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Opinião Eugenio Paes Amorim

Sobre loucos e normais

Publicada: 07.09.2019 às 14:12

Eugenio Amorim

Eugenio Amorim é promotor de Justiça
epa1966@hotmail.com

Desde criança ouço as pessoas classificarem aos viventes entre loucos e normais e isso me remete a profundas reflexões. Afinal de contas a classificação é mesmo essa? E o que seria a normalidade e a loucura? Seriam conceitos e momentos permanentes ou agudos? Alguma destas espécies é inútil, danosa ou mais importante uma do que a outra?


Depois de décadas avaliando (e fazendo autoavaliação), ainda busco conclusões, mas penso estar próximo da maioria delas.

A primeira delas diz com que, para mim, é certo que muitas vezes a normalidade acompanha a comodidade, a passividade, o medo, a falta de ousadia. E a loucura acompanha os empreendedores, os contestadores, os criadores, aqueles que de tempos em tempos fazem o mundo e o ser humano avançar. Aliás, não é outra a percepção que temos quando estudamos a história da humanidade e de seus personagens mais marcantes. A maioria dos cientistas, descobridores, grandes comandantes, estadistas, tinha seu quê de louco ou era completamente doido.


Não digo com isso que os normais não tenham a sua importância. Seu papel, inclusive, e muitas vezes, é o de conter os loucos na medida para que não ultrapassem a segurança. Loucos e normais, assim, se completariam, uns necessitando dos outros.
Mas também há um aspecto interessante a analisar: Os loucos seriam permanentemente loucos, desconhecendo momentos de normalidade e os normais, ao oposto, nunca teriam momentos de loucura? Penso que não. O louco ou normal é conceituado a partir dos momentos preponderantes de suas atuações.


Mas algo é certo: Muitos normais contestam e criticam os loucos por pura inveja. Na verdade queriam um pouco ao menos daquela loucura com a qual não foram afortunados. Já os loucos entendem os normais e seguem na sua inafastável loucura.

É verdade, dirá você leitor, que os loucos causam mais danos que os normais. Talvez um pouco mais, porque os danos causados pelos loucos são sempre explícitos. Os loucos, diferentemente dos normais, não tem muita convivência com coisa ocultas e igualmente ou muito mais danosas como a falsidade e a dissimulação.


Bueno, estou me sentindo um verdadeiro Erasmo de Rotterdam, que escreveu a sublime obra "Elogio à Loucura", remodernizando esta visão do mundo pelos loucos. Você dirá que este artigo é uma autoanálise, uma autodefesa ou até mesmo um lampejo de prepotência e arrogância de um louco. E pode ser.

Mas é fato que adoramos a vocês, normais, e curtimos nossos momentos de normalidade. A sugestão é que façam o mesmo e curtam um tanto e culpem menos a loucura!!!

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