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Cris Manfro

Lenha e gratidão

28/06/2019 15:42 28/06/2019 15:42

Cris Manfro NOVO

Cris Manfro é psicóloga clínica, terapeuta de família e casal e mediadora familiar
acmanfro@terra.com.br

Acredite: muitas crianças e adolescentes não sabem o que é lenha. A lenha era usada para abastecer os fogões, que não eram a gás. Na minha casa, custou a ter fogão a gás. O primeiro que minha mãe ganhou (fogão era para as mulheres) foi meu irmão que deu, mesmo assim, poupávamos o gás e, como não tinha aquecedor, o fogão à lenha era usado para aquecer a casa no inverno. Menos o banheiro, pois, era aquecido com canequinha de alumínio com álcool, onde se colocava fogo. Ninguém pensava em perigo na época. Se você, não souber o que é me escreva que eu explico.

A lenha era trazida na maioria das vezes por carroça. Lembro da minha imensa alegria quando ela chegava. Significava que não passaríamos frio, que teríamos comida quentinha e pinhão na chapa. Uma das boas lembranças que tenho da minha infância: acordar e sentir o cheiro do pinhão assado. A lenha era trazida, largada na calçada, e tinha que ser levada para dentro, no nosso caso, um porão. Pegávamos um saco de estopa, colocávamos a lenha e, em dois, pegávamos o saco nas pontas e fazíamos várias viagens, até levarmos para dentro. Esse era meu trabalho e de minha mãe. Seria trabalho infantil escravo hoje? Então, vinha a segunda parte: empilhar a lenha. É aí que entra o motivo desse nosso papo.

Tudo isso era feito com muita alegria, disposição, e eu, que sempre fui metida, queria ser a mais rápida, a com mais disposição, e que empilharia melhor. Mas, de verdade queria mesmo é que meus pais tivessem orgulho de mim. Não existia preguiça, porque passar trabalho era uma honra e uma gratidão. Eu tinha orgulho daquela lenha, a mensagem era: nós vencemos e estaremos protegidos do inverno.


Não quero com isso dizer que as crianças devam passar trabalho na vida. Mas, carregar lenha ajudava a formar cooperação, disciplina, ordem, capricho ao empilhar, responsabilidade e força. Eu, que era franzina, de onde eu tirava força para carregar parelho, com a minha mãe aquelas milhas de lenha? A resposta é um misto de vontade real de fazer aquilo, com o ingrediente que eu acreditava que eu era capaz e conseguiria. Eu esperava e tinha foco no resultado: ver tudo "lindo," empilhado e a sensação de que estaríamos protegidos. Tinha orgulho dos meus pais e gratidão por termos lenha e, essa talvez, seja uma grande diferença de muitas pessoas e das novas gerações. Você, não precisa empilhar lenhas para aprender a ter gratidão. Tem que apreciar o que fazem por você e o que você é capaz de fazer pelos outros. Eu garanto que, assim, o inverno dos nossos corações serão aquecidos.

Jornal NH
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