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Ivar A. Hartmann

Extremista é sempre o próximo

28/06/2019 18:50

Ivar A. Hartmann Ivar A. Hartmann é professor da FGV
ivar.hartmann@fgv.br

Fala-se muito que o Brasil passa por um período de polarização política e de posições extremadas. O curioso é que muitas pessoas concordariam que esse mal assola o debate público no País, mas jamais identificariam suas próprias posições como extremadas ou seu discurso como aquele que é polarizado. Extremista é sempre o próximo.

Obviamente ninguém quer estar do lado errado da história e por isso oportunidades de testar sua posição são sempre muito bem-vindas. O vazamento das conversas entre Sergio Moro e Deltan Dallagnol é um dos melhores testes disponíveis nos últimos anos para quem se acredita sempre racional e ponderado e jamais passional.

As condições são apropriadas, porque o debate sobre veracidade das conversas foi ultrapassado no momento em que os próprios protagonistas a confirmaram. Apenas posteriormente, em uma estratégia hábil e politicamente válida passaram a usar como defesa a dúvida sobre a autenticidade dos diálogos. Questionamentos com base em críticas à seriedade ou parcialidade do site The Intercept ficaram vencidos com a participação da Folha de São Paulo na análise e divulgação do material.

Qual é o teste para saber se o leitor está mais para extremista ou mais para ponderado? Simples: sua posição sobre o mérito da atuação da operação Lava Jato mudou após ler as conversas?

Uma resposta “não” é preocupante. Ela pode vir por duas razões.

A primeira é que o leitor já tinha absoluta certeza de que Moro estava perseguindo o ex-presidente Lula desde o início. Sua convicção na teoria de que toda a operação é um bem orquestrado golpe político no Partido dos Trabalhadores, com a participação do Judiciário, não muda em nada com a divulgação das conversas. É preocupante, porque nenhuma evidência de parcialidade de Moro até aqui chega sequer aos pés do conteúdo das conversas com Dallagnol. Não havia nada parecido e ainda assim o leitor já estava convicto.

A segunda razão possível para a resposta "não" é que o leitor acredita totalmente na lisura da Lava Jato e sua profunda fé não consegue ser minimamente abalada não importa qual prova venha a surgir. Toda e qualquer crítica à operação torna a fonte automaticamente suspeita de estar defendendo a volta do comunismo no Brasil.

Infelizmente, poucas pessoas no País mudaram de posição sobre a Lava Jato após a divulgação das conversas. E é justamente disso que nosso País mais precisa nesse momento. Contra a polarização e o extremismo, precisamos de menos fé inabalável e mais senso crítico sensível a provas.

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