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Estradas perigosas: RSs da região têm 120 mortes em apenas dois anos

RS-239 é a que mais deixou vítimas fatais nos últimos dois anos: 53 pessoas de janeiro de 2017 a fevereiro deste ano

Adair Santos

Viagens de trabalho e passeios em família interrompidos abruptamente. Pais, mães, filhos e amigos que saíram de carro ou moto e nunca mais retornaram para suas casas. Ao todo, 120 pessoas morreram em cinco rodovias que cruzam a região no período de dois anos e dois meses, conforme levantamento solicitado pelo ABC Domingo ao Detran/RS e que compreende o período de janeiro de 2017 até fevereiro deste ano. A RS-239 é campeã no quesito fatalidade, com 53 mortes, quase a metade do total, seguida pela RS-240 (25 mortes) e RS-115 (21 mortes). Por último, vêm a RS-122, com 18 mortes, e a RS-474, com três. O grande fluxo de veículos e a imprudência por parte de motoristas e pedestres são apontados como os principais fatores. A boa notícia é que o número de óbitos caiu 30% em 2018 na comparação com 2017.

O comandante do 3º Batalhão Rodoviário da Brigada Militar (BRBM), major Rafael Tiaraju de Oliveira, observa que as rodovias em que mais acontecem acidentes também são as mais movimentadas, como a 239. "O fluxo diário normal na RS-122 equivale ao registrado em um feriadão rumo ao litoral norte. A RS-115, que liga a Gramado, também tem um grande volume, pois leva às cidades turísticas", salienta.

Foto por: CRBM/ Divulgação
Descrição da foto: Em dois anos, 53 pessoas perderam a vida em acidentes na RS-239

Mas como explicar, porém, o fato de muitos acidentes acontecerem em dias ensolarados e em estradas duplicadas como a 239? Deve-se, principalmente, à imprudência. "A redução da velocidade está diretamente ligada à redução de lesões, tanto de pedestres quanto de quem está a bordo dos veículos", relata. Aos pedestres, ele sugere recorrer a locais onde haja passarela e evitar horários de muito movimento. "A situação piora quando há neblina, em que se percebe a aproximação dos veículos quando já estão perto demais", salienta o major, relatando que sempre deve ser usado o farol baixo, e não o alto, que, além de ser ineficiente na neblina, ainda ofusca os condutores que vêm no sentido contrário. Já os ciclistas devem utilizar sempre o acostamento e, se possível, roupas com tarjas refletivas, que ajudam a identificá-los a maiores distâncias.

Mais fiscalização, menos acidentes

Quem transita pela RS-239 habitualmente sabe que a chance de levar uma multa é grande para aqueles que desrespeitam os limites máximos. A fiscalização com radar móvel é uma das grandes responsáveis pela redução no número de acidentes com mortes. "Isso permitiu tornar a estrada mais civilizada. Antes, alguns motoristas andavam de forma alucinada", aponta o sargento Dalvo Tadeu da Rocha, comandante do pelotão de Sapiranga, que atende desde o km 13, no entroncamento com a BR-116, até o km 48, em Parobé, próximo à ponte sobre a várzea do Rio dos Sinos, no limite com Taquara.

O grupamento também computa seus números, que entretanto nem sempre batem exatamente com os do Detran porque levam em conta vítimas que morreram no local ou pouco depois, mas mesmo assim servem como importante baliza. "Em 2016 foram 30 mortos no trecho que atendemos, número que caiu para 17 em 2017 e para 11 em 2018. Neste ano, infelizmente, já temos 8 vítimas fatais", contabiliza. A redução, inclusive de acidentes com lesões, está na contramão do crescimento do fluxo de veículos na 239, que gira em torno de 30 mil ao dia. Os principais problemas são o uso do celular ao volante e os recuos dos retornos, que são muito curtos, exigindo que os veículos fiquem parados sobre a pista de rodagem nos horários de pico.

 

ESTRADAS PERIGOSAS
Infogram

Perigo no trecho de Sapiranga


Um tipo de acidente com alta taxa de mortalidade é o atropelamento. Dos 53 óbitos na RS-239 de janeiro de 2017 a fevereiro deste ano, sete foram por atropelamento em Sapiranga. Um dos trechos mais perigosos localiza-se próximo às lombadas eletrônicas, onde há intensa travessia de pedestres e o limite máximo é de 50 km/h. Justamente por este motivo é que o local foi escolhido para receber a primeira passarela que será instalada neste trecho da rodovia, conforme assinatura do início da ordem de serviço realizada pela prefeitura de Sapiranga no último dia 28.

Foto por: Inézio Machado/ GES
Descrição da foto: Riscos: jovens e adultos precisam driblar os veículos ao cruzar a movimentada RS-239

O desenvolvedor de softwares Everton Scariott, 30 anos, dirige todos os dias de Parobé a Novo Hamburgo e, além de motorista, também é pedestre, precisando atravessar a estrada em muitas circunstâncias no bairro São Jorge. É justamente neste momento que se sente mais fragilizado. ''Quando estou ao volante, o principal problema são as lâminas de água que se formam em dias de chuva, podendo levar o carro a uma aquaplanagem. Na condição de pedestre, o perigo aumenta quando anoitece, pois fica ainda mais difícil de perceber a velocidade dos veículos'', observa.

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