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Violência no trânsito

Perigo e imprudência na BR-116 colocam em risco pedestres e motoristas

Travessia fora das passarelas e excesso de velocidade já causaram 15 mortes por atropelamento nos últimos dois anos
19/05/2019 09:21 20/05/2019 12:39

Um dos pontos mais movimentados da BR-116 em todo o País, com mais de 100 mil veículos circulando diariamente, o trecho entre Canoas e Novo Hamburgo é também um dos mais perigosos para os pedestres, a parte mais frágil em um complexo sistema viário. Na última quarta-feira, o jovem Cristiano Gilberto Brenner Coller, 19 anos, entrou para a triste lista das pessoas que perderam a vida na estrada. Ele tentava atravessar a rodovia no quilômetro 239, em Novo Hamburgo, mas um caminhão não conseguiu desviar a tempo. De janeiro de 2017 até agora, 15 pessoas morreram atropeladas neste trecho de 37,5 quilômetros, segundo dados fornecidos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Diante dessas perdas humanas, quais os cuidados que devem ser tomados para evitar novas tragédias? Excesso de velocidade do fluxo de veículos, imprudência dos pedestres – que cruzam fora das passarelas – e falta de barreiras de contenção que impeçam a travessia no nível da estrada são apontados como os principais fatores. A boa notícia é que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) implantará mais 14 passarelas no trecho, dentro das 22 programadas, conforme revelou por meio de sua assessoria de imprensa. Até o momento, já foram investidos cerca de R$ 30,5 milhões nessas estruturas.

Ao mesmo tempo em que a evolução tecnológica reduziu os níveis de poluição emitido por carros, caminhões e ônibus, também permitiu o desenvolvimento de motores mais potentes. Hoje, automóveis com motor turbo e potência acima dos 200 cavalos são cada vez mais comuns. Com isso, os tempos de aceleração e retomada dos veículos são menores, induzindo os pedestres, principalmente os idosos, a acreditar que dá tempo de atravessar na corrida. Mas trata-se de um equívoco que pode custar a própria vida. Também é preciso ter noção de que, durante a noite e em situações de neblina, a visibilidade para os condutores é menor, dificultando a identificação de pedestres.

Foto por: Inézio Machado/ GES
Descrição da foto: Ponto do Rincão é o mais crítico na BR-116

Responsável pela comunicação social da PRF no Estado, Cássio Garcez revela que um dos pontos mais perigosos é o do bairro Rincão, em Estância Velha, localizado próximo ao shopping onde, justamente em função dos indicadores, foi construída uma passarela. “Apesar disso, muitos preferem se arriscar e atravessam embaixo dela. O acidente desta semana, por exemplo, aconteceu a cerca de 300 metros de uma passarela. Por isso, o que falta é a instalação de grades”, sublinha. Na sua avaliação, no entanto, o excesso de velocidade não é o principal problema. “O movimento é muito intenso e os motoristas não conseguem andar tão rápido. O maior fator de risco é a imprudência do pedestre que não usa a passarela”, opina.

Superlotação na estrada

O especialista em Trânsito João Hermes Nogueira Junqueira, porém, entende que o excesso de velocidade é sim um dos principais causadores dos acidentes, bem como a superlotação da estrada. “O fluxo se desloca a mais de 80 km/h e o condutor acaba tendo que andar acima dessa velocidade, pois os veículos que vêm atrás o pressionam a ir mais rápido. Infelizmente é um somatório de coisas erradas que eleva a velocidade da estrada, gerando conflitos’’, opina.

Ele avalia que o Dnit fez a sua parte, gastando bons recursos na instalação de um número considerável de passarelas. “Mas a minha observação, como usuário da passarela, é que o uso dessas estruturas é mínimo. Às vezes, não é a instalação da passarela que resolve, pois tem que ser colocada em locais que as pessoas estejam dispostas a optar por essa segurança. Mas o pedestre tem que entender que não é viável construir uma passarela de 10 em 10 metros”, salienta.

Arte BR-116

O que surgiu primeiro...

João Hermes Nogueira Junqueira aponta que, na realidade, não são as estradas que cortam as cidades, e sim as cidades que se formaram nos traçados das estradas. “Por isso, nos trechos mais perigosos é necessário colocar grades e sinalização clara, que oriente o pedestre a atravessar na passarela. Se nada for feito, as pessoas vão continuar a arriscar suas vidas”, lamenta. Conforme a assessoria de imprensa do Dnit, está prevista a instalação de grades no trecho, mas o contrato de melhorias físicas da BR-116 ainda não tem previsão de início em função da falta de recursos pelo governo federal.

