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Indústria, serviços e construção civil tiveram contratações, já comércio decepcionou

Indústria, serviços e construção civil foram destaques positivos; comércio decepcionou

Por: Bianca Dilly

A criação de empregos com carteira assinada na região se manteve positiva nestes primeiros cinco meses do ano, com um pequeno crescimento em relação a 2018 e foi novamente a indústria que puxou estes resultados. É isto o que aponta o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério da Economia no fim da última semana.

Nas 44 cidades de abrangência do Jornal NH, foram 6.478 vagas de saldo, resultantes da comparação entre admissões e desligamentos informados pelas empresas, número 0,5% maior do que o mesmo período do ano passado, quando o saldo ficou em 6.442 postos de trabalho. Nos setores, a indústria foi responsável pelo melhor desempenho, fechando com um superávit de 4.277 vagas, seguida pelos serviços, com 2.518 de saldo positivo. Outro destaque ficou com a construção civil, que teve 313 postos de trabalho de diferença entre as contratações e demissões. Pelo lado negativo, o saldo do comércio foi de -779 na região, o pior entre todos os setores.

Seguindo esta tendência, no País o resultado do último levantamento também foi favorável ao emprego. No mês de maio, foram 32.140 vagas de saldo no Brasil. No acumulado do ano, foram criados 351.063 empregos. Já com a avaliação somente do Rio Grande do Sul, a notícia não é tão boa. Em maio, o saldo de postos de trabalho do Estado foi de -11.207, com o pior desempenho, de -4.234 de saldo na agropecuária. A constatação foi oposta ao que ocorre no cenário nacional, já que o setor foi o que melhor se manteve no quinto mês do ano no País (37.373 postos de saldo).

Economia ainda está estagnada

Para estes dados, a avaliação que o vice-presidente de Economia da Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACI) de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha, André Momberger, faz é de que a região segue o mesmo rumo da situação nacional. “Os números estão refletindo a estagnação que ainda vivemos na economia do País. A geração de empregos não cresceu muito na região, porque no Brasil também não houve esse aumento. Então, o crescimento de apenas 0,5% é natural e está alinhado com a nossa realidade econômica. Não tivemos nenhuma surpresa”, afirma.

Quanto aos setores com destaque positivo e negativo, o economista e professor do curso de Ciências Contábeis da Universidade Feevale, José Antônio Ribeiro de Moura, evidencia que eles são reflexo das necessidades da população. “O motor da economia é a indústria, que vai gerar renda e as condições necessárias para consumo. Porém, a mesma desconfiança que o empregador sofre, abala a população, que prefere, em tempos de incertezas no curto prazo, comprar somente os bens necessários”, aponta.

Novo Hamburgo tem a maior recuperação

No comparativo entre os dados dos primeiros cinco meses deste ano e os de 2018, Novo Hamburgo foi a cidade com a melhor recuperação no saldo. De 107 postos de trabalho, o Município deu um salto para 1.076 de superávit entre admissões e desligamentos, em torno de 900% a mais.

De acordo com o diretor do Trabalho da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Amilcar Jair Schmidt, os dados são resultado de um trabalho que vem sendo desenvolvido ao longo dos meses. “Trata-se de uma série de pequenos projetos que estamos desenvolvendo em nossa administração. Estamos valorizando a mão de obra, oferecendo cursos de capacitação, captando vagas junto às empresas por meio da Agência Municipal de Emprego e temos a sala do empreendedor, onde atendemos em torno de mil interessados por mês em abrir pequenas empresas”, comenta.

Para a prefeita do município, Fátima Daudt, a pesquisa “É o resultado do trabalho que nós estamos fazendo, em uma soma de fatores. Entre alguns exemplos, temos a lei de incentivo à construção civil, que preza pela contratação de pessoas do Município, o incentivo na participação de pequenas empresas nas feiras, o acompanhamento de setores como o Sebrae, a sala do empreendedor que foi colocada nesta Administração, o trabalho da Agência Municipal do Emprego, entre outros."

Outro destaque que Schmidt faz diz respeito à lei municipal promulgada em junho que cria o Conselho Municipal do Trabalho, Emprego e Renda e o Fundo Municipal do Trabalho. “Ela vai abrir a possibilidade do Município manter contato direto com a União e de angariar fundos para a formação dos profissionais. É um sonho concretizado”, complementa. No Município, o setor com maior destaque é a indústria, que teve saldo de 625 vagas. Na sequência, aparecem os serviços, com 427, e a construção civil, com 101, esta última representando quase um terço do total na região e apontando para uma recuperação neste setor que foi muito afetado pela crise econômica.


