Brasileiro, no mínimo.

Jornal NH
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