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Os locais mais perigosos no trânsito das cidades da região

O jornal ABC foi conferir quais são estes pontos e conversou com especialistas


ADAIR SANTOS

Excesso de velocidade, desatenção às regras de trânsito. Acidentes são cena cada vez mais comuns nas cidades, causando mortes, ferimentos e prejuízos materiais, contribuindo também para aumentar os congestionamentos. A pedido da reportagem do ABC Domingo, órgãos responsáveis pelo trânsito realizaram levantamento dos locais mais perigosos em quatro cidades da região: Novo Hamburgo, São Leopoldo, Canoas e Gramado. Para redobrar os cuidados, saiba agora quais são eles.

Em Novo Hamburgo, o ponto com maior incidência de colisões é a rotatória da Praça João 23, próximo ao Colégio Pio 12, que é bem sinalizado e tem semáforos nas avenidas que lhe dão acesso. Como explicar, então, que nos últimos três anos foram registradas 64 colisões? A tentativa de aproveitar o sinal amarelo, que em instantes vai se transformar em vermelho, é um dos fatores. No local, barulho de pneu cantando e de buzina são comuns. Por isso, é preciso ter mais calma ao dirigir, aconselha o diretor de Trânsito de Novo Hamburgo, Ricardo Schiavon. ‘‘É um espaço em que temos o convívio do coletivo. Não estamos sozinhos. Todos têm que prestar atenção em si e nos outros. Por isso, além de seguir as normas é preciso gentileza e cortesia’’, sugere.

Dessa forma, todo cuidado torna-se necessário e é preciso fazer valer aquela máxima Os maiores (caminhões e carros) devem cuidar dos menores (pedestres, ciclistas e motociclistas). Porém, quem anda a pé também tem sua responsabilidade nesse complexo sistema: sempre tem preferência, mas quando há semáforo específico para o pedestre, precisa aguardar o sinal fechar para os veículos. A chefe da Divisão de Educação para o Trânsito do Detran/RS, pedagoga Lais Elizabeth Silveira, dá algumas dicas importantes. ‘‘Na condição de pedestre é preciso observar o trânsito como um todo, verificando os locais próprios e mais seguros para realizar a travessia: faixa de pedestres e semáforo. A regra ‘Ver e ser Visto’ é fundamental para prevenir atropelamentos, no sentido de ter a consciência da fragilidade do corpo em relação a um veículo. Em locais onde não há faixa de pedestre, nem semáforo, o correto é realizar a travessia em linha reta, sem correr, olhando sempre para os dois lados da via’’, conclui.

Em SÃO LEOPOLDO, ponto crítico é o centro


Em São Leopoldo, dois pontos do Centro somam, juntos, mais acidentes do que o registrado neste ano em toda a Avenida Feitoria, por exemplo, uma das maiores da cidade. Conforme levantamento da Guarda Civil Municipal, que contabiliza apenas as colisões com danos materiais, somente de janeiro até agora a esquina da Rua Praça Tiradentes com a Avenida Dom João Becker já teve 14 acidentes. Na quadra seguinte, na esquina da mesma avenida com a Rua Bento Gonçalves, são mais 8 neste ano. “Somente neste trecho de uma quadra já são 22 registros. Em toda a extensão da Avenida Feitoria foram 20”, enfatiza o diretor de Trânsito de São Leopoldo, Paulo Ricardo Kuhn. Entre os fatores que mais contribuem estão a alta velocidade e a falta de atenção. “Muitos se envolvem em acidentes pelo uso do celular ao volante”, reforça. A Guarda tem mantido um agente para orientar o trânsito na esquina da Bento Gonçalves com a Dom João Becker no horário de maior fluxo, entre 16h30 e 19h30.

Em CANOAS, atenção à Av. Boqueirão


Foto por: Paulo Pires/GES
Descrição da foto: Para o comerciante Luís Machado, veículos correm demais em Canoas

De acordo com o secretário de Transportes e Mobilidade de Canoas, Ademir Zanetti, a Avenida Boqueirão é a mais perigosa do município. Extensa, começa depois da BR-116 e liga os bairros Mathias Velho e Guajuviras, os mais populosos. “Tem semáforos, organizamos uma onda verde que, a 40 km/h numa velocidade constante, ajuda o fluxo, mas alguns motoristas correm demais”, avalia. “Registramos uma morte em 2018 e tivemos 405 infrações de velocidade pegas pelo radar”, diz. A Boqueirão concentrou 5,3% dos acidentes totais de Canoas. Em seguida, vêm as Avenidas Guilherme Schell (lateral da BR-116) e Rio Grande do Sul (principal do Mathias Velho). Já em toda a cidade foram 6.750 acidentes e 27 mortes em 2018, revela Zanetti, salientando que são realizadas ações educativas e operações diárias com radar. O comerciante Luís Machado, 42, diz que os motoristas estão correndo demais. “Já presenciei atropelamentos e acidentes. Deveria ter mais faixas de pedestre perto das lojas.”

Mudanças no acesso a GRAMADO


Em Gramado, o secretário de Trânsito e Mobilidade Urbana, Luiz Evando Sá Quevedo, frisa alguns pontos em que os pedestres e motoristas precisam ter mais cuidado. Ele chama atenção para a entrada da cidade, na RS-115, na altura do quilômetro 39. Desde janeiro, o local está em obras para modificar o acesso aos bairros Três Pinheiros e Várzea Grande.

Esteja atento


Dicas de segurança no trânsito

Colaboraram: Priscila Carvalho, Laura Gallas e Jeison Silva

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