São Leopoldo criou mais postos de trabalho

Só levando este ano em consideração, de janeiro a maio São Leopoldo foi a cidade que ficou com o melhor saldo na região: 1.737 vagas de emprego. Deste número, a área que alavancou o resultado foi a de serviços, que fechou o acumulado até o quinto mês do ano com 1.496 postos de trabalho.

“Vemos a cidade como um núcleo empreendedor, onde existem grandes possibilidades de novos empreendimentos. No setor de serviços, temos programas como o de microcrédito da prefeitura, que ajudam no desenvolvimento e geração de ainda mais empregos”, frisa o secretário de Desenvolvimento Econômico, Turístico e Tecnológico, Rafael Souza.

Outras políticas públicas aplicadas no município, voltadas para o setor empresarial, são a redução no prazo de alvará, a desburocratização do processo de aberturas de empresas e os investimentos nos distritos industriais. “Hoje, nós acreditamos muito no futuro do setor de tecnologia na cidade, principalmente através do Tecnosinos, e a expansão do polo será um fator importante e forte na geração de empregos”, pontua.

Quase 500 funcionários demitidos

A semana já começou com uma má notícia até para São Leopoldo, bem colocada neste último ranking. Na manhã de ontem, quase 500 funcionários foram informados do fechamento da Deca, unidade da Duratex. A direção da empresa decidiu encerrar as atividades da unidade leopoldense adquirida no início da década de 80.

Em nota, a assessoria de comunicação da empresa em São Paulo destaca que “a Duratex esclarece que o fechamento da unidade industrial de louças na cidade de São Leopoldo é importante para a consolidação industrial e para manter a competitividade no segmento. A escolha desta unidade se deu pela sua reduzida capacidade instalada”.

Litoral norte e Serra Gaúcha na parte de baixo da tabela

No acumulado de janeiro a maio deste ano, o pior resultado da região ficou com o litoral norte. As cidades de Imbé e Tramandaí tiveram o saldo mais negativo, de -308 e -304 vagas, respectivamente. Para o secretário de Desenvolvimento Social de Imbé, Sandro Melo, o cenário é motivado pelo momento de crise econômica, que afeta diretamente o turismo. “E esta é a principal vocação da nossa cidade.

A queda no número de visitantes faz com que haja um decréscimo nas vagas e, consequentemente, demissões”, diz. Segundo ele, os números preocupam. Mas, para mudar este quadro, o município aposta em duas coisas: na qualificação dos trabalhadores e na abertura da rede de saneamento de Imbé.

Ainda neste sentido, a Serra Gaúcha não apresentou um bom desempenho nos cinco primeiros meses de 2019. Gramado, com -260 postos, e Picada Café, com -289 vagas, também estão entre as piores colocadas da região. Picada Café, inclusive, é a cidade com o pior comparativo entre os mesmos períodos deste ano e no ano passado.

Até maio de 2018, o saldo no município era de 89 vagas, representando uma queda de mais de 400% na relação até o quinto mês deste ano. “Acreditamos que esse saldo ocorra em virtude da diminuição produtiva das indústrias locais, a maioria ligada ao setor calçadista. Constatamos que não há incentivos atrativos em nosso Estado”, avalia a secretária de Administração e Fazenda cafeense, Rúbia Michaelsen. A cidade foi a que teve o saldo mais baixo no setor da indústria, de -301 postos.

Perspectivas para os próximos meses

Na contramão dos dados positivos acumulados nestes cinco meses, apenas considerando as cidades da região com mais de 30 mil habitantes, 11 de um total de 15 tiveram mais demissões do que admissões em maio, gerando saldos negativos. É um indicativo de que a gangorra pode estar mudando de lado? Na visão de Moura, sim.

Segundo ele, todo início de governo traz consigo esperança de melhoria nas condições de vida da população, que gera um impulso para a economia. “No decorrer do tempo, as expectativas foram reduzidas pela morosidade de aprovação de ações importantes do governo para a retomada do crescimento, impactando seus resultados, e em decorrência, a queda das vagas de emprego”, salienta.

Para Momberger, a situação deve continuar semelhante à atual. “A geração de emprego tende a melhorar, mas não muito. Acredito que teremos os próximos relatórios muito parecidos e o que pode acontecer é que o segundo semestre tende a ser melhor para o comércio”, ressalta.

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