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Novo Hamburgo

Paulo Bassi se prepara para a aposentadoria após quase quatro décadas na Prefeitura

Engenheiro, que chega aos 70 anos no dia 26, é o servidor mais antigo do Município
13/06/2019 03:00 13/06/2019 08:25

Foto por: João Carlos Ávila/GES-Especial
Descrição da foto: Apaixonado por rock, Paulo Bassi está prestes a se aposentar
No painel do carro o cartão que garante estacionamento preferencial para quem tem mais de 60 anos, que ele mostra com orgulho, mas que contrasta com seu estilo de vida. Ao chegar para a entrevista, veste camisa jeans, cachecol vermelho e camiseta preta de uma de suas bandas preferidas, a Led Zeppelin. A calça, claro, não poderia ser outra, a não ser jeans. Prestes a completar 70 anos e se aposentar compulsoriamente, este é o engenheiro civil Paulo Bassi, que em janeiro passado completou 39 anos de Prefeitura de Novo Hamburgo. É o segundo servidor mais antigo do quadro ainda atividade no Executivo. Foi chamado pelo então prefeito Eugênio Nelson Ritzel, por indicação do conterrâneo César Schirmer, ex-prefeito de Santa Maria e secretário de Segurança Pública na gestão de José Ivo Sartori no governo do Estado. Aliás, diz que o viés de esquerda - até hoje seu carro tem adesivo de candidatos do PT - tem a ver com a origem santa-mariense.

Histórias

Bassi diz que chegou em Novo Hamburgo numa época difícil. O governo federal ainda era comandado pelo regime militar e Ritzel chega à Prefeitura com a primeira vitória do MDB após um longo período de Arena. "As vebas eram ruins, a Câmara oposicionista. Mas o Ritzel abriu caminhos", diz Bassi, que em 1988 tornou-se estável com a promulgação da Constituição.

Foto por: João Ávila/ GES-Especial
Descrição da foto: Bassi é portador do cartão que permite estacionar carro em vagas preferenciais
As histórias nestas quase quatro décadas são muitas, especialmente para quem foi secretário de Serviços Urbanos de Ritzel e, mais tarde, de Atalíbio Foscartini. Basse fala com orgulho da implantação da reciclagem de lixo, modernização da iluminação pública, organização do recolhimento de lixo, a quem cita outro prefeito com quem trabalhou, Paulo Ritzel, filho de Nelson. "O Paulo foi muito bom na questão ambiental", diz.

Com a aposentadoria batendo à porta, o colorado que ainda não visitou o novo Beira-Rio adianta: não vai colocar pantufas nem pijama e será muito visto em lugares que servem um bom café, um dos seus hábitos. E resume seus próximos passos com uma única palavra: "Voltaremos".

Corpo técnico exemplar

Bassi não esconde sua satisfação com os engenheiros e técnicos da Prefeitura. "São exemplares", resume. Quem logo percebeu isso foi o prefeito Tarcísio Zimmermann, que levou muitos projetos para Brasília. "Com isso veio muito dinheiro para UPA, escolas, UBSs." Diz, ainda, que nunca viu escândalo com engenheiros sérios. E carrega uma lição: "É preciso respeita o público, o contribuinte. Ele é o teu patrão."

 

Faltou incentivo à industrialização

Neste período em que se tornou hamburguense de coração, Bassi também lembra das coisas que faltaram, como por exemplo, incentivo à produção industrial. “Não pode o Município ser apenas de serviços. É preciso incentivar. O Plano Diretor tem que ser flexível, mas respeitando as questões ambientais. Nossa vocação é industrial e precisa ser retomada”, desafia. E entende que Lomba Grande é subaproveitada. “Não podemos pensar Lomba Grande, que tem dois terços da área do Município, dormindo em berço esplêndido. Tem que preservar, mas também tem que levar a indústria para lá”, defende. “Não falo em encher de curtumes, mas tem como fazer melhor aproveitamento daquela área. Por isso defendo que o Plano Diretor precisa ser adaptado às novas realidades.”

A história numa máquina de escrever

O gosto de Bassi pela história pode ser resumido pela máquina de escrever que ele mantém até hoje, não mais na Prefeitura, mas em casa. A Remington que ele ganhou do ex-topógrafo Schury passou por manutenção e hoje é peça decorativa. “Minha letra nunca foi muito boa”, reconhece. “Então usava a máquina para todos os despachos. Aliás, usava para tudo.”

Apesar do gosto pela história, acredita que chegou a hora de definir sobre a preservação de prédios em Novo Hamburgo. “Anos atrás, foi feito inventário com mais de 400 prédios catalogados. Nem Jerusalém tem tantos...” Por isso, diz que é preciso definir o que é histórico, o que tem importância e, depois disso, incentivar a preservação, com desconto de ISSQN na obras e até transferência de índices de construção.

Trajetória de curiosidades

Paulo Bassi traz belas recordações destes 40 anos de Prefeitura. Do topógrafo Schury, de quem recebeu as boas-vindas e ganhou a máquina de escrever, a frase de quem não gostava de brigas. “Não briga comigo, senão tu vais ser o cara mais novo no meu velório.” Lembra, ainda, de uma reação pouco comum de Atalíbio Foscarini, sempre bem humorado. “Certa vez, ele chegou na oficina e o pessoal tomava chimarrão. Não viram ele chegar. Ficou plantado, esperando. Acabou proibindo o chimarrão em serviço.” Aliás, o velho Fosca estava sempre na rua. “Ele transpirava política. Já o Nelson era mais reservado.”

Foto por: João Ávila/ GES-Especial
Descrição da foto: Bassi é um apaixonado por rock e petista convicto

Estádio do Vale e Teatro Feevale

Paulo Bassi esteve à frente do projeto que construiu o primeiro módulo do Residencial Kephas, cujo mutirão começou no governo Nelson Ritzel e terminou no de Atalíbio Foscarini. Ele lembra que, inicialmente, eram 132 lotes, todos implementados pela Prefeitura, que disponibilizou água e luz. Os moradores, em regime de mutirão, construíram os banheiros e mais o embrião de 20 metros quadrados de alvenaria.

O engenheiro lembra, ainda, com orgulho, os vários projetos que aprovou. Entre eles o Estádio do Vale, a casa do Esporte Clube Novo Hamburgo e o Teatro Feevale. “O teatro foi uma briga que comprei. Queriam mandar (na Prefeitura) para tudo que é comissão. Aprovei e é importante para Novo Hamburgo.” Foi um dos últimos despachos, inclusive revela que bateu de frente com o então prefeito Tarcísio Zimmermann. Depois, sequer foi convidado para a inauguração. Hoje, reitera: “Tem que destravar (as amarras) para aprovar os projetos mais polêmicos.” Como frustração, diz que não conseguiu aprovar o projeto das Faculdades Anhanguera.

Prefeitos com quem trabalhou

Eugenio Nelson Ritzel
Assis Barreto da Costa
Atalíbio Foscarini (duas vezes)
Elio Giacomet
Paulo Ritzel
Aírton dos Santos (dois mandatos)
Jair Foscarini
Tarcísio Zimmermann
Luís Lauermann
Fatima Daudt
mais os interinos Cleonir Bassani e Antônio Lucas

Jornal NH
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