Outro problema apontado por Junqueira é a falta de acesso adequado a algumas passarelas. “Os municípios não estabeleceram projetos para que os moradores façam passeios adequados, permitindo que as pessoas consigam caminhar e acessar as passarelas, dando a acessibilidade adequada”, explica.

'Levamos vários sustos'

Foto por: Adair Santos/ GES-Especial
Descrição da foto: Jordana e o colega Rafael usam a passarela para ter segurança ao atravessar a BR-116
A instalação da passarela representa um ganho gigantesco de segurança para Jordana Fava, 23, que há vários anos trabalha como caixa em uma das lojas do I Fashion Outlet e precisa atravessar a estrada duas vezes por dia. O medo era constante. “Levei vários sustos, porque o carro estava vindo muito mais rápido do que parecia e ele acabou freando bem perto”, observa.
O colega de trabalho Rafael Silva, 25, também quase foi atropelado nas difíceis travessias antes da colocação da estrutura. “O tempo que a gente leva para subir as escadas é até menor do que acabava levando para achar alguma brecha para passar”, relembra.

'A gente se arrisca a ser atropelado’

Foto por: Adair Santos/ GES-Especial
Descrição da foto: Fábio admite que 'se arrisca a ser atropelado'
Sem tempo para subir a rampa ou os degraus de acesso à passarela. A pressa é a principal justificativa de quem atravessa a estrada próximo das estruturas, como é o caso do operário em serviços gerais Fábio Roberto de Brito, 38 anos, que mora no bairro Roselândia, em Novo Hamburgo, e raramente precisa cruzar a estrada. Mas no início da tarde de sexta-feira ele protagonizou uma cena bastante arriscada: cruzou as duas faixas da BR-116 exatamente embaixo da estrutura (detalhe da foto ao lado). Porém, reconhece seu erro: “Às vezes na pressa a gente faz coisa errada e se arrisca a ser atropelada. Minha sugestão é não fazer como eu. Na próxima vou usar a passarela”, garante.

Macedo já ajudou a socorrer vítimas

Foto por: Adair Santos/ GES-Especial
Descrição da foto: Macedo já ajudou a socorrer vítimas de atropelamento na BR-116
A cada início e fim de tarde, o comerciante Valdemir Macedo, 54, que tem uma loja de piscinas às margens da rodovia, no bairro Rincão dos Ilhéus, em Estância Velha, ficava arrepiado assistindo de camarote às cenas de pessoas tentando atravessar a BR-116 nos horários de pico, quando ainda não havia a passarela. “Um dos acidentes que mais marcou foi de uma jovem, atropelada às 11 horas da manhã em um dia muito quente. Ela estava falando ao celular e não viu o carro. Usamos até um guarda-sol para protegê-la até a chegada do socorro. Já perdi vários conhecidos neste trecho”, recorda. Ele, que também dirige com frequência, constata imprudências cometidas diariamente pelos pedestres. “A instalação desta passarela foi muito importante, mas ainda há pessoas que se arriscam demais passando por baixo dela”, lamenta.

Siga a regra 'ver e ser visto'

A regra “ver e ser visto” é fundamental para prevenir os acidentes como os atropelamentos, reforça a chefe da Divisão de Educação para o Trânsito do Detran/RS, a pedagoga Lais Elizabeth Silveira. “O pedestre precisa ter a consciência da fragilidade do corpo em relação a um veículo. Na condição de pedestre, é preciso observar o trânsito como um todo, verificando os locais próprios e mais seguros para realizar a travessia: faixa de pedestres e semáforo. Em locais onde não há faixa de pedestre nem sinaleira, é aconselhável realizar a travessia em linha reta, sem correr, olhando sempre para os dois lados da via”, sugere.

Em muitas situações, as pessoas aparentemente sabem o que fazer, mas não põem esses conceitos em prática. Em cidades maiores, os corredores de ônibus representam perigo para quem não está habituado. “Nesses locais, a principal regra é ter o máximo de atenção, cuidando especialmente de só atravessar a via se a sinalização estiver verde para pedestres e nunca entre os veículos que estão parados. E sempre atravessar na faixa de pedestres, mesmo que essas não fiquem alinhadas, como é o caso de algumas vias com canteiro central. Demora um pouco para a sinalização permitir a sua travessia? Pode ser. Mas a pressa não justifica colocar a sua vida em risco”, conclui.

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