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Opinião Cris Manfro

A incapacidade da gentileza

Última atualização: 30.08.2019 às 15:23

Cris Manfro NOVO Cris Manfro é psicóloga clínica, terapeuta de família e casal e mediadora familiar
acmanfro@terra.com.br

Estávamos eu e meu marido, de férias, sentados à beira de uma piscina, quando veio uma senhora, americana, com mais de 80 anos, elegante, uma lady. Senta ao nosso lado e pergunta de que país nós éramos e, a partir desse momento, não parou mais de falar e contar sobre ela. Contou que estava no hotel com uma amiga mais jovem. Contou que gostavam de viajar, que era viúva, adorava os filhos e era enfermeira. Na manhã seguinte, volto a vê-la, dessa vez com a amiga. Ela apresenta a amiga, bem mais “jovem”, também na faixa dos 80.

Me lembrei da avó do meu marido, chamada avó “Ina”, que, certa vez, me perguntou onde estava a minha mãe e, quando eu respondi que estava viajando, ela bateu na mão de forma afirmativa e me disse: “bem que ela faz, tem que aproveitar enquanto se é jovem”. O detalhe é que minha mãe tinha 80 anos. Mas como a avó Ina tinha noventa, fez sentido dizer que minha mãe era jovem. Voltemos à história das “meninas” do hotel. Eu entro na piscina e, do outro lado, vejo a mais nova sentar para pôr os pés na água, mas, quando resolve levantar, não consegue. A amiga corre para ajudar, mas não tem força. O mais interessante é que um homem jovem, na faixa dos 50 anos, estava ao lado e ficou olhando a cena, sem levantar de sua cadeira para ajudar. Ninguém que via a cena foi ajudar, eu grito ao meu marido que estava lendo, que corre em disparada para socorrer.

Elas agradecem e a que não conseguia levantar desabafa que foi terrível a situação. Que se sentiu como uma tartaruga sem poder se virar e levantar. Não era coluna, nem as pernas, era a idade! Não tinha força. Levamos em tom de brincadeira, mas a conversa ficou profunda e triste, porque ela falou da “humilhação” que sentiu de ter que contar com a ajuda das pessoas e, pior: ficar à espera e não receber um gesto de gentileza. Pensei em tantas situações, onde as pessoas de idade não recebem um pouco de empatia. Em breve eu e você estaremos incapacitados ou com dificuldade para as coisas mais simples da vida.

Como é difícil ficar vulnerável e não receber socorro. Pensei no fato dela dizer que sentiu vergonha da situação, quando vergonha é que existam pessoas sem empatia, sequer para serem educadas. Abrir porta para uma senhora, auxiliar um idoso a descer ou subir uma escada, auxiliar a carregar as compras, dar lugar para passar em primeiro, nada mais do que educação. Querida amiga, a tristeza desses limites do tempo é real. Mas mais triste é a incapacidade das pessoas serem gentis, amáveis, cordiais ou simplesmente educadas. O verdadeiro limite não é a idade, mas é a falta de amor e respeito ao próximo.

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