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Balde de água

'As pessoas não estão preparadas para tratar com as diferenças', diz defensor público

Mário Rheingantz se disse preocupado com o novo episódio; há menos de quatro anos, caso semelhante aconteceu em São Leopoldo
16/05/2019 08:52 16/05/2019 10:00

Foto por:
Descrição da foto: ATAQUE: vítima dormia sob marquise, quando foi molhada
Menos de quatro anos depois de um vídeo onde um morador em situação de rua era acordado com um balde de água fria no Centro de São Leopoldo viralizar e causar revolta na Internet, caso semelhante voltou a acontecer na região. Dessa vez, em Esteio.

O fato mais recente ocorreu último sábado, ao lado da Faculdades QI, na Avenida Presidente Vargas, no Centro.

A jovem dormia sobre papelões e com um cobertor debaixo de uma marquise quando uma mulher se aproxima com um balde na mão e despeja a água sobre o corpo e o rosto dela. Assustada, ela ainda chega a dar bom dia no momento em que é hostilizada pela outra mulher, que a ordena a pegar suas coisas e sair do local. Toda a ação é filmada por uma outra pessoa. Desnorteada, a moradora de rua recolhe os pertences e sai.

O vídeo foi postado em grupos da cidade no Facebook e compartilhado pelo WhatsApp no final da tarde de terça-feira, o que gerou centenas de comentários. "Um absurdo. Um ato desumano. A pobre da moradora de rua não estava fazendo nada de errado, era só pedir com jeito que ele certamente sairia dali. É uma jovem muito conhecida no Centro. Sempre muito educada. Não faz mal a ninguém", comentou uma mulher que pede para não ser identificada.

De acordo com a diretora das escolas técnicas da Faculdades QI, Patrícia Cardoso, a mulher que aparece nas imagens é de uma empresa de segurança que era contratada pela instituição de ensino, a qual deverá iniciar as aulas na cidade na segunda quinzena de junho. "Estamos há pouco tempo na cidade, e procuramos essa empresa, que é de Esteio, justamente para fomentar a economia local. O serviço prestado por ela era apenas o de alarme. Não sabemos porque ela fez aquilo. Somos totalmente contra. Jamais apoiaríamos ou orientaríamos um tipo de atitude dessas. A escola não tem nada a ver com isso", pontua Patrícia. Ela salienta que após o episódio, o contrato com a empresa de segurança foi rompido.

Durante toda a manhã e até metade da tarde de ontem, a reportagem tentou contato inúmeras vezes com a mulher que aparece jogando água contra a jovem, sem ser atendida. Ela seria proprietária da empresa de segurança eletrônica sediada no centro da cidade.

Vítima em São Leopoldo foi indenizada

Em São Leopoldo, o fato ocorrido em junho de 2015 foi parar na Justiça, com resultado favorável ao jovem hostilizado. Na cidade, a situação aconteceu na Rua Independência e também foi toda ela gravada em vídeo. Nas imagens, o morador de rua dormia na calçada, usando apenas uma bermuda. O homem, funcionário de um restaurante, se aproximava e, com um balde cheio nas mãos, jogava água no jovem. Em meio a risos, o agressor ainda ordenava: "Acorda, vagabundo".

Diante do fato, uma ação indenizatória foi ajuizada pelo Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública (NUDDH-DPERS) e o agressor condenado, em primeiro grau, a pagar uma indenização de R$ 10 mil à vítima. O recurso foi julgado pelo tribunal e o valor acabou baixando para R$ 3 mil, havendo acordo entre o agressor e a vítima para o pagamento parcelado do valor.

Diretor do NUDDH-DPERS, Mário Rheingantz, que atuou na ação ajuizada em benefício do morador de rua leopoldense, há quatro anos, se disse preocupado com o novo episódio. “Uma situação dessas que se repete demonstra que as pessoas não estão preparadas para tratar com as diferenças. É muito triste. Já passou da hora de terminarmos com qualquer forma de preconceito e discriminação”, comenta.

Ele disse que ainda na manhã de ontem, a Defensoria Pública tentava contato com a mulher agredida para se colocar à disposição para, caso seja da vontade dela, ajuizar também uma ação indenizatória.

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