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Gilson Luis da Cunha

Quentin entrega o que promete (mesmo que não prometa)

06/09/2019 13:35

Gilson Luis da Cunha Gilson Luis da Cunha é doutor em Genética e Biologia Molecular pela Ufrgs, Old School Nerd, fã incondicional de livros, filmes, séries e quadrinhos de ficção científica, fantasia e aventura
www.gilsonluisdacunha.com.br

(DATA ESTELAR 08092019)

Na semana que passou, consegui um tempinho para assistir Era Uma Vez Em Hollywood, o mais recente filme de Quentin Tarantino. Em meio a polêmicas, boa parte delas lançadas por críticos millenials com uma visão equivocada, fui ao cinema sem expectativas a não ser assistir a uma boa reconstrução de época e aquelas doses cavalares de nostalgia que o diretor sabe tão bem administrar. Temos a Hollywood do final dos anos 60, quando o sistema de estúdios e astros, o famoso star system, estava em franca decadência. Assistimos ao avanço da TV em cores deixando para trás os velhos seriados em preto e branco dos anos 50 e mostrando que ela veio para ficar. E também há a crônica sobre uma sociedade em ebulição, com o movimento hippie, a contracultura, e, acima de tudo, os bastidores de Hollywood.

Era uma vez em Hollywood O ano é 1969. Rick Dalton (Leonardo Di Caprio, em inspirada interpretação) é um astro de TV acostumado a interpretar caubóis em seriados. Ele vê seu prestígio decair aos poucos, já que só é convidado para fazer vilões que apanham de galãs mais jovens. Enquanto busca desesperadamente se reinventar para sobreviver numa indústria em transformação, ele e seu dublê, faz-tudo, e melhor amigo, Cliff Booth (Brad Pitt, em seu papel mais divertido desde Clube Da Luta) vagam por Los Angeles e arredores em busca de oportunidades. Booth é um sujeito problemático, com um passado sombrio, mas que não parece dar a mínima para o que acontece ao seu redor. Ele é o esteio que ainda mantém Dalton de pé. E a recíproca também é verdadeira. As andanças de ambos os levam dos bastidores da indústria do cinema ao mundo dos hippies.

Em paralelo com a história da desfortunada dupla, o filme também conta a história dos novos vizinhos de Dalton: Sharon Tate (Margot Robbie, encantadora) e seu marido, o cineasta polonês Roman Polanski. Ambos estão no Olimpo de Hollywood, principalmente Polanski, após o estrondoso sucesso de seu filme, O Bebê De Rosemary. Eles vivem uma vida glamorosa, sendo convidados habituais das festas mais concorridas da cidade. Festas que incluem astros de primeira grandeza, como Steve McQueen (Damian Lewis, numa caracterização extraordinária). Os destinos de Dalton, Booth e Tate se cruzarão de um modo inesperado na noite de 9 de agosto de 1969. Mas não pense que esse filme, apesar da cuidadosa reconstituição de época, se trata de uma história semidocumental. Após ter reinventado a segunda guerra mundial em Bastardos Inglórios, Tarantino nos surpreende novamente com uma guinada que transforma um drama de época em uma trama de história alternativa digna de O Homem Do Castelo Alto. E vou ficando por aí, porque ninguém gosta de spoilers.

Sim, o filme teve críticas (acusações seria o termo mais correto) de ser um filme racista, fascista, trapezista, feio, bobo e tantos outros adjetivos batidos pela legião da falsa virtude, aquele povo que adora fazer textão na Internet, que se acha o ápice da igualdade, liberdade e fraternidade, mas que quer que metade do mundo morra, para que a sua metade, bondosa, gentil, sensível e esclarecida, possa prosperar. Sim, o filme tem momentos de estranheza, como a tal cena com Bruce Lee (Mike Moh, em outra espantosa caracterização). Todos fumam como condenados. O racismo está no ar. Mas eram os anos 60! Nada mais ridículo do que tentar higienizar o passado. Com essa desculpa, já há gente nos EUA querendo banir Shakespeare. No Brasil, falam em banir Monteiro Lobato.

Acima de tudo, Era Uma Vez Em Hollywood é um pungente libelo pela liberdade de expressão e um soco bem dado no estômago dos justiceiros sociais dos dias de hoje, personificados no filme pelos membros da família Manson. O filme também é uma deliciosa demonstração da boa e velha masculinidade tóxica dos caubóis de antigamente, o mesmo tipo de masculinidade que salvou o mundo de Adolf Hitler na segunda guerra mundial, e que hoje é combatida à exaustão pelos sinalizadores de virtude. Teria o mundo a mesma sorte nos dias de hoje? Acho difícil. Era Uma Vez Em Hollywood é um filme otimista e, só pelo delicioso final, já vale o ingresso.

Curiosamente, na sessão em que fui, estava passando um trailer de um filme espanhol, cujo título não recordo, no qual um cineasta, ao filmar o duelo final entre um mocinho e um bandido num western, bate pé e decide que o público precisa ser "reeducado". Contra tudo e contra todos, ele quer que o vilão seja perdoado no final. Sério? Cansei de ver isso em novelas. E era frustrante. Não mesmo! No final, esse trailer acabou virando um aperitivo involuntário para o verdadeiro show que assisti em seguida. Acho que o roteirista desse filme devia era tomar umas cervejas com Tarantino. Talvez conseguisse um final ainda mais original do que esse. Vida longa e próspera e que a força esteja com você. Até domingo que vem.

Jornal NH
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