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Vale do Caí

Paraguaios trabalhavam de forma ilegal em fábrica clandestina de cigarros em Montenegro

Local, fechado pela Polícia Civil na quarta-feira, era chefiado por facção do Vale do Sinos
20/12/2018 08:51 20/12/2018 09:01

Foto por: Polícia Civil
Descrição da foto: Fábrica produzia cigarros clandestinos e com selo tributário do Paraguai
Uma fábrica clandestina de cigarros foi descoberta pela Polícia Civil no fim da tarde desta quarta-feira (19) em Montenegro. No local, que fica na localidade de Calafate, na zona rural do município, três pessoas foram presas e um grupo de 11 paraguaios trabalhando ilegalmente foi encontrado. Eles estavam em condições precárias e o trabalho era análogo à escravidão.

De acordo com o titular da 1ª Delegacia de Montenegro, Paulo Costa, a apreensão de materiais feitas na fábrica é estimada em mais de 50 milhões de reais. E o esquema de venda dos cigarros, que tinham até o selo tributário do Paraguai, movimentaria cerca de R$ 1,2 milhão por mês. No local, foram apreendidos mais de dez toneladas de cigarros, prontos para venda. "Encontramos anotações de 2013. Então, acreditamos que se trata de um esquema antigo. Eles tinham anotações que já projetava 2019", afirma Costa.

A Polícia chegou até a fábrica quase "sem querer". Segundo o delegado, os policiais investigavam um golpe de estelionato envolvendo a venda de trator e, no decorrer da apuração, fizeram uma apreensão de uma carga de cigarros na região. Durante o cumprimento de dois mandados de busca para o local suspeito, os agentes encontraram um enorme galpão, ao lado de uma residência, em uma área com mata nativa e plantações.

Foto por: Polícia Civil
Descrição da foto: Polícia encontrou mais de 10 toneladas de cigarros em fábrica clandestina


Fábrica é de facção do Vale do Sinos

Segundo o delegado, a investigação aponta para uma facção que tem sede no Vale do Sinos, mais especificamente em Novo Hamburgo e São Leopoldo. O bando domina o tráfico na região e tem atuação em várias regiões do Estado, no Uruguai e também no Paraguai. Dos três homens presos, um é brasileiro e tem ligação com a facção. Ele não teve o nome divulgado para não atrapalhar as investigações. 

 

Mão de obra paraguaia

Ao menos 13 paraguaios foram encontrados no local. Dois foram presos. Os outros 11 estavam em condições precárias, segundo o delegado Paulo Costa. Há indícios de exploração de trabalho em por isso, eles são tratados com vítimas.

Segundo o delegado, os paraguaios vinham do país vizinho, usando toucas para não saber para onde estavam vindo. De tempo em tempo, eram trocados por outro grupo. "Havia uma agenda até final de 2019, onde tinha nomes de paraguaios que viriam ao Estado", conta Costa.

A Brigada Militar deu apoio a operação. O Grupamento de Operações Especias (GOE) da Polícia Civil também foi chamado para garantir a segurança do local, que é de difícil acesso. A Receita Federal é esperada para apreender os equipamentos encontrados na fábrica clandestina. O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) também é aguardado.

Jornal NH
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