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Mauro Blankenheim

Um Tostão que vale ouro

"A primeira pergunta que sempre surge é: jogaria hoje? Fácil de responder. Jogaria em qualquer time"
08/02/2019 15:51

Mauro Blankenheim Mauro Blankenheim é publicitário
mauroblankenheim.com.br

Recentemente pude assistir a uma entrevista do Sr. Eduardo Gonçalves de Andrade, hoje médico e, no período 1960/1970, astro do futebol mineiro, integrante da inesquecível equipe do Cruzeiro, que rivalizava à altura com o então mundialmente imbatível esquadrão do Santos de Pelé.

Tostão é hoje um dos mais conceituados analistas de futebol do País, e usa sua inteligência e conhecimento para criticar, avaliar e até mesmo elogiar certas coisas que aparecem no novo futebol a que estamos nos acostumando a curtir a cada dia.

Já com 72 anos, calvo e exibindo um resto econômico de cã, Tostão adquiriu sintomas da terceira idade: esfrega a digital do polegar no segundo e terceiro dedos, ergue as sobrancelhas quando o assunto lhe interessa sobremodo, enquanto o maxilar vibra com as palavras não ditas e treme com certa ansiedade pelas que virão a ser.

Tive a felicidade de ver Tostão jogar. Ao vivo e pela tevê. A primeira pergunta que sempre surge é: jogaria hoje? Fácil de responder. Jogaria em qualquer time mesmo sem o olho que o fez desistir do futebol preventiva e prematuramente. Tostão preferiu enxergar a jogar, pois o descolamento de retina poderia privá-lo de nos brindar hoje com suas brilhantes análises do esporte.

Tostão não é o único boleiro médico. Outros como Sócrates e Afonsinho, dotados da inteligência suficiente para fazer uma troca profissional tão radical, se tornaram famosos pelo senso crítico que aplicavam a tudo que viam ocorrer dentro dos clubes em que atuaram. Sócrates fundou a Democracia Corinthiana e Afonsinho tornou-se notável por ser um líder político dentro do Botafogo nos rudes anos de chumbo. Ouvir Tostão falar sobre futebol é um requinte intelectual, pois ele, mesmo podendo sofisticar o vocabulário, prefere se comunicar em um Português acessível a todos que admiram o esporte e assim nos presentear com uma rica e ao mesmo tempo simples visão de quem esteve lá dentro jogando com os grandes campeões da Copa de 1970 e com seus companheiros, Dirceu Lopes, Raul, Zé Carlos, Natal, Nelinho e Piazza.

Zagallo, o técnico brasileiro na Copa de 70, não sabia onde colocar Tostão, tal era a riqueza da safra de atletas talentosos. Inventou para ele um lugar de centroavante falso, flutuando entre o meio-campo e o ataque. Tostão mesmo sem entender direito o que iria fazer, desempenhou além das expectativas, fazendo jogadas que deixaram o mundo de queixo caído (eu devia dizer de cara). Tostão é uma prova viva de que talentos em nenhuma circunstância devem ser desperdiçados, mesmo quando aparentemente não há lugar para eles, ou quando os colocamos fora de sua posição de origem.


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